Monthly Archives: January 2009

Das dores de amor

E a música emblema de todas elas:

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É inevitável. A pessoa perde o sono às 4 da manhã e fica na internet postando m*. Uó.

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Essa é uma das músicas mais-mais da vida de Cristiane C., mas me recuso a entrar nesse mérito. Hora de ir liberar endorfinas na praia. Tchau pra quem fica (quem fica dormindo, que vocês não são bobos nem nada, né?)

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Da Certeza

(Continuando com o projeto de espantar visitantes do blog, mais um da série de posts filosóficos dessa quitanda que já foi publicado no Eu profundo)

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” 340. Sabemos, com a mesma certeza (…), como se pronunciam as letras A e B, como se chama a cor do sangue humano, que outros seres humanos têm sangue e chamam a isso ‘sangue’.

341. Isto é, as perguntas que formulamos e as nossas dúvidas dependem do fato de certas proposições estarem isentas de dúvida serem como que dobradiças em volta das quais as dúvidas giram.

342. Isto é, pertence à lógica das nossas investigações científicas que certas coisas de fato não sejam postas em dúvida.

343 Mas a situação não se assemelha a isto: Não podemos investigar tudo e por isso somos forçados a contentar-nos com suposições. Se queremos que a porta se abra, é preciso que as dobradiças lá estejam.

344. A minha vida consiste em eu contentar-me com aceitar algumas coisas.”

Ludwig Wittgenstein, Da Certeza

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Então é isso: a dúvida precisa ter um fim, se queremos ter a possibilidade de acreditar em algumas coisas.

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Da Certeza” foi o último livro escrito por Wittgenstein. Parece-me que os sete últimos aforismos foram escritos apenas dois dias antes da sua morte. Eu li muito pouco sobre o livro pra ser capaz de dizer qualquer coisa profunda sobre ele, mas vou tentar expressar the crust of the crust das coisas que entendi.

De maneira geral, a obra é uma resposta de Wittgenstein à questão do relativismo e do ceticismo. São essas visões que ele pretende desafiar com esse texto. A premissa aqui é que todos os nossos jogos de linguagem se assentam em uma base que é certa. Por isso, o livro é uma descrição bastante original da natureza daquilo que chamamos certeza e essa deve ser identificada com aquilo que é o fundamento das coisas (tenho total consciência de que Wittgenstein é considerado anti-fundacionalista, mas não vou entrar nesse mérito…).

Por muito tempo, a filosofia se debateu com questões do tipo: “Como posso ter certeza de essas mãos que vejo são minhas?“, “Como saber se não estou sonhando?”, “É possível conhecer alguma coisa?”. Bom, Wittgenstein achava que sim, que era possível conhecer. Não tudo, não a plenitude do conhecimento. A filosofia não pode, enfim, prover respostas, mas ela pode sugerir um método de investigação. Foi isso que ele fez durante toda a vida, em todas as suas obras: propôs aquilo que se chama “investigação gramatical”. A maneira como nós usamos as palavras pode nos levar a enganos terríveis; Wittgenstein achava que, ao desfazer os nós da linguagem, estaríamos também mostrando onde nossos enganos residem.

Por exemplo, o cético pode perguntar: “Mas como você sabe que isso que vivemos não é uma ilusão, que não estamos sonhando?” Você apresentará argumentos. Ele os refutará: “Mas como você sabe?” E assim, o argumento da dúvida se prolonga ao infinito. Ao contrário de outros filósofos, a resposta de Wittgenstein ao cético não apela para qualquer elucubração. A única coisa que ele nos diz é: “Veja. Observe. Repare nos nossos jogos de linguagem; em como usamos a linguagem nas nossas atividades cotidianas

Para de fato conhecermos algo, é preciso que se abra mão do argumento cético da dúvida ao infinito. Foi assim que a humanidade chegou até aqui. Imagine se ficássemos apenas imaginando se estamos acordados ou sonhando, se isso que vemos é realidade ou ilusão. Para que nossa vida aconteça no dia-a-dia, precisamos que algumas coisas não sejam postas em dúvida. Por exemplo, tenho certeza de que sou mulher. Não posso dizer como sei que sou, porque esse fato não é da ordem do conhecimento. Isso é uma certeza, um fundamento. Outra certeza: dentro de minhas veias corre sangue. Não preciso sair por aí dizendo em alto e bom som: “Sei que tem sangue nas minhas veias!” Até poderia numa situação de raiva, mas não para convencer alguém desse fato. Outra situação. Quando alguém bate na porta eu me levanto e abro. Não fico me perguntando se, ao me levantar, o chão estará debaixo dos meus pés.

