Agora vai

Frequentadores dessa quitanda; amiguinhos e amiguinhas, agora é sério: minha defesa de tese foi marcada. Pra vocês entenderem o quanto isso é apavorante, deixa eu fazer uma pequena retrospectiva. Ano passado, no longínquo mês de janeiro, eu fiquei sabendo que não teria mais bolsa de fomento da CAPES. O motivo? Eu era professora substituta do departamento de línguas estrangeiras de uma universidade federal e a universidade católica onde eu faço o doutorado entende que um bolsista não pode exercer tal função. Detalhe: as agências de fomento, aquelas ligadas ao governo federal e que efetivamente enviam dinheiro para os programas de doutorado – inclusive da tal universidade católica – têm uma portaria conjunta dizendo que ser professor substituto das IFES (=instituições federais de ensino superior) é a única modalidade de emprego que um bolsista pode ter. Entenderam a trama? A universidade que recebe dinheiro do governo decide que algo que o próprio governo permite é ilegal. Olha que lindo. E eu, burra, que não sabia desse detalhe, declarei pra quem quisesse ouvir que, sim, eu era professora da federal e, portanto, não precisava fazer estágio de docência. Pronto, foi o que bastou pra cortarem minha bolsa. Isso porque eu tirei dez em quase todas as monografias do doutorado e meu CR (coeficiente de rendimento) era 9,9; porque eu fui a congressos, apresentei trabalhos, publiquei e o cacete. Tá tudo lá no meu Lattes. Enquanto isso milhares de pessoas recebem a bolsa e simplesmente não trabalham na tese. Não escrevem nada, pagam alguém pra escrever, acumulam empregos ilegais e tudo bem. O grande lance é ninguém saber. Fazer o que o governo permite e ainda ser honesto e declarar isso é sentença de morte em certos meios acadêmicos.

Bom, desnecessário dizer o quanto isso me abalou. Pela ato injusto que efetivamente foi e pelo impacto nas minhas contas. Assim, do nada, da noite para o dia, eu teria que viver com menos R$ 1.800,00 reais por mês. Minha vontade foi desistir de tudo, jogar o doutorado pro alto e ir fazer outra coisa da vida. Mas aí, eu pensei: gente, eu empatei (naquela época) quatro anos da minha vida nisso. Vou desistir agora? O problema é que na falta dessa grana eu tive que começar a dar aulas particulares praticamente o dia inteiro e, mesmo que quisesse muito, não teria como ter tempo pra escrever. Além disso, decidi que iria fazer concursos e tentar um emprego federal, que me desse tranquilidade pra terminar o doutorado. Se nada desse certo, eu estava determinada a ir pra São Paulo tentar a vida lá. Por que São Paulo? Porque lá é o lugar onde estavam meus amigos, aqueles que realmente fazem diferença na minha vida.

O final da história, nesse caso, foi quase feliz. Eu passei num concurso com um plano de carreira legal, que vai me dar uma aposentadoria pra lá de tranquila. O problema é que a tese ficou parada, jogada de lado por longos 10 meses. Meu exame de qualificação foi em janeiro do ano passado e depois dele eu ainda tive cabeça pra trabalhar um pouco até março. Depois, diante do cenário que descrevi, não havia mais condição e ela ficou paradinha. Por isso a marcação da minha defesa me assusta tanto. Eu terei menos de 3 meses pra dar conta de escrever aquilo que não escrevi em 10. Isso porque a defesa foi marcada para dia 14 de abril e eu tenho que entregar a tese para a banca ler pelo menos uns vinte dias antes.

Estou confiante que vou conseguir, mas apenas porque minha orientadora, minha co-orientadora e os membros da banca de qualificação asseguram que eu tenho um trabalho sim, que a minha pesquisa está boa e que no meu caso – uma tese teórica – não é preciso escrever mais do que 150 páginas. Eu já tenho metade disso pronto. Tenho dois meses e meio pra escrever a outra metade.

Para isso, montei uma estratégia de guerra. Estudo durante oito horas por dia. Das oito da manhã ao meio dia; das oito da noite à meia noite. Isso porque eu preciso cozinhar, cuidar da casa, das minhas bichinhas. Preciso ir ao dentista, so médico, enfim, fazer essas coisas de gente normal. Preciso ler meus emails, escrever um pouquinho no blog (como estou fazendo agora e só me restam 10 minutos antes que o horário de estudos comece) e ver meu namorado quando ele não está voando. Portanto, nada de ver o BBB9 (ai que dó), nada de Donatela e Flora, nada de ficar lendo a Rolling Stone de bunda pro alto, nada de praia e nada de carnaval. Uma vida de freira praticamente. Séquisso vai ter que ser com hora marcada, mas como é sempre muito bem feito, vale a pena, hehehe.

