Shortbus

No meu aniversário esse ano, em outubro, eu não quis fazer nada de festa. Por falta de grana, mas principalmente de vontade. No lugar de agito, combinei de ir ao cinema com um amigo, meu irmão e minha cunhada pra ver um filme do festival de cinema do Rio. Um filme que eu achava que não teria público pra lotar a sala do Estação Botafogo, já que era algo bem específico, que só interessaria a alguns poucos. Qual não foi minha surpresa ao chegar lá e ver que os ingressos haviam se esgotado (inclusive para a sessão noturna, que aconteceria lá pelas onze da noite). Quase sentei no meio-fio e me debulhei em lágrimas (sessão draminha). Era um filme que eu queria ver muito e que não existe em locadoras. Pelo jeito, vai ficar para a próxima encarnação. Meu amigo, entretanto, que havia chegado cedo (pois ele não é atrasildo feito eu…), conseguiu vê-lo. E como ambos nos esquecemos de anotar os celulares um do outro em nossas agendas, nos desencontramos. O detalhe engraçado é que desde esse dia tentamos sem successo nos encontrar pra que ele possa me entregar meu presente de aniversário…

Bem, a historinha foi só uma introdução para dizer que, na falta do Wittgenstein de Derek Jarman, acabei no Unibanco Artplex na praia de Botafogo para ver Shortbus. Um filme sobre o qual eu já tinha ouvido falar e sobre o qual havia lido uma breve resenha. Pausa pra explicação: eu nunca vejo filmes sem me informar minimamente sobre o que se trata e sem ao menos ler um resumo. Achei a idéia do diretor interessante, filmar cenas de sexo reais, com atores desconhecidos – alguns amadores – sem ser, no entanto, um filme pornográfico. O fime, na verdade, não é sobre sexo, mas sobre sexualidade, e o nome escolhido pelo diretor para a película vem do clube novaiorquino onde se passa boa parte da ação. Um lugar onde as pessoas dos mais variados tipos vão para beber, conversar e trepar – se divertir, enfim. As figuras que por lá desfilam vão desde a terapeuta sexual que não consegue ter orgasmo, passando pelo casal gay perfeitinho que quer abrir a relação, até a dominatrix que não consegue estabelecer laços afetivos.

Em primeiro lugar, é difícil rotular Shortbus e atrelá-lo a um determinado gênero. O filme tem pitadas de comédia e de drama. Emociona, ao mesmo tempo que diverte. Tem sacações ótimas, mas algumas coisas no roteiro me pareceram meio inverossímeis e por vezes as cenas ficam meio arrastadas. Tirando isso, achei o filme acima da média e, ainda que algumas discussões levantadas por ele fiquem apenas na superfície, o filme agrada no todo e convida a gente a refletir sobre o amor, o prazer e o desejo.

Detalhe interessante e bizarro acontecido na sessão onde eu estava. Começa o filme e, mas passados cinco minutos do início, uma sequência onde aparecem um casal trepando e um pênis ereto seguido de masturbação, alguém se levanta da platéia e começa a berrar indignado (era um homem): ‘Onde já se viu, isso é um absurdo.’ Gente, isso numa sessão num cinema considerado de alto nível, na zona sul carioca.

Esse fato é algo tão patético e desconcertante pra mim que reduz a zero as chances de eu conseguir terminar esse post de maneira decente. ‘Decente’  no sentido de criativo, engraçadinho, etc. Ah, vocês entenderam.

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6 Comments

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6 responses to “Shortbus

  1. Sem querer, você terminou o seu post de forma bastante “decente”.

    Já vi Shortbus, achei interessante. O Wittgenstein você encontra no eMule, mas com poucas fontes (ou seja, vai demorar alguns dias para baixar tudo).

  2. A cena do hino é de uma perversão magnífica. O sujeito ficou na sala até essa cena? 😉

  3. marcus, acabei achando o wittgenstein no google vídeos. emule eu não tenho e com essa minha internet vai ser difícil baixar. quando a velox for instalada de novo (deve ser essa semana), eu vou pedir ao gui que baixe pra mim.

    érika, o cara simplesmente fez esse discurso patético, levantou-se e saiu. um ridículo, ele.

    bjs

  4. eu quero assistir esse filme…. eu quero!!!
    beijos

  5. hum.. já vi também esse filme um dia desses…
    bastante bizarro, certamente, como na cena do cara fazendo yoga. O filme não leva as discussões a fundo, mas mostra um monte de coisas, abre o leque das possibilidades da sexualidade, e certamente pra quem não tem a “cabeça aberta” vai ter esse tipo de reação…

  6. arthur

    Uma hora baixo e vejo esse filme.

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