December 28, 2009

Enfim, férias!

Impossível não ficar babando com esse mar

Finalmente, depois de um ano mais parecido com uma epopéia, a qual incluiu, entre outras coisas, defesa de tese [com direito a muito choro e ranger de dentes], primeiro ano num trabalho novo e desgastante e a péssima notícia da doença do meu pai quase às vésperas do Natal, eu consegui fugir de tudo e vir descansar. Escolhi Salvador por inúmeros motivos, dentre eles a visita de uma amiga que mora em Londres e só vem ao Brasil uma vez por ano. Deixa eu explicar [senta que lá vem história]. Minha amiga, que é brasileira, mas virou cidadã britânica, conheceu o atual marido, um baiano fofo toda vida, lá pelas terras da dona rainha. Esse ano, em vez de ficar o tempo todo pelo Rio, ela veio à Salvador conhecer o restante da família do Sr. hubbie. Daí resolvi vir também e matar logo dois coelhos [nossa, acho essa metáfora horrível!]: conhecer a Bahia, primeiro lugar do nordeste onde eu piso na vida e aproveitar pra ficar mais um pouco com a minha amiguinha.

Então cheguei aqui na sexta à noite, sozinha [a Mari só chegaria do Rio no sábado à noite] e sem conhecer nada. Me entrosei com uns paulistas no aeroporto [sempre os paulistas] e descobri que eles vinham na mesma direção que eu, só que pra outro hotel. Resolvemos pegar o busão do aero e economizar as 75 pilas do táxi pra gastar em lembrancinhas no Pelô. O moço foi gentil e fez questão de retirar a minha imensa mala do micro-ônibus [nem sei como o motorista não me mandou escolher: eu ou a mala]. Na primeira noite aqui dormi muito e profundamente, acordei cedo e fui correr. Eu penso que no primeiro dia de férias, em qualquer lugar onde se esteja, a gente deve ‘despressurizar’. E foi o que eu fiz. Fiquei à toa a maior parte do sábado. Encontrei um amigo daqui e conversamos muito, dormi depois do almoço, fui à praia ver o finzinho da tarde e saí só à noite pra comer acarajé, o mais famoso daqui, dizem. Sorte minha que a Cira tem uma ‘filial’ no Rio Vermelho, onde eu estou. Depois de enfrentar umas 40 pessoas que estavam esperando na fila, finalmente provei o dito cujo. Achei bom, mas me apaixonei mesmo foi pelo bolinho de estudante [ontem, o marido baiano da  minha amiga me contou que esse bolinho também é chamado de 'punheta', pela maneira como é feito, na palma da mão, perto do punho. Ok; mas chegar em algum lugar e gritar 'Me vê uma punheta!' não rola, né?]. Enfim, o dia perfeito.

Ontem, depois de correr, fui me aventurar nas ruas do centro histórico. Um programa que certo amigo meu diz que merece ‘5 cocares no índice programas de índio’. Pode até ser. Mas eu sou turista, né? Portanto, devo fazer coisas de turista, como me encantar com o azul do mar do alto do elevador Lacerda; ir ao Mercado Modelo, sorrir para todos os vendedores e não comprar nada; pegar um busão num calor senegalês e ir me aventurar sozinha até a Igreja do Bonfim [onde fui extorquida por uma bichinha que me vendeu um patuá de Omolu por 3 reais. Não sei se já disse a vocês, mas as bichas me adoram, me amam, me farejam onde quer que eu vá. Eu ri muito com o vendedor de patuás e dei os 3 reais feliz da vida. E ainda ganhei uma figa 'de brinde']. Depois do Bonfim, me joguei pro Pelourinho, mas já estava cansada e faminta. Mesmo assim consegui percorrer uma parte das ruas e comprei camisetinhas lindas por 10 pilas cada uma. Almocei moqueca, morrendo de medo do azeite de dendê [mas nada aconteceu, a não ser uma pequena 'indisposição' à noite, mas essa passou rapidinho]. Eu achei o prato – pra uma pessoa – grande demais. O que não me impediu de comer tudinho, de quase virar a panela pra aproveitar a última gota do caldinho, que eu misturei com aquela farofa amarela e muito feijão fradinho. A noite fui tomar cerveja e papear com Mari e Mr. hubbie baiano [ele se chama Guilherme, como meu filho] e fim do segundo dia.

Bonfim

Eu, turista? Magina, impressão sua.

