Monthly Archives: May 2009

Oie

Sou linda, sou absoluta, meu nome é Cris e essa é a Stephanie. Juntas vamos dominar o mundo. Agora rendam-se ao talento da melhor cantora do Brasil:

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E quem falar mal da gente é invejoso, ouquei? Beijomeliguem.

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Balanço anual

Com a aproximação do goddamn ‘dia dos namorados’, faz-se necessário um balanço pra detectar perdas e ganhos no quesito ‘casos amorosos’. Bom, melhor falar dos ganhos primeiro. Desde que me separei, eu não posso me queixar de nada. Ainda que não tenha sido ‘ideal’, sempre choveu na minha horta. A questão, porém, é: eu tenho um mega-talento pra me envolver com gente enrolada de todas as espécies. Os não-enrolados, que são a minoria [porque também são minoria no mundo, diga-se de passagem], têm a desvantagem às vezes de morar longe, o que os coloca, consequentemente numa catetoria intermediária. Semi-enrolados, digamos assim.

Falando do meu talento natural pra encrencas amorosas, eu consigo identificar esse traço na minha personalidade desde o primeiro momento na vida em que Legos, Playmobils e brincadeiras empoleirada em árvores deixaram de ser a coisa mais importante do mundo. Parece ter sido mandatório, desde o iniciozinho,  que o virtual candidato tivesse alguma dificuldade inerente, ou então nada feito. Parecia não ter graça. Como depois desse meu post aqui fica muito difícil eu querer dizer que tudo não passa de mera coincidência [uma vez ou duas ainda vai, mas SEMPRE?], e levando-se em conta o fato de que eu tive que dar uma parada na análise e não vou poder ‘mexer’ nisso por algum tempo, fica a pergunta: o que fazer, amiguins?

Eu pensei numa lista, tipo aquela do Ross na primeira temporada de Friends. Bem, não exatamente igual à do Ross – já que eu não tenho que decidir entre duas potenciais candidatas , mas uma lista pra ajudar a definir a identidade do conceito ‘não-enrolado’ e assim fugir de encrencas. Em primeiro lugar, o mais importante: eu não quero mais casar nessa vida. Portanto, alguém que preencha as expectativas, será alguém pra ir ao cinema, jantar fora, eventualmente viajar e – óbvio – trocar muitos fluidos corporais. Portanto, nada de coisas chatas e brochantes, tipo discutir a lista da feira ou o aumento do aluguel.

Então, continuando, eu diria que alguém que não é enrolado, consegue se encaixar nessas situações a seguir e/ou entender as seguintes premissas:

1. Alguém ‘não-enrolado’ é, como o próprio nome  diz, alguém que não tem rolos com outros seres, humanos ou não. Certo, eu não vou excluir a  possibilidade de terceiros ou quartos na relação, mas deixando bem claro que o prato principal sou eu. A prioridade sou eu. Os planos são feitos comigo. Essa história de ‘meu-amor-eu-te-amo’, mas, na hora do vamu vê, sou eu que tenho que fazer a compreensiva e sempre ceder a favor de outrem está fora de questão.

2. Sem joguinhos, sem neuras, sem mentiras. Eu passei muitos anos da minha vida até chegar a essa configuração de hoje e digo sem medo de errar: mentira é algo que desperdiça energia. Ainda que a pessoa não minta pra mim, mas pra outro ser. Isso me brocha. E eu prefiro uma verdade ultra-dolorida a uma mentira esfarrapada.

3. Definitivamente, eu sou mãe apenas do rapazinho que mora comigo. Quem está a fim de alguém que lhe passe a mão na cabeça, seja sempre compreensiva e boazinha e faça todas as concessões possíveis – já que não aprendeu a lidar com um traço básico da vida, a frustração – favor amarrar o burro em outro poste que não o meu.

4. Eu não entro em disputa. Mas sou ciumenta – sim – sempre deixando claro que preciso ‘trabalhar’ esse defeito. Ciúme só me acomete quando não fica claro meu lugar e meu papel em alguma situação. Tirando esse dado, eu divido tudo.