Nosso conhecimento é da ordem do ‘normal’, ou seja, da norma. Sei que isso é ‘vermelho’, tenho certeza disso, porque na minha ‘tribo’ chamamos isso de vermelho. Sei qual é a essência da cor vermelha (o que quer que isso seja…)? Não. Quando pergunto esse tipo de coisa, não estou mais jogando o ‘jogo-de-pedir-uma-explicação’. Este é um outro jogo. Nos nossos jogos normais, é possível perguntar o que é uma coisa e responder. Viu, eu disse ‘normais’. Se alguém me pergunta: “Mas o que é ensinar?”, vou responder tendo como base aquilo que se faz nesse grupo onde vivo, nessa sociedade. Não estou mostrando a ninguém a essência do que seja ‘ensinar’. Aprendemos isso desde quando somos crianças. Aceitamos essas mitologias. “A criança aprende, acreditando no adulto. A dúvida vem depois.” (Da Certeza, 160). Esse fundamentos, essas dobradiças das quais Wittgenstein fala, são necessárias e não contingentes. Sem elas não há a possibilidade de a porta se abrir. ” ‘Estamos muito certos disso’ não significa que toda e qualquer pessoa esteja certa disso, mas que pertencemos a uma comunidade que está ligada pela ciência e pela educação.” [Da Certeza, 298]

Isso é muito diferente, por exemplo, do ceticismo fideísta, que era (eu acho) a posição de Hume. As minhas certezas não são baseadas em fé.

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E chega por hoje, né? Aff.

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Day by day

Quartinho do castigo hoje pela manhã…

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Desordem…

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… bagunça,

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e uma gata sonolenta.

cantinho-do-castigo

Entre nós duas, adivinha quem estava melhor, ela ou eu?

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E hoje a Samara vomitou sem motivo aparente. Quando fui ver na cozinha achei o porquê: a danada tinha dado cabo da ração da Keka. Não acredito em determinismo no mundo dos homens, mas acho que no mundo canino aquela máxima cretina do ‘aqui se faz, aqui se paga’ cai como uma luva…

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Um dia…

… quando eu crescer e for dotôra e tals eu quero ser linda e chique igual-qui-nem essa moça aqui.

*suspiros*

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Depois de um dia tenso como o de hoje (com a des-orientadora dizendo que eu não posso pedir prorrogação e tals e eu batendo o pé) só os looks da Cris pra me relaxarem os olhos e a alma. Porque delicadeza e beleza nunca são demais.

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Detesto, mas amei

As dez coisas que a gente mais finge que acredita, por Fernanda Young:

1. Que dinheiro não traz felicidade;

2. Que não tem medo da morte;

3. Que o amor é para sempre;

4. Que existe fidelidade;

5. Que ovo não faz mal; (ontem mesmo eu comi dois deles, mexidos com cebola e manteiga. Hmmmm… Detalhe irrelevante: era meia noite)

6. Que dar só um traguinho não faz voltar a fumar;

7. Que há político brasileiro honesto; (olha pois eu acho que tem. Esse tipo de frase é tããããão classe mérdia, tão V*eja…)

8. Que envelhecer pode ser bacana;

9. Que não é viciada em compras; (eu não sou. Mas comprei uma sapatilha linda ontem. Por quê? Oras, porque era absolutamente imprescindível!)

10. Que o ponto G existe.

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Acho a Fernanda Young uma chata de galocha, uó mesmo. E nem vou me dar ao trabalho de explicar; qualquer entrevista que vocês leiam dela será auto-explicativa. Mas adorei essa listinha (porque eu amo listas…), com algumas ressalvas.