Hoje estou aqui, no quarto do hotel, quase onze da manhã [horário local, já que aqui não tem horário de verão], de camisola, sem café e tentando pensar no que vou fazer. Talvez eu vá à praia [correr não rola hoje, tomei cerveja ontem e fiquei lerda], talvez eu volte ao Pelô, talvez eu visite uns fortes de barco, talvez eu passeie pela Barra. Talvez. Certo mesmo só o jantar à noite no Yemanjá e a minha preguiça que não passa. Acho que já me adaptei ao ritmo local e não quero saber de planejar nada, vou fazendo o que der vontade, pois com certeza voltarei aqui muitas outras vezes. Agora são 11 da manhã e acho que vou tomar café. Depois eu conto das minhas impressões, quando a preguiça passar. Depois.

Não sobrou (quase) nada disso aí

Pelô

December 25, 2009

Brincando com lenço

Aprendi [sic] a fazer no blog da Cris Guerra. Fiquei treinando várias possibilidades pra usar lá em Salvador. Achei bonito e prático, mas meu lenço de seda esquenta um pouco. Enquanto não viro uma expert na arte de fazer frentes-únicas com lenços, vou usando desse jeito aí mesmo.

P.S¹.: As fotos estão péssimas, mas o resultado da amarração até que me surpreendeu. Boa ideia.

P.S².: Claro que a frente única da Cris Guerra tá 285857697 milhões de vezes melhor que a minha. Eu ainda sou aprendiz e ela é mestra!

December 24, 2009

Hohoho [2]

Mamãe Noel


'Sejam bonzinhos que eu trago presente'

Já que essa festinha é inevitável, vamos tentar fazer como a moça aí em cima. Que o Natal seja bonito, alegre, com [algum] glamour, inspirado e atraente. No mínimo.

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Upideite: Gente, eu sei que glamour no meio de um monte de rabanadas é coisa bem difícil. Mas é a Dita von Teese que tá pedindo, né?

December 24, 2009

Fúria teen

Que mané “Jingle Bells”, que nada.

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Adoro, adoro, adoro. Trilha sonora da minha pós-gravidez. “Love myself, better than you. Know it’s wrong, but what should I do”

:)

December 24, 2009

Só pra constar

São 13:26. Não fiz nenhuma sobremesa ainda. Mas já embrulhei os presentes. E hoje é Natal, né? É, o coelhinho da Alice me falou.

Ai, ai, meu deus, alô, adeus, é tarde, é tarde, é tarde.

Definitivamente, eu e um tight schedule são coisas que não combinam.

December 24, 2009

Hohoho

Não esquecer de escrever na agenda [pra manter o 'espírito' em 2010]:

A vida é muito divertida, apesar de tudo. Estou me sentindo feito criança em loja de doces. Ass. Eu

* A programação de final de ano está em ritmo de sábado de Carnaval. Sexta-feira eu saio daqui pra encontrar a amiga @fiufiu em Salvador e ainda não cuidei de detalhes básicos, do tipo: como vou sair do aeroporto de Salvador? Que roupas vou levar? O que vou visitar primeiro? Vai dar tempo de fazer tudo? Quantos acarajés eu posso comer? Quem vai cuidar da cachorrinha e da gata enquanto eu estiver fora? Estou me comportando como uma personagem de romance [não me lembro qual] que dizia: ‘Amanhã pensarei nisso.’ Procrastinar é meu verbo favorito.

* Hoje saí pra fazer compras no Rio Sul com o Bruno. O xóping da minha cidade pegou fogo logo pela manhã, vocês imaginam isso? Daí quando passei por lá já tinha um povo aglomerado fazendo o maior sambão. Oficialmente o mundo pode acabar que ninguém por aqui vai notar, tal é a concentração etílica no sangue da galera. Como eu já não gosto de fazer compras em Niterói, fiquei indiferente ao episódio e fui gastar o que restou do meu dinheirinho do outro lado da baía, onde tudo é infinitamente melhor.

* Ontem foi meu primeiro dia de férias e eu passei o dia todo com a @fiufiu fofocando na beira da piscina e sem tomar sol. A vida tá muito boa. Apesar do calor, do Papai Noel com aquela roupa improvável e idiota e das musiquinhas repetitivas de Natal.

* Amanhã eu ainda preciso fazer duas sobremesas pra 14 pessoas, comprar embalagens pra alguns presentes e procurar com lupa alguém que faça minhas unhas dos pés. E isso, acreditem, é mais difícil que terminar outra tese de doutorado.

* Está aberta a temporada caça-dicas de Salvador. Se alguém tiver uma listinha de DOs e DON’Ts, pode mandar ver nos comentários.

* E se vocês só voltarem aqui quando a ressaca do Ano Novo passar, fiquem com meus votos de um 2010 com muito amor, séquisso e diversão. Ah, e um pouquinho de dinheiro pra poder concretizar o resto. Bye!

