Monthly Archives: December 2008

Quase novo

Sentei aqui no computador com a intenção de escrever algo inspirado, nesse que será o último post do ano. Na verdade, escrever para mim mesma, como um registro de memória, pra não esquecer mais tarde.  O problema é que me bateu uma preguiça monstruosa e eu nem sei se vou conseguir. Além disso, minhas costas doem, talvez como resultado das duas últimas noites bem mal-dormidas.

Na verdade, eu nem gosto de reveillon, nunca gostei. Deve ser porque a gente faz todo um ritual de passagem sabendo que amanhã estará tudo igualzinho. Eu não vejo muito propósito. Porém, ainda que não goste muito, eu me esforço pra fazer alguma coisa. Na verdade, meus ímpetos festeiros diminuíram muito de uns tempos pra cá. Eu já gostei muito de festa, de gente, de aglomeração. Continuo gostando de festa e de gente, desde que seja em proporções bem menores.

Mas, pois, ano novo é época de se fazer balanço. De contar as perdas e ganhos. Nesse quesito, eu acho que tenho muito a contabilizar. Para mim, 2008 encerra um ciclo que começou há uns dois anos atrás. Um ciclo que eu chamo de ‘sair da casca’.  A imagem é bem desgastada, mas é como se eu tivessejogado fora um corpo velho. Com tudo aquilo que ele carregava. Isso ficou bem claro para mim ano passado, quando fiquei doente de verdade. Se tudo aquilo foi gerado pela minha mente, então eu devo uma mente muito poderosa. As feridas foram dolorosas e eu só sarei depois de prestar cuidadosa atenção a elas.

2008 foi o ano em que eu me separei pela segunda vez, numa separação bem triste e adiada infinitamente. É preciso ter coragem para se reconhecer um erro, e eu acho que tive. Depois disso houve muitos reveses, infinitos problemas práticos a serem resolvidos. Por conta disso tudo, eu meio que ‘abandonei’ a minha tese de doutorado em meados de abril. Não havia como uma pessoa normal dar conta de tanta coisa que acontecia ao mesmo tempo. No entanto, eu não me arrependo de nada. Fiz o que precisava ser feito. Canalizei todas as minhas energias para as questões mais imediatas que gritavam por soluções e acho que dei conta de boa parte delas.

Pela primeira vez em muito tempo – depois de emendar quase 15 anos vivendo casada, em dois casamento diferentes – estou vivendo sozinha com meu filho. Agora somos nós dois pra dar conta de tudo e tem sido muito bom. Mudei para um lugar só meu, que eu arrumei segundo o meu gosto (e isso para mim tem uma relevância enorme). Joguei muita coisa fora, me livrei de excessos, me organizei, consegui arrumar os espaços de modo a me dar uma sensação de tranquilidade – e isso pra mim não é pouca coisa.

Profissionalmente, foi o ano em que eu me convenci de que tinha de conseguir algo estável, pois isso era de vital importância para mim. Apesar de entender quem tem essa opção, eu nunca conseguiria viver só de frilas, ou de trabalhar por conta própria. Depois que se tem um filho – e quando se é a única responsável por ele – a gente começa a ter mais medos e inseguranças. Eu me joguei de cabeça nessa empreitada e terminei o ano empregada do jeito que queria. Não acho que será a redenção dos meus problemas, mas tenho certeza de que estarei mais tranquila daqui por diante.

Fiz amigos esse ano que – tenho certeza – levarei pelo resto da minha vida. Pessoas lindas e fantásticas, que eu aprendi a amar incondicionalmente. Que me deram apoio e carinho e estiveram por perto sempre que precisei. Espero poder estar mais perto deles ano que vem. Também me aproximei de uma pessoa – um homem – que tem deixado meus dias mais felizes. Eu nem esperava que fosse assim no início – pensei que eu seria apenas uma aventura leve na vida dele e ele na minha. Hoje, cinco meses depois, eu vejo quão pouco controle a gente tem sobre essas coisas. Como sentimentos fortes e arrebatadores vicejam em terrenos às vezes não tão propícios. Por empenho dele, voltei a fazer análise e acho que definitivamente consegui entender o que vem a ser um trabalho analítico. Terminei o ano cheia de questões, mas imensamente feliz por ter um mundo de expectativas pela frente. Um mundo que eu espero conquistar.

Então, como é de praxe, eu desejo que ano que vem eu consiga resolver os pepinos que ainda estão por serem resolvidos. Duas coisas são de extrema urgência: terminar de escrever a tese e resolver minhas pendências financeiras. A primeira virá mais rapidamente; para a segunda, eu preciso de ter mais paciência, afinal, li em algum lugar que não se pode esperar reolver em um mês um problema que levou um enorme tempo para ser criado.

