Para entender a cabeça das mães (da minha)

Comentário da senhora minha mãe quando soube que o Gui passou no vestibular (aliás: gente, ele PASSOU!! Pra Federal Fluminense, ciências econômicas. Ceis não sabem como eu tô feliz).

Mas, então. Minha mãe dá os parabéns e faz o indefectível comentário: ‘você deu mesmo muita sorte com esse menino’.

Eu já devia estar acostumada porque é sempre assim. Quando quer elogiar o neto, dizer que ele é um menino educado, inteligente, bom de papo, engraçado e etc, minha mãezinha diz que eu tive sorte. Porque, afinal, né. Eu fui mãe solteira, bem nova. Tinha que me dar mal.

Donde pode-se concluir que:

  • se tivesse dado merda (entenda-se por merda: se ele fosse um drogado, cabeludo, gay, esquisito – tudo isso na concepção DELA, tá? Que eu não acho nada disso intrinsecamente ruim ou bom), a ‘culpa’ seria integralmente minha. Minha, claro, já que eu sou uma destrambelhada e sem juízo. E que deveria mesmo era ficar em casa fazendo tricô e comidinhas (eventualmente eu deveria ficar tocando piano, se meu piano estivesse aqui).
  • como deu tudo ‘certo’, o que eu tive foi sorte. Nada de méritos para a minha pessoa, que afinal foi quem educou o guri. Não que eu ache que pais e mães mereçam todos os méritos. Mas algum trabalho braçal eu tive pra fazer dele um ser humano que minimamente soubesse respeitar e valorizar as opções alheias e as diferenças entre as pessoas.

Entenderam a lógica? É preciso pensar de maneira bem paulocoelheana pra se entender as mães. Pelo menos a minha.

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Ao contrário do que pode parecer, eu não tenho ‘raivinha’ da minha mãe. Tô meio véia pra isso e, afinal, já fiz um monte de análise pra poder dar conta da ‘questão’. Porque, convenhamos, ninguém merece chegar na idade adulta e ainda ter esse tipo de ‘pendência’. É chato, é sofrido, paralisa a gente. A minha mãe é uma senhorinha baixinha e gordinha que nunca trabalhou fora na vida e nunca fez nada além de cuidar do marido e alimentar os filhos com comidinhas gostosas (viram quantos diminutivos?). Ela diz que é feliz assim e eu acredito. Porém, às vezes – e apenas às vezes – ela se deixa trair pelo inconsciente e demonstra um certo ressentimento por não ter sido mais ‘destrambelhada’ na vida. Como a sua filha mais velha, por exemplo.

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9 Comments

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9 responses to “Para entender a cabeça das mães (da minha)

  1. arthur

    Respira e conta até dez, as vezes funciona comigo.

  2. hahahaha, thur, não precisa não. como eu disse, não tem raivinha. é só um relato mesmo. bjs

  3. PD

    Tudo na melhor das intenções, claro.
    E o bom mesmo é perceber que você fez a lição de casa direitinho, pois acho que, a partir de um certo ponto, cabe à gente “entender” e aceitar nossos pais.
    Eles são como são e ponto, ou “papagaio velho não aprende a falar”.
    Parabens a você e ao seu filhote pela conquista.

  4. pois é, sr. PD. eu fiz a lição de casa sim. eu fui revoltadinha só durante a adolescência e um pouco depois. daí fui cuidar da minha vida, né? bjs

  5. PD está certo sim
    para aquelas pessoas que escolhemos amar somos mais criteriosos em gostos e escolhas, mas para pais, temos que dar uma colher de chá 🙂
    os meus pais ainda não tão caduquinhos pra dizer que são papagaios velhos, mas posso olhar então pelos meus avós, que a comparação funciona. Eles tem muito a dizer, mas não dá pra exigir que acompanhem todas as mudanças que o mundo passa. Eventualmente as pessoas querem segurança, segurança também do que é certo e errado e eles não tenham mais que se preocupar com isso. Não que isso seja certo, mas é compreensível

  6. masquepuxa2009

    Bendita seja a maturidade, ne? Facilita tanto…

    E parabéns pro garotão. E pra vc, afinal, é uma conquista sua tb, néam?
    Bjo 🙂

  7. eu não vou dizer q toda mãe é igual pq estaria cometendo uma grande injustiça, mas q elas ficam muito parecidas depois de uma certa idade isso é verdade, e o fato é q existe sim um pontinha de inveja por não ter vivido metade do q temos ‘condições’ de viver hj…
    beijos

  8. mari

    parabens pra gui e pra vc sim! mãe é um troço besta mesmo, às vezes, é só ler algumas das suas próprias “teses” sobre o assunto rsrsrs.

  9. E o Cazuza ainda dize que só as mães são felizes… tá bom…

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