Andarilha

Uma das coisas que mais me fazem falta nessa época de dólar alto e pouca grana é viajar. Eu viajei pouco nessa vida. Tenho amigos que já viajaram o mundo todo, mas eu fui só duas vezes à Europa e algumas poucas andei pela América do Sul. Tenho alma de mochileira, mas nunca pude botar esse lado muito em prática por causa do filho. Depois que ele cresceu as coisas ficaram mais fáceis, dava pra ele ficar com o pai – ou até ir comigo (a primeira viagem internacional da minha vida eu fiz com ele). Então eu já estou me planejando para que assim que as finanças entrarem nos eixos novamente eu possa voltar a carimbar o passaporte.

Alguns lugares novos que eu queria conhecer não são muito convencionais. Eu queria muito mesmo ir à Turquia. Já comprei guia e tudo pra ir me ambientando com o lugar. Ah, e preciso ir à Cuba antes que aquilo acabe.

Acima de tudo, eu planejo voltar a alguns lugares que já visitei e que de alguma forma me marcaram. Um desses lugares muito especiais pra mim é Colónia del Sacramento, uma cidadezinha no Uruguai. Quem é do sul com certeza conhece e já foi lá. Eu ouvi falar de Colónia pela primeira vez lendo uma das muitas revistas de viagem que costumava comprar. É uma cidadezinha linda e charmosa, cheia de ruelinhas e casas antigas. É a única cidade da América hispânica colonizada por portugueses e fica na beira do rio da Prata. Existem muitas maneiras de se chegar lá. Eu fui de Buquebus, partindo de Buenos Aires. O Buquebus nada mais é que um catamarã bem grandão, do tipo desses que tem aqui na minha cidade e que fazem a travessia na baía – só que esses de lá são muito maiores. Dá pra você ir de carro da Argentina até o Uruguai de Buquebus. A viagem durou duas horas e meia (porque eu não fui no que era mais rápido e mais caro), mas eu curti tudo e achei bem divertido.

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O dia estava lindo e deu pra fazer fotos bem legais. Quando a gente desembarca em Colónia, o que se vê é uma cidade pequena e sem muito movimento. Eu cheguei lá sem reserva pra hotel ou pousada. Não consegui achar nenhum hotel que tivesse preço razoável e fotos na internet. Isso foi há quase quatro anos atrás, talvez hoje as coisas já estejam melhores. Então chegamos, tomamos um táxi e saímos fazendo uma busca pelas pousadas da cidade. Não foi muito difícil. Logo achamos um hotelzinho pequeno, limpo, agradável, uma graça. O quarto muito aconchegante e tranquilo e bem arrumadinho. E o preço era bem razoável. Isso é uma das vantagens do Uruguai. Lá você pode lugares legais pra ficar e pra comer sem ter que desembolsar uma fortuna.

Fomos almoçar e depois fazer um tour a pé pela cidade. Vimos várias coisas legais, mas estávamos bem cansados e logo voltamos para o hotel para dormir. Esse foi um erro estratégico – aliás, um dos que eu cometi nessa viagem. Antes de falar do restante da viagem, preciso dizer que nunca viajei de pacote turístico, pela simples razão de que eu mesma sou meu próprio agente de viagens. Quando quero ir para algum lugar, eu compro guia, leio o máximo que posso, fuço na internet, ligo pros hotéis, procuro fóruns de discussão, comunidades no Orkut, enfim: me viro. Nunca me arrependi, mas às vezes a gente comete uns erros de cálculo e Colônia foi um deles. Eu queria muito conhecer Montevidéo e planejei ficar apenas dois dias em Colônia e quatro na capital, mas cheguei à conclusão que deveria ter feito o contrário. Não que Montevidéo não tenha valido a pena. O Uruguai é um país pobre, mas cheio de beleza na sua decadência. Diria que eles têm uma dignidade que me conquistou. Porém, se tivesse sido mais sábia, teria ficado mais uns dois dias em Colônia e encurtado a estadia em Montevidéo. Pelo simples motivo de que aquela cidadezinha na beira do rio tem uma mágica inexplicável. E uma luz muito linda também, como eu pude ver nas fotos depois. Ah, e tem um cassino! Que eu nem pude visitar por falta de tempo…