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Ah. Pedi prorrogação do prazo de defesa. Conversando com a minha co-orientadora, chegamos à conclusão de que o meu texto ainda precisa amadurecer muito. E nem se trata de perfeccionismo, mas de senso de realidade. Eu não posso enfrentar uma banca com tantas questões ainda por resolver. Fora que eu ainda preciso dar conta de ler boa parte do meu corpus. Ao contrário de teses empíricas, onde existe um trabalho ‘de campo’ de construção de dados, o meu trabalho é teórico. É um estudo conceitual, então o meu corpus, ou seja, o que eu vou analisar, são textos. E ainda há uma enorme parte deles que espera para ser lida. Por tudo isso, vou pedir a tal prorrogação. Já enviei um email à orientadora que está dando um curso em Estocolmo, para me explicar e comunicar da minha decisão. Não pedi ‘permissão’ para fazer isso porque, como elas sempre dizem, o trabalho no final das contas é meu. Sou eu que preciso ler o meu texto com olhos críticos e avaliá-lo – e é o que estou fazendo. No popular, eu diria que é ‘a minha bunda que está na seringa’, tendeu? Sou eu que vou ser jogada aos leões – então preciso estar, pelo menos, bem armada. (Acho que depois que acabar isso vou escrever um livro de auto-ajuda: ‘Da tese para a vida’, hahahahaha)

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Fugindo do quarto do castigo

‘Quarto do castigo’ é como eu tenho chamado o meu próprio quarto, o lugar onde eu me ‘interno’ pra estudar. Ontem foi de cinco da tarde até meia noite, hora em que o comandante chegou, depois de fazer um vôo de 5 dias. Eu estava louca de saudades, mas pela hora adiantada, o cansaço dele e o filho (o meu) no quarto (o dele) só deu pra trocar uns beijos e uns amassos mesmo.

Já percebi que, em dias não muito quentes, é mais produtivo começar depois do almoço e ir até bem tarde, tipo uma da manhã. Calor é o tipo da coisa que me impede realmente de pensar e o calor aqui não tem dado tréguas, vocês não imaginam. De uns quatro dias pra cá tem chovido e o tempo refrescou. Fez até um friozinho (21º pra mim é frio, tá gente? Por favor, respeitem o frio dos cariocas, humpf!) e foi uma delícia ficar enfiada em casa com o filhote, estudando e fazendo comidinha.

Mas então, nesses últimos dias, aliás, nas últimas duas semanas, eu só tenho feito ler e reler coisas. O que me coloca num lugar muito difícil, pois se eu não começar a escrever logo vou me lascar. O problema em questão é: eu sempre acho que preciso ler tudo antes de começar a escrever. Nem preciso dizer o quanto essa pretensão é besta e infantil. Mas mesmo assim, ela me contamina. Toda vez que eu vejo um texto novo sobre o Wittgenstein eu fico louca se não o consigo. Via de regra, não conseguir é o que acontece, já que a maioria dos livros e artigos não existem por aqui. Importá-los leva semanas de espera e eu já não disponho desse tempo – e nem do dinheiro necessário. O melhor a fazer, então, é acalmar minhas lombrigas (hahahahahaha) e me conformar com o fato de que a palavra ‘tudo’ é daquelas que, como diria Frege (outro alemão danado), tem sentido (eu posso entender), mas não possui referência (não aponta para nenhum objeto). Hoje não tem jeito: vou começar nem que seja à força (com crase? sem crase? ai, ai). Antes, porém, uma corridinha na praia, pra oxigenar os neurônios. Sabiam que eu penso na tese o tempo todo enquanto corro? Momentos de reflexão à beira mar…

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Agora, deixa eu dizer uma coisa: fiquei pasma com a morte da modelo Mariana Bridi. Antes que algum espírito de porco pense: ‘Ah, mas que idiota essa mulé, morre gente todos os dias e ela fica assim só porque a moça era bonita?’ Não, não é só por isso. Eu nunca imaginaria que alguém, no século XXI, pudesse morrer como consequência de uma infecção urinária. Uma coisa tão besta, gente! Acho que é a morte gratuita e improvável que me deixa pasma. Ontem eu senti coisa semelhante. Mataram um cara aqui pertinho da minha casa. Isso às dez da manhã de domingo, numa das ruas mais movimentadas da cidade, se não for a mais movimentada, já que é acesso à ponte Rio-Niterói. Não sei bem como aconteceu, as pessoas não sabiam explicar, estavam todas muito confusas. Parece que o cara era policial, bandidos quiseram levar o carro dele (um Honda Civic), o cara resistiu e mataram ele. Tentaram fugir com o carro (que travou logo adiante), deixando o corpo lá no meio da rua. Eu voltava da corrida e não pude deixar de pensar: ‘Se estivesse passando por aqui meia hora atrás, Deus sabe o que poderia ter acontecido’. E pensei no meu filho, no meu irmão que mora a duas quadras de distância, na minha cunhada, nos meus pais. Uma coisa louca. Como assim, matam uma pessoa no meio da rua, num domingo de sol num dos lugares mais movimentados da cidade? A julgar pelo que acontece por aí, vai tudo ficar por isso mesmo. Se alguém viu os caras, é muito improvável que vá até a delegacia se pronunciar. E assim a gente continua vivendo, se acostumando com o absurdo da existência e torcendo pra não ser o próximo.