Então, queridos, é isso. Todo mundo de dedinhos cruzados, mandando good vibes pra minha pessoa. (e estão todos convidados para me ver indo pro sacrifício no dia 14 de abril. Mesmo que eu resolva ter uma dor de barriga fenomenal que me impeça de aparecer por lá no dia marcado). Ops! Hora de estudar. Beijomeliguem!

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14 Comments

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14 responses to “Agora vai

  1. Su

    Cris, 2 comentários:
    1) sou uma das pessoas no mundo que entende essa situação de fazer um curso (no meu caso, foi o mestrado) sem bolsa. Trabalhava em 2 lugares diferentes pra dar conta do recado. E recebia a maior pressão quando não lia um texto pra uma aula… foi muito foda. O doutorado compensou um pouco essa situação, mas a lembrança ruim ficou. É foda e eu te entendo muito bem.

    2) Já comentei lá no blog que me dá uma sensação reconfortante (bizarra, mas reconfortante) saber que tem alguém em situação parecida… então, minha amiga, MUITACALMANESSAHORA! E pode anotar aí, vamos comemorar juntas essa defesa. A minha tá marcada pra 17 de abril. É sair de uma festa e entrar em outra. Sorte, calma, manda brasa e sigo torcendo para que tudo corra bem. Tenho certeza de que você vai arrasar! Beijo grande, querida.

  2. boa sorte pras duas 🙂 então

  3. arthur

    Damn it, I’m gonna miss it. Mas talvez eu veja a da Su.

  4. Ei, vai dar tudo certo….
    Sucesso e ‘quebre a perna’ como dizem no teatro…
    beijos e muita energia, procê e pra Su

  5. Su

    Ô Cris, muito metida seu eu chegar na frente da sua quitanda e gritar: “ai, gente, obrigada!”?
    ahhaahahhaah!
    Beijos! (sim, eu devia estar estudando…)

  6. hahahahahaha, su, fica tranks que você pode tudo aqui. é bizarro, mas eu também me sinto reconfortada de saber que tem alguém passando pelo mesmo perrengue (de alguma maneira, acho que a gente dá força uma pra outra). pípols, valeu pelas good vibes.

    e sim, eu também deveria estar estudando :O

    bjs!

  7. L.

    Fooooorça que dá!
    Vai dar tempo sim, Cris. Manda bala, que terminar o doutorado é a maior sensação de “putz! me livrei dessa!” da vida. Salvo, é claro, perder o avião que acaba caindo. A não ser que seja o avinão de Lost, aí é diferente. Mas divago. Muito.
    “Suerte”, mulher.
    Vai com fé que a fé não costuma “faiá”. E ser doutora aumentará teu salário, e ainda tem umas univs feds contratando por aí.
    Bom, “good vibes” enviadas pelo meu canal esotérico multibanda transoceânico. Que a banca lamba os teus pés.
    😉
    Torcendo pra ser um fim de doutorado tranqüilo pra ti, com agenda flexível pra encaixar o sexo.
    Bjos,
    L.

  8. \o/
    não que eu acho que precise mas, dedos cruzados!!!

  9. little chick, claro que eu preciso!!! cruze os dedinhos por mim!

    querido L: eu também acho que vai dar. talvez eu até devesse estar mais aflita que é pra coisa andar mais rápido, mas eu sou uma descansada. sempre acho que no final das contas eu vou conseguir e, como até agora tem sido assim, eu fico me fiando na minha boa estrela. acho que daqui a alguns meses vamos comemorar muito. obrigada pelo carinho teu e da su!! bjs

  10. ah, L. última coisa: *tem* que ter espaço na agenda pro sexo. porque senão eu nem consigo trabalhar, entende? tipo, hoje o dia não rendeu, mas em compensação amanhã eu vou estar tinindo pra trabalhar o dia todo, hehehehe.

  11. Hellen

    Boa sorte, querida. Apesar de não conseguirmos mais nos encontrar para um cházinho gostoso no CCBB ou aquela pizza que “tá amarrada em nome do Senhor”, torço muito por ti e acompanho toda sua história.

    Bjs.

  12. Pingback: Para a Su « Quitanda

  13. Battle

    Vc quer que as jemts estejam lá?

  14. Caio Cezar

    Olá,

    Boa sorte na sua empreitada. Estou na mesma situação e compartilho as boas vibrações.

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