5. O lugar de neurótica-mor da relação é meu, faizfavô.

6. Eu choro quando estou em TPM. Choro, quero morrer, preciso de colo e muito cafuné. Mas passa rapidim.

7. Eu gosto de carinho e atenção, como todo mundo. E dou na medida que recebo. Mas, vejam, eu não elejo ninguém para ser minha prioridade number one na vida. Se a pessoa acha que, porque eu gosto de cuidar e dar mimos, estou obcecada e cega de paixão, então ela não entendeu nada de nada.

8. De preferência, quero ter ao meu lado pessoas que sejam coerentes com aquilo que falam. Que sejam comedidas; que não prometam demais.

9. E, last but not least. Alguém que goste tanto de séquisso quanto eu. Que não sejam protocolares, que sejam criativas e gostem de experimentar. De chato já chega o trabalho da gente.

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Então, será que estou sendo muito exigente? Claro que além dessas coisinhas aí de cima, existem outras que eu nem citei porque já são o default. Tipo,gente homofóbica e racista não se aproxima de mim num raio de 5 quilômetros, a menos que seja por exigência de trabalho. E tem as perfumarias também. Ser interessante, gostar de filmes e livros e ser divertido. Será que tem alguém assim no mundo? Essa é uma pergunta típica de mocinha de 18 anos, mas se existir um mísero 0,0000001% da população que preencha esses requisitos eu já não vou me achar tão loser assim. Fica aí o anúncio. Meninos e meninas, cartas pra redação.

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Passaredo

Eu tenho passado dias pensando em quando eu era criança. Não sei exatamente a razão, deve ser velhice mesmo, pura e simples. A gente vai envelhecendo e sabe que a única coisa que ainda pode preservar por mais tempo é a memória. O resto se vai bem mais rápido do que se pensa.

Quando eu tinha vinte anos sequer lembrava de coisas que foram determinantes e que aconteceram justamente no período mais tenro da minha vida. Infância já foi refúgio de poetas e romancistas, lugar idílico, de paz e felicidade. Hoje se sabe que nem na infância somos poupados de angústias. Mas às vezes é bom, dá um certo sossego imaginar que em algum momento da vida a gente ainda não era adulto – e um adulto que, por essas duras contradições da vida, gosta de acolher sofrimentos. Como se sofrer agregrasse alguma coisa. Daí vem essa certeza de que um dia a gente já consegiu fazer melhor que isso.

Eu fui criança de subúrbio, criada em casa com quintal e um jardimzinho. Tinha cachorro (pastor alemão), gato vira-latas e pé-de-abacate. Tinha também carambola, que naquela época nem tinha prestígio algum. Era só uma fruta esquisita e de gosto um tanto ácido. Eu gostava de subir no pé dela e brincar de Robinson Crusoé. Era assim. Eu era o náufrago e tinha que me abrigar das feras da ilha e pra me proteger fazia uma casa em cima da árvore. Brincava muito sozinha, coisa esquisita pra quem tinha dois irmãos e uma irmã. Mas para mim isso era o mesmo que nada. A irmã era quatro anos mais nova, o irmão mais novo era oito anos mais novo e o outro irmão era moleque de rua, não ia querer brincar de coisas sem graça de menina.

Eu tinha muitos blocos de montar – tipo Lego – e aquele monte de Playmobil. Também tinha livros. Como aprendi a ler muito, muito cedo – e já entrei na escola alfabetizada – eu sempre ganhava livros de presente. Dos livros saíam as historinhas que eu usava de argumento pra brincar com os Legos e Playmobils da vida. Eu não gostava de boneca e, segundo a senhora mãe, era uma menina sempre muito séria. Eu queria crescer e ser mocinha logo. Burra.