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Para a Su

O texto abaixo foi escrito há algum tempo atrás e publicado no meu falecido bloguito, O Eu profundo. Ele fala do personagem central da minha tese. Nas minhas conversas quase diárias com a Su, prometi a ela postar algo introdutório sobre o moço e seu pensamento. É o típico post-à-porter, cut-and-paste na cara dura, com algumas poucas modificações ao texto original. Pelo menos, eu tenho um bom motivo para isso. Com vocês (quem tiver saco para), Wittgenstein:
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Das tentativas vãs

“Se esgotei todas as justificativas, cheguei então à rocha dura, e minha pá se entorta. Estou inclinado a dizer então: ‘É assim mesmo que ajo”

(Ludwig Wittgenstein, Investigações Filosóficas, § 217)

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Estou fazendo um curso sobre ceticismo antigo e suas reverberações no pensamento filosófico. O nome é algo como “O ceticismo e seus descontentes” e trata daqueles pensadores – principalmente Wittgenstein, claro – que acenaram, ainda que indiretamente, com alternativas para a questão do ceticismo. Como uma crítica à metafísica.

É muito interessante, pois Wittgenstein foi um pensador que tratou, como nenhum outro, de questões como regras [vivemos num mundo de atividade reguladas; a linguagem é só uma delas], da irredutibilidade da linguagem a qualquer essência metafísica e o fato inexorável de que essa mesma linguagem mantém laços constitutivos com as nossas práticas. Como essas, ela também é regulada e possui limites.

O problema da filosofia, segundo ele, é que ela tem feito as mesmas perguntas durante séculos. Por exemplo, é errado duvidar se sou eu mesma que digito esse texto agora? É errado duvidar do mundo que me cerca? Claro, que não. Mas isso não me leva à absolutamente nada. Da mesma forma que duvidar do fato de que se abrir a porta agora haverá ainda um chão do outro lado também não me acrescenta nenhum ganho. De fato, a filosofia tem feito perguntas erradas.

Algumas pessoas interpretariam a passagem acima como um endosso ao ideário cético. Tenho certeza que não se trata disso. É só uma passagem que trata da questão dos nossos limites humanos. Chega um momento em que não adianta mais duvidar, porque é assim que as coisas são e pronto. Então a dúvida precisa transformar-se em certeza e ser acolhida como tal.

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Ultimamente, tenho desenvolvido uma tendência a ler Wittgenstein com outros olhos. Como um texto que propõe uma reflexão para a vida. Normal. Desde 1999 que ele faz parte da minha. Claro que ler as Investigações como auto-ajuda é um desperdício danado. Melhor – e mais fácil- ler Paulo Coelho. Porém, me apropriando do que o Polzonoff fala nesse texto, o efeito de um texto sobre alguém é pessoal e intransferível. E se, por vezes, o efeito da leitura de Wittgenstein vai além – ou fica aquém – do entendimento dos conceitos do seu pensamento filosófico, isso não significa cometer pecado mortal contra a obra.

É na minha existenciazinha que eu penso quando releio esse trecho aí em cima. Cheguei, finalmente, à conclusão de que bati na rocha em alguns aspectos dela. E isso significa pra mim estar pronta para fazer outro tipo de pergunta daqui pra frente.

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Esse é só o primeiro, Su. Depois eu colo os outros aqui, assim, mato logo dois coelhos: publico alguma coisa e não tenho que pensar em nada novo, u-hu! Olha que desculpa boa. Espero que isso te anime a comprar o livro. Bjs

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