Desejo também a todos os meus amigos, que são os principais leitores dessas coisinhas que escrevo, um ano tranquilo. Que vocês sejam fortes pra encarar os desafios e sigam lutando para conquistar o que querem. Por fim, acho que não há mensagem de final de ano melhor do que aquela que me enviou minha amiga Mariana, que mora em Londres e vai passar o reveillón lá.  No ano que se inicia, eu espero principalmente uma coisa: que eu e vocês tenhamos a quem amar. E isso já vai me deixar bem feliz. Feliz em 2009.

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Conceitos

Saudade:  s.f.  sentimento que acomete as pessoas quando distantes umas das outras. De difícil definição. Sintomas difusos. Pode ser despertado por mensagens assim:

“Adoro ver você rindo, de olhinho apertado. Bjs, meu amor.”

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Então é isso, não?

É Natal. A data que todos amam odiar. Mesmo não aparecendo ninguém pra ler esse post hoje me deu vontade de escrever. Pra dizer a vocês que eu sou libriana e librianos adoram festa. Portanto, vou discordar da maioria e dizer: não tenho nada contra.

Aqui a coisa não vai ser muito diferente dos outros dias do ano e, talvez por isso mesmo, o Natal não me pareça tão ruim. Não tem aquela obrigação de sermos mais felizes ou amorosos do que o normal, porque vamos fazer algo que já fazemos com frequência, talvez apenas com um pouco mais de comida.

É assim. Eu tenho um núcleo familiar pequeno. Meus pais moram cinco andares abaixo do meu apartamento e meu irmão mais novo e minha cunhada, a umas duas quadras de distância (minha irmã Dedéia mora em Brasília e meu irmão mais velho é o esquisito da família). Quando minha mãe não está no sítio recolhendo os sapos que caem na piscina, sempre nos reunimos na casa dela nos finais de semana. Para almoço, lanche, jogar baralho, assistir Faustão (e reclamar da baixa qualidade da TV aberta) e discutir de vez em quando. É uma família barulhenta e animada e eu não vou ficar fingindo que não gosto disso, porque é mentira. Eu gosto sim. Sinto falta quando meus pais viajam e eu fico aqui sozinha com o Gui.

Portanto, hoje, véspera de Natal, teremos um pouco mais disso aí que já faz parte de nossas vidas. Teremos um jantar, umas duas ou três sobremesas, vamos abrir muitos presentes e nos abraçar. Pra mim Natal é isso. Como não sou religiosa, esse é um momento de amor, de gentileza, de companheirismo. Nada mais. É uma data para estreitar laços e renovar afetos.

Mesmo com a falta de grana que me assola e deixa meu cheque especial quase que no osso, comprei presentes pra família, pro Gui e pro namô. E também para alguns amigos que são muito, muito especiais. Fiz isso porque tenho certeza de que o próximo ano será melhor e que meus problemas financeiros serão sanados – pelo menos em parte.

Talvez daqui a doze meses eu esteja aqui escrevendo essas mesmas coisas. Natal me dá essa impressão de eterno retorno, de que tudo se repete. Mas eu acho que a idéia é essa mesmo. Esquecer um pouco da aridez dos dias. De como a humanidade é super mal-acabada. E celebrar o fato de que estamos juntos acima de tudo. Contra todo o pessimismo que nos assola. É isso.

Feliz Natal!

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A formatura

*Musiquinha do Rocky Balboa ao fundo…

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Yes, nós vencemos. Olha aí minha cara de mãe de um futuro economista. Claro que Murphy compareceu ao evento com força total. As pilhas da máquina acabaram depois da…adivinhem? Segunda foto. Isso. Que sorte, não? Desliguei a câmera rapidinho e consegui tirar mais umas três. Cinco fotos. No dia mais especial do ano. (Sem contar que a dita cuja – a câmera –  estava desregulada e bateu tudo em velocidade baixa, borrando 50 % das fotos. Sem deixar de mencionar também o fato de que, que nessa foto aí, a incrível habilidade da minha cunhada deixou tudo tremido.) Bem, coisas da vida. Daqui a quatro anos tem mais e eu prometo me organizar melhor.

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A foto com o vestido verde-limão é pra Tina conferir. Olha que chique, amiga.  Vai dizer que depois de olhar pra mim nessa roupitcha tu não tem vontade de sair correndo e pedir uma caipirinha de lima da pérsia, hein?