Minha vó favorita sempre me dava livros de presente. A melhor coisa que ela me deixou nessa vida foi a coleção completa da obra infantil do Lobato, encadernado em couro cor de vinho, com ilustrações originais. E eu li muitos contos de fada, tantos quanto era possível e isso servia de combustível pra historinhas que eu gostava de inventar. Depois fazia o teatrinho com os Legos e tals. Isso era a segunda coisa mais legal da minha vida. A primeira era ver o Sítio do Picapau Amarelo na TV. Foi daí que eu tirei o título desse post. Uma música do Chico que fazia parte da trilha sonora do Sítio, cantada – se não me engano – pelo MPB4 (alguém se lembra deles?). Essa semana, eu cantei essa música o tempo todo. Dentro da minha cabeça e baixinho, nos ônibus, na sala dos professores. Acho o ritmo vibrante, sincopado, a letra cheia de nomes de pássaros e tantos que você até pode ouvi-los cantando.

Daí que a música me lembrou de um tio que morava numa casa em Santa Teresa; casa essa por onde passava uma nascente e onde ele construiu um enorme viveiro cheio de pássaros. Tinha uma árvore no meio do viveiro e um riachinho que passava por dentro também. Esse meu tio se chamava Edalmo, e foi por muitos anos dono de uma única farmácia no bairro, se não me engano a farmácia Aurora. Diziam que ele ficou famoso naquela área porque as mulheres dos ‘donos do morro’ chegavam lá sem dinheiro pro remédio e ele dava assim mesmo. Não sei se por medo ou por dó.

Enfim. O tio Edalmo morreu esse ano, o viveiro de pássaros não existe faz tempo, a casa de Santa Teresa ficou perigosa por conta dos tiroteiros no morro e esse post já tem ‘eu me lembro’ demais. Melhor ouvir a música mais uma vez e ir pra cama. Mas hoje, se pudesse escolher,  juro que queria dormir e sonhar com a minha casa da infância no subúrbio, com meu balanço e as historinhas que eu inventava. Necessariamente nessa ordem.

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De onde tiramos nossas vontades

A noção de inconsciente não ajuda apenas, como se vê, a compreender as causas e razões que determinam a experiência subjetiva de alguém. Ela sobretudo implica o sujeito nas suas próprias ações, por mais disparatadas, enigmáticas e desconfortáveis que possam ser. Com a noção de inconsciente diminuiu a possibilidade de alguém alegar – em relação a uma ação qualquer – que “não fui eu” (e sim “o demônio”, “os instintos”, “os hormônios” ou “os neurotransmissores”). Com isso ela amplia nosso campo de responsabilidade. De certo modo, na medida em que implica o sujeito em todos os seus atos, a imagem freudiana do sujeito recomenda uma espécie de imperativo socrático. Mas “conhecer-se a si mesmo” não significará descobrir “o que na verdade se é”, e sim entrar em contato e reconhecer-se nas múltiplas (e frequentemente desagradáveis e indesejáveis) modalidades de ser sujeito que nossa individualidade física pode abrigar e cuja existência nossa própria trajetória singular tornou possível.

Diferentemente do que ocorre com as idéias de Copérnico e Darwin, portanto, o descentramento do psiquismo produzido por Freud tem implicações éticas incontornáveis. Na vida comum do dia-a-dia, as teses do heliocentrismo e o evolucionismo biológico não desempenham qualquer papel decisivo. Pode-se perfeitamente tomar decisões sobre como levar a vida, sem levá-las em conta. Não se pode dizer o mesmo do inconsciente.”

Benilton Bezerra Jr., Descentramento e sujeito – versões da revolução coperniciana de Freud (In: Costa, Jurandir Freire. Redescrições da Psicanálise, Relume Dumará)

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A gente entende, Bahuan

“Bahuan foi e está sendo um personagem difícil, porque tem várias nuances. O nível de entendimento ocidental sobre ele é uma coisa complicada. É um personagem muito específico sobre a Índia.”

“Eu fui pra Índia, ohei para o olho de um dalit e é incrível o vazio que você vê dentro daquela pessoa. Você conta uma desgraça, passa um cara morto, você oferece comida e ele continua com a mesma cara, passa alguém gritando e é a mesma cara.”

