Há 18 anos

(Warning: atenção, esse post está açucarado além da conta e contém quantidades exageradas de amor explícito. Se você é diabético, ou tem tendência a enjôos, vá ler outra coisa)

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guilherme-11-anos1

Foi um longo caminho até aqui, mas eu não vou dizer agora que custou a passar. Pelo contrário, eu me distraí um pouco e você cresceu. E cresceu muito.

Eu me lembro de tudo e é engraçado como as cenas passam na minha mente como se fossem um filminho de cores bem vivas. Lembro de você correndo feliz pelo gramado do sítio da vovó, suado e sem camisa, no seu aniversário de dois anos. Você se entupiu de brigadeiros e depois teve dor de barriga, claro.

No ano seguinte, você ganhou um velocípede grande de Natal. Levou um tombo no dia 25 e fomos pro hospital, onde vimos que o rombo na testa era considerável, mas que não seria necessário tomar pontos. Essa mesma sorte não tivemos duas semanas depois, quando viajamos para Miguel Pereira com a dinda Soraya e você caiu de cima do maior escorregador de que já tive notícia. Abriu o queixo e levou 5 pontos. As fotos dessas férias não deixam mentir: você era um menino que aprontava.

No capítulo sustos, você teve ainda aquela penumonia aos seis anos. Dez dias de hospital e eu sofrendo, vendo você tirar sangue todos os dias e tomar antibióticos fortíssimos. Foi nesse momento que eu percebi que o homem que você elegeu como pai não poderia ter sido melhor escolhido: ele deu provas de amor profundo, ficou ao seu lado quando você chorava e, nos momentos em que eu chorava junto por não aguentar ver você sofrendo, era ele quem segurava você nos braços e te consolava.

Depois vieram outras cenas. Você na formatura da alfa, depois, mais tarde, de bracinho engessado e uniforme vermelho da escola, correndo e jogando futebol. Você me enlouquecia com a sua independência e a sua urgência em se fazer diferente de mim. Eu até resisti um pouco, confesso, mas tive que aprender também a deixar de ser egoísta, a deixar de querer fazer de você um decalque meu (como se isso fosse possível). Tive que aprender na marra a abrir mão de ter razão sempre, porque a razão ,em alguns momentos, torna-se absolutamente nociva.

Você cresceu sim e me surpreendeu com o seu modo de encarar o mundo e levar a vida. A tua tranquilidade frente aos obstáculos me dá lições que eu nunca pensei que iria aprender de você. A tua persistência, tenacidade, obstinação e paciência vão te levar longe, tenho certeza. Ainda não consigo acreditar que a partir de hoje você é oficialmente adulto. Se não fosse pelo teu tamanho – olhando daqui vejo que os teus pés insistem em querer ultrapassar a guarda da cama – eu diria que nada mudou. Eu ainda gosto de passar a mão nos teus cabelos cacheados – tão diferentes dos meus! – e de cuidar de você. É a minha melhor maneira de dizer que te amo. Ainda que a partir de hoje você já possa fazer coisas que eu nunca imaginei fazer – como dirigir – para mim, você será sempre o meu menino.

Eu escrevo para lembrar, filho. Para não esquecer nunca que você foi o meu melhor projeto de vida. Aquele ao qual eu me dediquei mais, com mais afinco e amor. Cresça, filho. Cresça mais e conquiste o mundo que te cabe. (E perdoa a minha enorme pieguice).

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Por fim, eu queria deixar esse vídeo feito para ser mostrado na tua formatura. Sei que para quem está de fora, ele não significa muito, mas para mim é o melhor registro desses anos e do teu crescimento. Eu devo estar ficando velha mesmo – não pelas rugas, que quase não tenho, ou pelos cabelos brancos, idem. Mas porque sempre choro quando vejo isso. Não adianta, eu vou ser sempre essa pessoa com tendências emo, fazer o quê?

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7 Comments

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7 responses to “Há 18 anos

  1. arthur

    Oww, que lindo.

  2. pronto, chorei em cima do teclado… mas adorei cada palavra, está perfeito!!!
    parabéns pelo filhote, vc merece.
    beijos

  3. monica

    Oi Cris e Guilherme,

    All my loving I will send to you 2.
    Beijos estalados,
    Mônica

  4. oi, lindos. obrigada pelos beijos e parabéns.

    🙂

  5. mari

    MA-ra-vi-LHO-so! adorei tudo, o texto, o amor incondicional, o videozinho, as lembranças. Um beijo enorme pros dois, vejo vcs em Fevereiro.
    xxx

  6. Su

    Passei por aqui anteontem, li e chorei. E hoje de novo, aff! Texto lindo, Cris. Você conseguiu expressar num quadrado o amor do mundo… parabéns. Beijo!

  7. L.

    Puxa, Cris…
    Eu não tenho nada de emo mas gosto da vida e das pessoas. Bem post de mãe amorosa esse teu.
    Parabéns pro teu guri, e que a vida dele seja tudo de bom, cheia de surpresas agradáveis e experências daquelas de acalentar o peito e abrir a cabeça.
    E como dizem os castelhanos, “suerte!” na profissão que ele escolheu.
    Bjos e abços,
    L.

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