Monthly Archives: March 2009

Salta um Dramin, please.

Acabei de chegar do cinema onde fui ver ‘Revolutionary Road‘, do Sam Mendes, com a fenomenal (em todos os sentidos) Kate Winslet e Leonardo di Caprio. Foi a segunda vez no mesmo dia em que um filme me deixou de estômago embrulhado. E isso é um elogio. O filme é irrepresensível naquilo a que se propõe: mostrar a mediocridade da classe média; sua pequenez, insignificância e conservadorismo.

Kate e Leo di Caprio formam um casal bonito, bacana e, de certa maneira, invejado por todos. Impossível não gostar dos Wheelers. O que não se sabe é que a relação dos dois, embora pareça irrepreensível na superfície, chafurda num mar de agressões, ofensas, traições e intolerância. Ele é um cara infeliz no trabalho, porém conformado com a própria falta de importância. Ela é a sonhadora, a que quer fugir a qualquer custo, a que não aceita um ‘Mas todo mundo vive assim’ como resposta. Certas cenas beiram o patético.

Ao final do filme, fica um sentimento amargo na boca. Saí do cinema sem saber o que era mais forte: o mal estar que as muitas discussões dos personagens causam, por ver o quanto é sofrido ver um amor – ou o que achamos ser amor – ser destruído pela mesmice; ou o alívio por saber que escapei de uma situação parecida e igualmente dilaceradora. Essa eu vou ter que resolver depois.

[Filme altamente recomendado. Mas, olhe lá. Se estiver se sentindo um pouquinho triste, não vá. É um filme que faz a gente enxergar coisas que a muito custo conseguimos colocar embaixo do tapete.]

***********************************************

O outro filme que me fez passar mal, literalmente, foi ‘Elizabeth‘, com outra Cate, a Blanchett. Assim. Sentei no sofá pra almoçar meus canelones, sozinha, e achei de colocar um ‘filminho’ pra ‘distrair’. Primeira cena: herege sendo violentamente torturada, seguida de cena onde três protestantes ‘assam’ na fogueira católica, emitindo berros alucinantes. Aquilo me fez tão mal que perdi a fome na hora. Levei o prato pra cozinha e não consegui mais olhar pra ele. Se eu já conhecia o filme? Já, e gosto tanto que comprei pra dar aula, usando algumas cenas. Eu só não me lembrava da brutalidade dessa abertura. Memória seletiva é isso.

Advertisements

6 Comments

Filed under Uncategorized

Curtas e azedas

* De onde saiu essa mulherada de bota e vestido de meia manga sob o sol do Rio de Janeiro, hein? Alguma boa alma poderia me explicar. Será que elas bateram a cabeça no meio fio?

* Existem poucas coisas nesse mundo que eu odeie mais do que cartório. Quando entro num deles baixa uma vontade de ser igual aqueles vingadores de filme e sair derrubando todo mundo. E o que são aqueles preços por um mísero carimbo? Eu queria realmente saber se isso existe em outras partes do mundo ou se vamos continuar ostentando o título de ‘idiotas hors concours’ do planeta.

* Comprei uma caixa de curativos “Mamíferos: mães e filhotes”. Tinha um da Hello Kitty também, mas eu achei muito caro. Às vezes meu apego por coisas inúteis chega a me dar raiva.

7 Comments

Filed under Uncategorized

Me manda uma notícia boa

Notícias que acabam com o meu dia:

Essa.

E essa.

***********************************

Tá, a do Papa nazista é velha, mas só hoje eu consegui ler o jornal de domingo, pra vocês terem uma idéia de como eu ando com tempo sobrando. E, embora eu saiba que essa é a cara da igreja e que eles são todos FDPs mesmo e blá-blá-blá, não consigo deixar de sentir raiva. Deve ser porque meu espírito ainda precisa evoluir muito.

**********************************

E pra terminar com chave de ouro, minha mui amada máquina de lavar pifou (isso, aquele eletrodoméstico que, ainda segundo a dona igreja, é o símbolo da emancipação feminina). Pois. O símbolo da emancipação aqui dessa casa foi pro c*. Total do conserto: 360 pilas. Custo de uma máquina nova: 479 pilas, divididas sem juros no cartão. E agora, consertar a máquina velha de uma marca melhorzinha, ou comprar uma nova, de marca não tão famosa? Quem poderá me ajudar? [Chapolim Colorado? Oi?]

************************************

A minha vida anda tão, mas tão movimentada que esse é o tipo de conflito para o qual eu preciso de solução imediata. Podia ser algo mais emocionante pelo menos, né.  Assim, sei lá, dúvidas entre três marcas diferentes de vibradores, ou coisa parecida.