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Copy cat

Pessoas, meu roteador foi pro ca…* , ops! Espaço. Pouco mais de um mês de uso e o valoroso equipamento de última geração resolve me sacanear às vésperas do Natal, quando nenhuma assistência técnica funciona. Murphy loves me? You bet.

Dimodos que agora eu tenho que subornar meu filho – de preferência com hambúrgueres – para que ele me deixe usar o seu computador por mísera meia hora/dia.  Como isso não dá pra quase nada, resolvi roubar uma listinha (eu adoro listas e acabei de comprar um livro do Nick Hornby) da Carrie e postar aqui. Fácil, rápido e certeiro. É o post pret-a-porter.

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1. Que horas você acordou hoje

Nove e cinquenta e sete da manhã.

2. Diamantes ou pérolas?

Cuma? Serve bijuteria?

3. Qual foi o último filme que viu no cinema?

Vicky Cristina Barcelona. Adorei. Veria de novo, com certeza.

4. O que normalmente come no café da manhã?

Café com leite adoçado com açúcar light, pão de forma integral ou branco com margarina (não gosto muito de manteiga, só manteiga Aviação) e uma fatia de queijo branco ou presunto.

5. Qual é o seu nome do meio?

Nome de portuga: Pereira

6. Qual comida você não gosta?

Jiló, maxixe e nenhuma comida que leve sangue na receita.

7. No momento, qual é o seu CD preferido?

The Libertines (esse é o nome do CD)

8. Que tipo de carro dirige?

Dirigir? Eu?

9. Sanduíche preferido?

Cachorro-quente de rua e o hambúrguer que eu faço pra subornar o Guilherme.

10. Que característica despreza?

Usar bajulação pra conseguir favores.

11. Roupas preferidas?

Vestidos fresquinhos e fofos. Coisas que tenham laços. Sapatilhas. E o bom e velho trio jeans,  camiseta e All Star.

12. Se pudesse ir pra qualquer lugar do mundo de férias, para onde você iria?

Pra Turquia.

13. Marca preferida?

De quê?? Tem várias. Resumindo. Eu gosto das bolsas da Uncle K, dos sapatos da New Order, das camisetas da Zara e dos vestidos da Enjoy.

14. Onde gostaria de se aposentar?

Eu achei essa pergunta estranha. Não entendi.

15. Qual foi o seu aniversário recente mais memorável?

Foi o de 40 anos. Tinha 40 convidados, um bolo da Hello Kitty, velinha da Hello Kitty, vários docinhos que eu mandei fazer. Eu ganhei presentes fofos, entre eles uma boneca (!!!).

16. Esporte preferido pra assistir?

Boxe.

17. Quando é o seu aniversário?

5 de outubro. Libriana com ascendente em aquário.

18.Você é uma morning person ou uma night person?

Night person. Pena que eu SEMPRE tenho que trabalhar cedo. Não sei quem foi o gênio que resolveu inventar que aulas devem começar às sete da manhã.

19. Quanto calça?

38, 39. Depende do sapato.

20. Animais de estimação?

Cachorro e gato, no momento. Fêmeas. Mas já tive peixe e tartaruga também. E queria ter um coelho japonês. Adoro coelhos, mas tenho medo que eles rersolvam comer os meus tapetes e sofás.

21. Alguma novidade que gostaria de compartilhar?

Tomo posse no meu cargo dia 29.

22. O que você dizia que queria ser, quando criança?

Médica. Depois quis ser professora. Muito mais tarde dizia que seria arquiteta.

23. Como você está hoje?

Cansada, feliz e orgulhosa do speech que meu filho fez de improviso na festinha de formatura dele.

24. Qual é o seu doce preferido?

Os gelados. Pavê de chocolate e um doce de nozes, amêndoas e chocolate que eu faço e que dá vontade de comer de joelhos de tão bom que é.

25. Qual é a sua flor preferida?

Gérberas vermelhas.

26. Por qual dia do calendário você está esperando ansiosamente?

O dia em que eu colocar o ponto final na minha tese de doutorado.

27. Qual é o seu nome completo?

Isso é classified information, hehe.

28. O que você está escutando agora?

O barulho de uma moto passando lá longe na rua.

29. Qual foi a última coisa que você comeu?

Biscoitos recheados de limão da P*iraquê.

30. Você faz pedido pra estrelas?

Não, nunca.

31. Se você fosse um lápis de cor, que cor seria?

Azul-piscina.

32. Como está o tempo agora?

Fresco, meio chuvoso.

33. Última pessoa com quem você falou no telefone?

Meu amorzinho. Que está em Recife.

34. Refrigerante preferido?

Coca light lemon com gelo.