December 16, 2009

Agora de manhã

Tomando solzinho na estante


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Kekinha relaxa enquanto eu enlouqueço. Senão vejamos.

1. Acabei de perder as havaianas que estavam nos meus pés. Assim: eu estava calçando as havaianas. Tirei pra fazer alguma coisa. Elas sumiram e eu não consigo achar. Sim, eu já olhei embaixo da cama.

2. Consegui me livrar de uma pilha de papéis, livros e revistas que entulhavam meu quarto. Foi assim que consegui achar a folha com as notas da prova oral dos alunos. Ela tinha sumido e eu estava desesperada.

3. Aliás, muitas coisas somem aqui nessa casa. Algumas eu acho; outras se perdem para sempre, ou até que eu me anime a olhar dentro de cada caderno. Uma vez, numa de minhas mudanças, perdi as fitas cassete [éééé, vocês lembram?] que eu teria que usar numa prova de listening com os alunos. Simplesmente sumiram. Elas apareceram meses depois, quando fui olhar, por acaso, dentro de uma panela.

4. O Natal é semana que vem e eu – juro! – preferia esquecer esse detalhe. Não comprei nada ainda pra ninguém. Nem sei se vou ter saco, paciência, tempo.

5. Final de ano de professor é uma loucura. Além de todas as provas finais pra corrigir [as minhas eu tenho que entregar parte hoje, parte amanhã e sexta. Adivinhem quantas faltam pra corrigir? É, quase todas. E eu aqui, blogando...], todos os seus colegas são professores, o que significa que em dezembro, quando todos encerram a faina, pipocam almoços, jantares, festas, encontrinhos, lanches, cinemas e etc. Todo mundo quer comer rabanada contigo antes que Papai Noel desça pela lareira. Eu simplesmente não tenho fôlego e às vezes desisto.

6. Oi, Papai Noel. Eu quero sumir, tem jeito?

December 16, 2009

Entendam, por favor

Formspring é o Twitter na forma interrogativa [Lembram da interrogativa e negativa do cursinho de inglês? Então].

quem diga também que é o novo preto. [Debatable. Highly debatable]

December 14, 2009

Olhe

“Como foi dito: não pense, mas olhe!”

Wittgenstein, Investigações Filosóficas, 66

Uma as coisas que me levou a me interessar por filosofia foi a possibilidade de poder lançar um olhar ‘novo’ para as coisas. Para Wittgenstein, de maneira diferente da ciência, não pode haver descobertas em filosofia, porque tudo está as claras, diante dos nossos olhos. Não há nada que esteja oculto.

Eu acho que na vida é assim também. No fundo, está tudo aí e, de alguma maneira, é preciso preparar os olhos para esta tarefa de ‘ver’ de modo diferente. Vocês já devem ter vivido a experiência de passar várias vezes por um lugar e não notar certas coisas, detalhes talvez insignificantes. Então, num belo dia, sabe-se lá porquê, você ‘descobre’ algo. E descobre também – surpreso – que aquilo sempre esteve lá. Mas você não conseguia ver. Faltava ‘treino’ para isso.

Esse treino, na minha opinião, pode acontecer de várias maneiras. Pode ser que você que você se exercite sozinho, observando. Pode ser que você busque leituras. E pode ser que outra pessoa seja aquela que vai te tomar pela mão e vai te mostrar que existem coisas pelas quais você já passou e nem notou. Essas são as pessoas que verdadeiramente ficam. São as que interessam. De repente, o seu olhar ganha um ‘upgrade’. E você segue pela vida se surpreendendo. O que, pra mim, ainda é a melhor sensação do mundo.

Isso tudo me lembrou de uma música do Arnaldo Antunes, cantada pela Ceumar. Se você ainda não conhece a Ceumar, não sabe o que está perdendo. É uma cantora de voz doce e afinada. Essa música aí debaixo chama-se exatamente “O seu olhar”. A letra é bem bonita e hoje eu fiquei ouvindo várias vezes. Dias de chuva fazem dessas coisas com a gente.

“O seu olhar”

Arnaldo Antunes

O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu

O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu

Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu

O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu

O seu olhar agora
O seu olhar nasceu
O seu olhar me olha
O seu olhar é seu

O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu

December 11, 2009

Pensamento do dia

Vivemos em sociedades cuja meta não é simplesmente combater as ideias radicais – isto seria natural esperar – mas apagar toda a memória viva dessas ideias: criar uma condição amnésica na qual essas noções pareçam jamais terem existido, colocá-las num espaço para além de nossos poderes de percepção.

Terry Eagleton, In: A Ideologia da Estética

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Entenderam porque eu quero tanto ler esse livro? Mal posso esperar para entrar de férias e me entregar de corpo, alma e coração ao Eagleton.