Do porque Murphy me odeia

Voltando pra casa agora, depois de dar uma aula particular que começou às sete e meia da manhã, vinha eu repassando mentalmente como seria o meu dia quando

  1. bati boca com o dono de uma loja que enxotava [na verdade, maltratava] um filhotinho de gato. Ele me disse uns impropérios e eu tive vontade de chorar ali. Ainda bem que tava de óculos escuros.
  2. Mal refeita do bate-boca, levei um banho de água suja quando passava na calçada próxima ao meu prédio. Xinguei o motorista de FDP, idiota e outros nomes menos elogiosos, aos berros, sem nem me dar conta do número de pessoas em volta [que moça pheeeeena, não?].

Isso porque já tive uma noite péssima, porque meu plano odontológico precisa aprovar o meu tratamento de canal (o que, segundo a dentista, ‘vai demorar um pouquinho’), e porque, além disso tudo, eu ainda fui dormir triste por constatar o óbvio: que ninguém tem a obrigação de preencher as minhas expectativas. E se elas – as expectativas – são frustradas, o problema é exclusivamente meu.

Não adianta chorar, ficar putinha, bater pé, chamar papai, mamãe ou o Capitão Nascimento: ninguém vai poder resolver pra você, qué-ri-da!

Acho que essa foi a coisa que mais demorei a aprender na vida. A não responsabilizar quem quer que seja pelas minhas dificuldades. As pessoas são o que a gente projeta nelas (não porque sejam realmente, mas porque as vemos de certa maneira e acreditamos no que vemos). Então, claro, excluídas as situações reais de doença, falta de grana, morte de alguém querido, os sofrimentos que a gente tem (a ‘gente’ = EU), são uma questão de ajuste de foco. De conseguir ver com clareza o que é e o que não é. E de não ficar criando castelos onde eles na verdade não existem.

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Pelo menos hoje, meu pão não caiu com a manteiga pra baixo. Ainda.

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5 Comments

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5 responses to “Do porque Murphy me odeia

  1. “eu ainda fui dormir triste por constatar o óbvio: que ninguém tem a obrigação de preencher as minhas expectativas. ”

    Se eu, também hj, tivesse escrito isso, n estaria inventando uma vírgula.

    bjo

  2. L.

    Putz, guria, concordo muitíssimo. A realidade é uma ilusão de terceira categoria, eu sempre digo. É bem mais realista mudarmos a nós mesmos doq ue ficar esperando que os outros mudem. Ou que o mundo mude.
    Mas não precisa mudar teu estilo de escrita. Muda o assunto central de um blog pro outro, mas continuas boa de ler.
    😉
    Bjos,
    L.
    Ps-ah, mas apesar de tudo isso, torço pra que as coisas mudem. Especialmente em relação à porra do canal.

  3. mari

    por isso que sinto uma saudade abissal de nossos cafezinhos terapeuticos. Sao elucidacoes dessas *da mulestia* suas que me fazem falta, rotineiramente… ai-ai, vizinho bom soh se encontra de 75 em 75 anos, junto com o cometa Halley!!!

  4. Amore, concordo etc. como sempre. Mas quero fazer uma observação nada a ver: muito cuidado com plano odontológico, digo isso com anos de cadeira de dentista. Normalmente o barato sai caro – eu já fiz tratamento em plano e tive de refazer tudo de novo depois, morrendo de dores. Eu pediria um orçamento de um dentista particular, indicado por amigos. Eles são careiros mas podem dividir e tals. Palavra de dentistas que já me deram a dica: pessoal incompetente e novato entra nos planos; depois que consegue clientela, sai. Muito cuidado.

  5. Juliana®

    acho q ele não te odeia não…
    mas e sobre o plano de saúde, fiquei preocupada com isso. beijos

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