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Márcio Garcia, rebatendo as críticas que recebeu pela ‘inexpressividade’ do seu Bahuan. Claro que a gente entende, fofo, a ‘especificidade’ do personagem.  Afinal são características muito específicas de um indiano andar pelas ruas do Rio, ir à praia e tomar cervejinha gelada, né mesmo? Então.

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Aprendam, crianças. ‘Canastrice’ agora se chama ‘laboratório’, ouquei?

bahuan

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Fofice

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Pra mim que – mesmo não acreditando em monogamia – sou romântica, choro e me descabelo, essa é a musiquinha mais fofa ever.

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Mas eu continuo repetindo o mantra: dia dos namorados é só uma data muito besta e comercial, feita pra deixar as pessoas se sentindo excluídas. Sem sacanagem, o que tem de amigo meu no MSN perguntando: “O que que eu vou fazer dia 12, me diz?” Vocês eu não sei, mas eu vou me jogar numa festa de arromba. Dia dos namorados de cu é rola. E tenho dito.

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Com censura (?)

fuck

Tava correndo na praia hoje e pensando no assunto. Que o mundo está ficando careta de um jeito que até pra mim está difícil suportar às vezes. E olha que eu não sou nem nunca fui modelo de rebeldia nem nada. Sempre fiz a certinha: nunca fumei, bebo pouquíssimo, gosto de acordar cedo e comer coisas verdinhas que fazem bem. Mas isso nunca foi sacrifício pra mim e eu sempre acolhi bem outros estilos de vida. Sempre tive como amigos chegados pessoas bem diferentes de mim. Por exemplo, não vejo muita graça em eu mesma encher a cara [eu faço as coisas bem melhor estando sóbria, se é que me entendem], mas sempre adorei sair com meus amigos cachaceiros. Coisas ilícitas eu usei pouquíssimo nessa vida, mas se é de farra eu não recuso. Esse tipo de coisa. Então me irrita certo discurso doutrinatório que vez por outra eu encontro por aí. Ou certo tom de ‘reprovação’ muito nas entrelinhas, mas que eu – que só me faço de boba pra sobreviver, mas que de boba mesmo não tenho nada – sei identificar muito bem. Coisas que vão desde um ‘Você não se depila com cera?’, Você não tem carro e não sabe dirigir?’ até discurso anti-tabaco e anti-maconha, entre outras.

Posso começar falando da patrulha contra fumante. Bem, eu não fumo. Nunca fumei. Sou alérgica em último grau a várias coisas e já fiz uso durante anos de bombinha pra bronquite. Mas na minha casa amigo meu pode acender a chaminé e fumar o quanto quiser. Não me incomoda. Claro que eles têm bom senso e, em geral, procuram a janela. Mesmo em lugares públicos eu nunca faço cara feia, exceto em ônibus fechados. Me irrita profundamente aquele povo que dá chilique e faz ‘pregação’ contra fumo. Ah, dá vontade de dizer: ‘Vai te catar.’

Na verdade, o mundo tem se transformado num lugar bem chato. Por isso que quando amigos meus escrevem coisas como essa eu tenho vontade de dar um abraço e muitos beijos neles e falar: “Não muda não, por favor!”. Porque se o preço de ter um planeta mais ‘sustentável’ e etc, etc é viver cercada de gente insuportável, eu vos digo: quero mais é que tudo se exploda. Eu vou continuar tomando meu banho quente durante o tempo que eu bem quiser [e que se foda o meio-ambiente, eu trabalho pra cacete pra poder pagar a conta de luz], vou continuar sendo fã de feijoada, mocotó com feijão branco e outras comidas bregas e ‘incorretas’ e tô me lixando pro puritanismo da classe média.

E last, but not least: serei contra a reforma ortográfica até a morte. Maior caretice do mundo é querer acabar com a diversidade em nome do bom senso. ‘Bom senso’. Sei.

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