No dia seguinte à nossa chegada andamos mais um pouco, mas foi o suficiente pra ver que não teríamos tempo de ver tudo e eu fiquei meio triste. Naquele momento decidi que voltaria à Colónia e que faria a maior propaganda do mundo daquela cidade que parece Paraty dublada em espanhol, hehehe. À tarde pegamos o ônibus em direção à capital, uma viagem super-tranquila ao som de Mercedes Sosa. Eu suspirando e olhando pra trás.

Enfim, essa será minha próxima viagem, com certeza. O roteiro já está traçado: Porto Alegre pra rever os amigos mais queridos do mundo, ônibus até Montevidéo (a viagem dura onze horas, o ônibus é ótimo e super-confortável e à noite dorme-se muito bem) e de lá até Colónia. Quem sabe até eu não atravesse o rio e faça uma outra visita à mi Buenos Aires querido.

Vejam as fotos e digam se eu não tenho razão de querer voltar lá:

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14 Comments

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14 responses to “Andarilha

  1. arthur

    Eu devo ser uma das poucas pessoas que conheço que não tem essa alma mochileira. Até custo para aceitar viajar, tudo bem que quase sempre acabo gostando hehehehe

    O local pareceu muito gostoso, e como já te ouço ansiando por voltar logo a lá, sei que quando retornar, irá te fazer muito bem.

  2. Juliana®

    muito aconchegante o lugar… apesar de fazer coro com o arthur sobre não ter alma mochileira eu colocaria Colónia no meu roteiro de viagem… 😉

    mas eu quero mesmo é ir pro rio…

    bjs

  3. Lia

    Minhas viagens também são nesse esquema de eu mesma montar um roteiro, na raça. Muitas vezes só monto quando já cheguei no aeroporto da cidade, hahaha! Tenho horror à excursões! De jeito nenhum viajo com uma.

  4. mari

    demorô! vamo marcar em Marrakesh? Avisa quando for que a gente se vê lá!!!!

  5. L.

    Ah, viajar…
    que saudade.
    Estamos loucos pra botar o pé na estrada.
    Se depois dessa função toda nos sobrar algum dinheiro, o que não parece provável, vamos viajar. Muito. Até ficarmos durangos de novo, e ricos de novas memórias.
    Eu já rodei bastante do cone sul, mas estranhamente nunca fui a Colónia nem a Bs As. Mas curti muito Montevidéo.
    Já coloquei na nossa lista de viagens.
    🙂
    Bjos,
    L.

  6. hum, eu faço coro com o Arthur, não tenho muito da alma andarilha, gosto dos meus cantos, mas geralmente eu gosto das viagens e já estou me acostumando a não ficar tão de birra.

    mas cidadezinhas assim não me atraem muito não, por mais bonitinhas que sejam, tem uma ar de cidade pra pegar e se mudar de uma vez, não só visitar.. talvez por sempre ter vivido em uma cidade pequenina perca parte do encanto turístico da coisa, afinal, o que atrai é o diferente não é?

  7. cris68

    ah, eu se pudesse botava o pé na estrada sempre. acho o melhor remédio pra tudo, ajuda a encarar a dureza do dia-a-dia com mais resignação. e é só a idéia de voltar a poder viajar que tem me segurado esses dias. os últimos dias de 2008. que esse ano acabe logo, gente. [mas isso é assunto pra outro post]

    bjs

  8. cris68

    you bet…

    🙂

  9. Taís

    Sim, Cris, vc tem razão de querer voltar lá. A cidade é linda, deu pra ver pelas fotos. Agora, antes de ir para POA, vc bem que poderia dar uma passadinha aqui em São Paulo, né?
    Beijão!

  10. Pingback: Zicada (mas nem tanto) « Quitanda

  11. Su

    Nossa, que roteirinho bacana! Adorei, e imagino (pelas fotos, especialmente) porque tenhas gostado de lá… também quero!

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