35. Restaurante preferido?

Tem muitos. Aqui em Niterói eu gosto do Paludo Gourmet e da Trattoria Torna.

36. Qual era o seu brinquedo preferido quando criança?

Brinquedos pequenos, bonequinhos, bloquinhos de montar. Qualquer coisa que me permitisse inventar historinhas.

37. Inverno ou verão?

Depende. Como no Rio o verão na verdade é a estação das chuvas, eu prefiro o inverno.

38. Beijos ou abraços?

Depende do objetivo. Se for pra começar algo mais quente, claro que eu prefiro beijo.

39. Chocolate ou Baunilha?

Os dois misturados.

40. Café ou chá?

Sou louca por café, mas em alguns momentos nada como um chá pra relaxar.

41. O que tem debaixo da sua cama?

Três caminhas de cachorro. Todas ocupadas intercaladamente pela Samara.

42. O que você fez na noite passada?

Vi TV com o Gui e conversei com o namô no MSN até as duas da manhã.

43. Do que você tem medo?

Em primeiro lugar, de perder o meu filho. Não há nada que me apavore mais. Depois, de perder meus pais, de ficar sem emprego e de ter uma doença incurável.

44. Salgado ou doce?

Doce, com certeza. Eu sou do tipo que come a sobremesa primeiro pra não correr o risco de não ter lugar pra ela depois do almoço.

45. Quantas chaves tem no seu chaveiro?

Putz, muitas. E a maioria eu nem sei pra que serve.

46. Há quanto tempo você está no seu atual emprego?

Um ano e meio.

47. Dia preferido da semana?

Sábado à tarde.

48. Em quantos lugares você já morou?

Quando era pequena em incontáveis lugares. Meus pais eram como ciganos. Depois de grande morei em três cidades e sete casas diferentes.

49. Você faz amigos facilmente?

Sim, muita. Antigamente eu era bem tímida, mas hoje em dia isso não existe mais. Eu sou reservada apenas no começo.

50. Gostaria que alguém respondesse esse questionário?

Sim. Quem gostar de roubar questionários. Como eu.

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Tempo, tempo, tempo

É sempre assim. Quando o trabalho aperta (quase sempre) e eu não sei o que fazer pra dar conta de tudo, a vontade é de sentar e chorar. E amaldiçoar a falta dele, por não saber como sair do rodamoinho. Quando, como por encanto, tudo acaba (porque as provas um dia se cansam de dar filhotes), eu o tenho de sobra e, de igual maneira, não sei o que fazer com ele. Aí eu ando pela casa, procuro sujeirinhas no espelho e invento necessidades que não existem. Hoje foi um mural de fotos que eu achei de pregar no corredor que vai da sala aos quartos. Passei boa parte da tarde envolvida com isso. Claro que o excesso de tempo também ajuda a fermentar pensamentos que, de outro modo, eu nem saberia que existem.

Primeiro foi o post dele falando de depressão. Um texto que eu não sei nem adjetivar. Só sei que gostei muito porque me provocou. E eu achei bonito, delicado e irônico ao mesmo tempo. O post dele e as fotos que eu escolhi pro mural me fizeram voltar alguns anos atrás. Quando eu vivia depressivinha e achava que não sabia nada de nada. Bom, não que eu saiba muita coisa hoje em dia, mas já consegui evoluir um pouquinho. Descobri que o que há pra ser aprendido, na maioria das vezes, é que as margens das coisas são meio borradas mesmo. Os conceitos, em sua grande maioria. Os seus limites. Eu tento definir, mas não consigo. Porque a natureza dos objetos e das pessoas me escapa.

Algo que eu acho que nunca vou entender direito é essa questão do gostar de alguém. Eu sei que pra filho, mãe e pai a gente aprende a dizer ‘eu te amo’ desde cedo e isso nunca parece estar errado ou fora de lugar. Com outras pessoas eu já não sei. Tenho amigos para quem eu digo ‘eu te amo’ e isso me parece a coisa mais natural a se dizer. Mas eu não entendo quando nem como isso começa. Só sei que de repente a gente fala e pronto. O outro repete e tudo está bem. Temos laços agora. E quando não se é só amigo, tem regra de etiqueta pro gostar? Quantos meses, anos deve-se passar até que se possa dizer o que se tem vontade? Tem limite de tempo pra se dizer ‘eu te adoro’, ‘você é importante pra mim’, ‘eu te amo’? Corre-se o risco de ser leviano, dirão alguns. Ou precipitado, dirão outros. Só o tempo vai dizer. Porque com o tempo, virão as crises, os probleminhas, as situações-limite. Momentos em que você poderia pular fora rapidinho, se esquivar, dar uma de ‘joão-sem-braço’ e alegar que você não está preparado para aquilo. Que precisa de um tempo pra você. Mas se, pelo contrário, a vontade de ir embora lhe falta e você quer mais é ficar – com ou sem problemas – aí, penso eu, o estrago já estará feito. Ainda que não diga nada, o simples ‘você é importante pra mim’  já não dá conta de definir o que se tem. Existe algo mais forte ali que muitas vezes o pudor impede que seja mencionado.