7 Comments

Filed under Uncategorized

Mistureba

Por falar no outro morador dessa casa. Eu tava pensando outro dia nessa questão da formação.

Meu filho teve como professor de história por alguns anos na escola um cara que hoje é o único deputado estadual do Rio pelo PSOL. Alguém que era simplesmente adorado pelos alunos. Em filosofia, o mestre foi um jovem brilhante – 23, 24 anos, no máximo – estudioso e ávido leitor de Nietzsche. O tipo de professor que joga futebol com os alunos e consegue dar um nó na cabeça deles. Perdi as contas de quantas vezes Guilherme me pegou pra discutir tópicos ‘amenos’, como Descartes, por conta das aulas na escola.

Agora, na universidade, ele tem um professor no curso de teoria macroeconômica que foi, por quatro anos, membro do governo Fernando Henrique. Um cara igualmente brilhante, com pós-doutorado em Oxford, ou coisa que valha. E ele está amando as aulas. Chega em casa comentando, vê-se pelo entusiasmo que o menino está na carreira certa.

Confesso que estou louca pra ver, no futuro, que tipo de economista vai sair dessa sopa de letrinhas.  Tipo, aguardando os próximos capítulos ansiosamente.

5 Comments

Filed under Uncategorized

Muito barulho por nada

Então o governador do Rio decidiu voltar atrás na decisão de atrapalhar a abertura do aeroporto Santos Dumont para vôos regionais. Dizem as más línguas que ‘chegaram ao preço que ele queria’. Eu acho somente que ele perdeu uma boa chance de ficar calado.

Primeiro: eu não entendo nada de economia, ao contrário do outro morador dessa casa. Porém, já tive que me arrastar de Niterói ao Galeão, pagando mais de 50 pilas de táxi, o que, para os meus padrões, é muito. Já para o Santos Dumont eu posso ir de barcas. Isso mesmo. Eu moro perto do centro de Niterói. Vou puxando minha malinha até as barcas, depois da Praça XV até o aeroporto. Economizo mais de cem reais de táxi, que acabam sendo gastos em coisas mais úteis quando eu viajo. O Santos Dumont tá estalando de novo depois da reforma. O visual quando os aviões pousam ou decolam é de tirar o fôlego de tão lindo. Então, por quê, me digam, por que eu iria voluntariamente pegar um vôo num aeroporto mais distante, pagando mais, tendo um serviço péssimo (as esteiras de acesso do terminal 1 ao terminal 2 do Galeão estão desativadas há uns 6 meses, pelo menos. Se você estiver um pouco atrasado e cheio de bagagem, amigo, phodeu. Leva-se uma eternidade para caminhar de um terminal ao outro), se posso embarcar em outro, mais próximo e melhor? Só porque o governador do Rio quer me forçar a isso? Alguém deve ter sussurrado essa coisa óbvia no ouvido dele.

Não vivemos num sistema capitalista? Então vamos levar essa bagaça a sério. No dia em que o Galeão tiver melhores acessos e serviços melhores e mais baratos, duvido que alguém vá trocar um vôo lá por outro no Santos Dumont. Agora querer fazer isso na base da canetada, eu acho de quinta.

8 Comments

Filed under Uncategorized

Mothers

Tava lendo o jornal hoje quando dei de cara com essa notícia. Não sei se será algo inédito aqui na província brasilis, mas espero que elas consigam. Porque é preciso quebrar certos parâmetros. Mostrar que o ‘ideal’ de família hétero não é – nem nunca foi – a única possibilidade. E porque há questões legais, que envolvem o futuro das crianças. Não é uma questão de idéias, mas de vida, como o Milk fala no filme. Há tanta coisa, na verdade. Eu não sou a melhor pessoa pra escrever sobre isso. Mas vou ficar na torcida pelas meninas. Pelas meninas e pela diminuição do nível de caretice no mundo.

4 Comments

Filed under Uncategorized

Questão de ordem

“O autor deveria morrer depois de escrever. Para não perturbar o caminho do texto.”

(Umberto Eco, Pós-escrito a ‘O Nome da Rosa’)

*************************************************

E eu – ó audácia! – diria mais. O autor precisa morrer.  Sempre. Para não perturbar os estudantes de letras e todos aqueles que teimam em achar que o pobre coitado – transformado em ‘entidade’ – quis ‘dizer’ algo. Vou bater nessa tecla até o fim. O autor não quis dizer nada e o sentido não ‘mora’ no texto. O sentido não é algo anímico, uma essência que o autor inocula no texto. Ao leitor não cabe ‘extraí-lo’. O sentido é construído pela interação. Movimentos ascendentes e descendentes. Texto-leitor, leitor-texto. ‘Inclua’ o autor fora dessa, por favor.

7 Comments

Filed under Uncategorized