Quase novo

Sentei aqui no computador com a intenção de escrever algo inspirado, nesse que será o último post do ano. Na verdade, escrever para mim mesma, como um registro de memória, pra não esquecer mais tarde.  O problema é que me bateu uma preguiça monstruosa e eu nem sei se vou conseguir. Além disso, minhas costas doem, talvez como resultado das duas últimas noites bem mal-dormidas.

Na verdade, eu nem gosto de reveillon, nunca gostei. Deve ser porque a gente faz todo um ritual de passagem sabendo que amanhã estará tudo igualzinho. Eu não vejo muito propósito. Porém, ainda que não goste muito, eu me esforço pra fazer alguma coisa. Na verdade, meus ímpetos festeiros diminuíram muito de uns tempos pra cá. Eu já gostei muito de festa, de gente, de aglomeração. Continuo gostando de festa e de gente, desde que seja em proporções bem menores.

Mas, pois, ano novo é época de se fazer balanço. De contar as perdas e ganhos. Nesse quesito, eu acho que tenho muito a contabilizar. Para mim, 2008 encerra um ciclo que começou há uns dois anos atrás. Um ciclo que eu chamo de ‘sair da casca’.  A imagem é bem desgastada, mas é como se eu tivessejogado fora um corpo velho. Com tudo aquilo que ele carregava. Isso ficou bem claro para mim ano passado, quando fiquei doente de verdade. Se tudo aquilo foi gerado pela minha mente, então eu devo uma mente muito poderosa. As feridas foram dolorosas e eu só sarei depois de prestar cuidadosa atenção a elas.

2008 foi o ano em que eu me separei pela segunda vez, numa separação bem triste e adiada infinitamente. É preciso ter coragem para se reconhecer um erro, e eu acho que tive. Depois disso houve muitos reveses, infinitos problemas práticos a serem resolvidos. Por conta disso tudo, eu meio que ‘abandonei’ a minha tese de doutorado em meados de abril. Não havia como uma pessoa normal dar conta de tanta coisa que acontecia ao mesmo tempo. No entanto, eu não me arrependo de nada. Fiz o que precisava ser feito. Canalizei todas as minhas energias para as questões mais imediatas que gritavam por soluções e acho que dei conta de boa parte delas.

Pela primeira vez em muito tempo – depois de emendar quase 15 anos vivendo casada, em dois casamento diferentes – estou vivendo sozinha com meu filho. Agora somos nós dois pra dar conta de tudo e tem sido muito bom. Mudei para um lugar só meu, que eu arrumei segundo o meu gosto (e isso para mim tem uma relevância enorme). Joguei muita coisa fora, me livrei de excessos, me organizei, consegui arrumar os espaços de modo a me dar uma sensação de tranquilidade – e isso pra mim não é pouca coisa.

Profissionalmente, foi o ano em que eu me convenci de que tinha de conseguir algo estável, pois isso era de vital importância para mim. Apesar de entender quem tem essa opção, eu nunca conseguiria viver só de frilas, ou de trabalhar por conta própria. Depois que se tem um filho – e quando se é a única responsável por ele – a gente começa a ter mais medos e inseguranças. Eu me joguei de cabeça nessa empreitada e terminei o ano empregada do jeito que queria. Não acho que será a redenção dos meus problemas, mas tenho certeza de que estarei mais tranquila daqui por diante.

Fiz amigos esse ano que – tenho certeza – levarei pelo resto da minha vida. Pessoas lindas e fantásticas, que eu aprendi a amar incondicionalmente. Que me deram apoio e carinho e estiveram por perto sempre que precisei. Espero poder estar mais perto deles ano que vem. Também me aproximei de uma pessoa – um homem – que tem deixado meus dias mais felizes. Eu nem esperava que fosse assim no início – pensei que eu seria apenas uma aventura leve na vida dele e ele na minha. Hoje, cinco meses depois, eu vejo quão pouco controle a gente tem sobre essas coisas. Como sentimentos fortes e arrebatadores vicejam em terrenos às vezes não tão propícios. Por empenho dele, voltei a fazer análise e acho que definitivamente consegui entender o que vem a ser um trabalho analítico. Terminei o ano cheia de questões, mas imensamente feliz por ter um mundo de expectativas pela frente. Um mundo que eu espero conquistar.

Então, como é de praxe, eu desejo que ano que vem eu consiga resolver os pepinos que ainda estão por serem resolvidos. Duas coisas são de extrema urgência: terminar de escrever a tese e resolver minhas pendências financeiras. A primeira virá mais rapidamente; para a segunda, eu preciso de ter mais paciência, afinal, li em algum lugar que não se pode esperar reolver em um mês um problema que levou um enorme tempo para ser criado.

