Salta um Dramin, please.

Acabei de chegar do cinema onde fui ver ‘Revolutionary Road‘, do Sam Mendes, com a fenomenal (em todos os sentidos) Kate Winslet e Leonardo di Caprio. Foi a segunda vez no mesmo dia em que um filme me deixou de estômago embrulhado. E isso é um elogio. O filme é irrepresensível naquilo a que se propõe: mostrar a mediocridade da classe média; sua pequenez, insignificância e conservadorismo.

Kate e Leo di Caprio formam um casal bonito, bacana e, de certa maneira, invejado por todos. Impossível não gostar dos Wheelers. O que não se sabe é que a relação dos dois, embora pareça irrepreensível na superfície, chafurda num mar de agressões, ofensas, traições e intolerância. Ele é um cara infeliz no trabalho, porém conformado com a própria falta de importância. Ela é a sonhadora, a que quer fugir a qualquer custo, a que não aceita um ‘Mas todo mundo vive assim’ como resposta. Certas cenas beiram o patético.

Ao final do filme, fica um sentimento amargo na boca. Saí do cinema sem saber o que era mais forte: o mal estar que as muitas discussões dos personagens causam, por ver o quanto é sofrido ver um amor – ou o que achamos ser amor – ser destruído pela mesmice; ou o alívio por saber que escapei de uma situação parecida e igualmente dilaceradora. Essa eu vou ter que resolver depois.

[Filme altamente recomendado. Mas, olhe lá. Se estiver se sentindo um pouquinho triste, não vá. É um filme que faz a gente enxergar coisas que a muito custo conseguimos colocar embaixo do tapete.]

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O outro filme que me fez passar mal, literalmente, foi ‘Elizabeth‘, com outra Cate, a Blanchett. Assim. Sentei no sofá pra almoçar meus canelones, sozinha, e achei de colocar um ‘filminho’ pra ‘distrair’. Primeira cena: herege sendo violentamente torturada, seguida de cena onde três protestantes ‘assam’ na fogueira católica, emitindo berros alucinantes. Aquilo me fez tão mal que perdi a fome na hora. Levei o prato pra cozinha e não consegui mais olhar pra ele. Se eu já conhecia o filme? Já, e gosto tanto que comprei pra dar aula, usando algumas cenas. Eu só não me lembrava da brutalidade dessa abertura. Memória seletiva é isso.

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6 Comments

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6 responses to “Salta um Dramin, please.

  1. monica

    Oi Cristiane,

    Vi o filme semana passada e saí arrasada, a história é deprê, porém, muito possível, seja anos 50, 70 ou 2000.

    Beijos,
    Mônica

  2. Arthur

    Pelos trailers esse filme ia passar batido por mim, mas agora vou prestar atenção.

  3. Lia Lee

    Tou afim de ver esses 2!!!

  4. E que tal Cenas de um Casamento, “só” do Bergmann? Dureza de ver. Esse aí tô doida pra conferir, mas também tô numa fase que é melhor deixar pra depois. (quando assisti As Horas já foi difícil…)

  5. mari

    As Horas tb me arrasou. Acho que vou ter de esperar pra sair em DVD. Não que não esteja bem, acabo de me recuperar de umas lambadas passadas, num quero de volta esse sentimento não…

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