Dizem os meus amigos que eu sou muito atirada. Que vou com muita intensidade às coisas e às pessoas e que por isso me machuco. Eu simplesmente não consigo imaginar um mundo sem paixão. Esse vai me parecer sempre um mundo governado por robôs. O tempo, contudo, me educou e – por questões até de etiqueta – eu evito expressar um entusiasmo muito grande a respeito das coisas. A gente vive num tempo em que ser blasé é super cool. Então, por ignorar como esses processos funcionam – esses gatilhos do gostar e ser gostado – eu me retraio. Aprendi que menos é mais.

Eu comecei esse texto de um jeito e agora não sei como terminá-lo. Talvez um dia o tempo me ensine a não divagar tanto. A manter o foco e andar em linha reta.

Eita começo bom de férias.

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Acompanhe as novelas

*Da fono: fui lá na quinta-feira. Muito simpática, me atendeu na hora, cobrou um preço justo e me fez uma avaliação minuciosa. Resultado: apesar de me dar um laudo favorável (e me dizer que estava colocando a cara ‘ a tapa’), terei que fazer uma espécie de ‘re-educação’ ano que vem. Porque ela detectou que eu não sei coordenadar minha fala junto com a respiração. Eu uso o ar até o final, sem muito critério e, no final das contas, isso me cansa e prejudica a minha performance numa aula ou palestra, por exemplo. Já teve casos como de uma vez num congresso, eu apresentado um paper, nervosa que só, comecei a ler rápido, mas tão rápido, que o simpático senhor sentado na primeira fila me interrompeu educadamente e me pediu que recomeçasse, com mais calma. Depois vim a saber que o tal senhorzinho era professor adjunto do departamento de antropologia de uma das federais aqui do Rio. E tava interessado no meu trabalho!! Ainda bem que só soube depois que acabou. Do contrário, juro, eu não ia nem ter ar pra falar nada. Outra coisa que eu descobri é que a razão dos meus engasgos frequentes é essa minha falta de coordenção (eu engasgo com o ar, com minha saliva, com tudo. Imaginem). Então, projeto para 2009: fazer fono, uma vez por semana, primeiro com a autorização do plano (que permite o incrível número de 8 – isso mesmo OITO – sessões POR ANO!) e depois pagando.

*Do dente: fui à dentista no sábado. Dentista particular. Super bem-recomendada. Cheguei incrivelmente no horário. Ela me deixou de castigo na recepção por UMA hora. De cara, tive medo da dita cuja. Loira falsa, um cabelo manchado, maltratado, uma cara de poucos amigos. Pensei, ‘Caraleo, se eu começar a chorar de dor essa dona vai me dar uns foras. E aí eu vou chorar mais. Ai de mim…’

Quando ela me chamou e eu entrei no consultório propriamente dito gostei logo do que vi: uma penca de diplomas na parede. Tudo de universidades sérias, algumas do exterior. Podem me chamar de boba, mas pra mim isso ainda conta muito. Formação. Sentei na cadeira, ela foi delicada, mas precisa, mexeu, deu anestesia, futucou. Não me deixou sentir dor nem um minuto. Teve paciência, me explicou tudo o que estava rolando. Me cobrou o que eu já esperava, parcelou em duas vezes. Agora só a verei em janeiro. Mas o que ela fez já garante que não vou sentir dor. O único ‘porém’? Vou tomar mais antibiótico. E mais forte, porque, segundo ela, ainda existe um resquício de infecção. Então meu pedido de Natal pro papi (não o Noel; o meu mesmo) vai ser uma caixa de amoxilina com clavulanato de potássio. R$ 80,00 pilas. Tomanocu.

*Do vestibular do guri: domingo ele fez as últimas discursivas. Tava com medo porque, afinal, era matemática e era a universidade (e o curso) que ele realmente quer. À tarde ele me liga  e me diz que foi tudo bem. Gabarito conferido, achamos que ele tem chances, sim! Resultado: ano que vem serei mãe de um calouro. Vou ficar insuportável (algumas pessoas dirão que eu JÁ sou insuportável). Pois. Vou ficar MAIS insuportável, então. Yeah.

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