Desejo também a todos os meus amigos, que são os principais leitores dessas coisinhas que escrevo, um ano tranquilo. Que vocês sejam fortes pra encarar os desafios e sigam lutando para conquistar o que querem. Por fim, acho que não há mensagem de final de ano melhor do que aquela que me enviou minha amiga Mariana, que mora em Londres e vai passar o reveillón lá.  No ano que se inicia, eu espero principalmente uma coisa: que eu e vocês tenhamos a quem amar. E isso já vai me deixar bem feliz. Feliz em 2009.

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14 Comments

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14 responses to “Quase novo

  1. arthur

    Também já fiz o meu balanço esse ano e foi bem positivo, tanto que gostaria de poder pegar um pouco do meu saldo de felicidade e dar para algumas pessoas :).

    Feliz ano novo.

  2. acho que com perdas e ganhos, o meu também foi bom, thur. sim, feliz ano novo para nós! bjs

  3. Lazaro

    Fiquei com uma dúvida…

    O ciclo ao qual você se refere, é o ciclo menstrual?

  4. nossa, lazaro, e você chegou a essa conclusão sozinho? que gênio, você! adivinhou de cara que eu tava falando de ciclo mesntrual, nossa…

  5. PD

    Moça, fico aqui torcendo por você.
    Para quem começou o post com preguiça de escrever, você é exemplo raro de superação.
    Beijo!

  6. Lazaro

    É que eu tava com um pouco de dúvida, pois acreditava que na sua idade as mulheres não menstruavam mais…

  7. e eu achava que idiotas como você não pensavam. agora, por favor, vai procurar a sua turma.

  8. quer dizer que vc estah aqui agora, eh? eu estava há muito tempo sem bloggar. tem um bocado de tempo q n te vejo tb. parabens pelo concurso. bjo.

  9. mari

    oh, obrigada pela referência. Ser citada no seu blog pra mim é motivo de tirar onda nas próximas semanas. Falta pouquinho pra eu chegar aí. Vamos correr os 40 min 3x na semana juntas? beijosssss

  10. rakelita, você por aqui! olha, se eu tivesse um bebê de dois anos, eu não teria tempo nem pra comer. e você tá linda, maravilhosa e poderosa!

    marizinha, demorou! vamos correr muito sim. morrendo de saudades. bjs

  11. Lia

    TUDO DE BOM E DE MELHOR PRA VC NO NOVO ANO, MESMO VC NÃO ACREDITANDO EM BOAS VIBRAÇÕES DE REVEIÔM! 😀

  12. Lia

    Sr Lázaro, parece-me que o senhor é deveras desprovido de muita sagacidade.
    O texto da Cris nem sequer dá margem pra se pensar em ciclo de menstruação, o que significa que V. Sa. forçou a mão na piada muito desesperadamente, coisa de gente meio burrinha… ou que está louca pra aparecer.
    O que será? O senhor é burro que quer chamar a atenção da Cris? No caso da segunda opção, por que? O senhor quis catá-la mas ela disse que não rolava pq o senhor é muito imaturo? Foi isso que ensejou a má piadinha? É o que me parece.. Cuidado, hein?
    Vamos ao segundo ponto: há algum problema em não menstruar mais? Eu francamente vejo nisso solução e não problema, mas creio que o senhor, mestre em cometer equívocos, tenha confundido transformação com obsolescência, né?
    Conselho: vá a um psicólogo pra se resolver, mas consulte um dicionário antes e depois pra evitar prováveis enganos quanto ao que o profissional for falar.

  13. hahahahahaha, lia, minha linda, nem sei se o lázaro tem vocabulário suficiente pra entender as coisas que você falou. eu fico impressionada como os homens – alguns homens – encastelados no seu machismo, podem achar que citar a idade de uma mulher é motivo suficiente para ofendê-la. eu ainda vou escrever sobre isso. quer dizer que se eu tivesse 50 anos e não menstruasse mais poderia me considerar um cacareco velho, né? repare que ele poderia ter usado qualquer coisa pra me cutucar, mas achou que idade era de bom tamanho. uma pena que o mundo ainda esteja infestado de idiotas assim. bjs, li. te amo!

  14. Lia

    Isso se o Sr. Lazaro for de fato um H e não uma M, o que não lhe melhora em nada a situação, né? Vc conhece esse pobre diabo que vai morrer cedo? (Porque se ele tem tanto nojinho de velho, melhor dar um tiro na cabeça quando cinqüentar, né?!)

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