Pra daqui a pouco

Ontem eu fiquei pensando no que vou fazer quando acabar de escrever a tese. Sim, o fim está próximo; tremei, tremei, eis que o apocalipse se anuncia: mais umas vinte páginas e eu fecho a tampa desse caixão. Depois é dar uma ajeitada na introdução, inventar uma conclusão (porque na verdade em ciências humanas ninguém conclui nada) e pronto. Como diz Dita von Claire, louraça-belzebu dos pampas e mulé que sabe das coisas, tá feito o carreto.

Pensar que eu comecei essa ‘aventura’ em 2003. Eu havia terminado o mestrado em 2002, no meio da minha primeira separação, e havia jurado que nunca mais iria fazer nada ligada a estudos nessa vida. Mentira, mentira. No ano seguinte, lá estava eu na P*UC, fazendo curso como aluna ‘avulsa’, pra tentar conhecer aquela que seria minha futura orientadora. Adorei o curso, amei, me encontrei. Sabe quando você vê algo e pensa: ‘É isso!”. Foi o que aconteceu comigo. No ano seguinte comecei a ir à P*UC de 15 em 15 dias pra me reunir com a futura orientadora e ‘parir’ um projeto de tese. O projeto saiu no final daquele ano e hoje só o que resta dele é o meu interesse pela principal linha teórica. De resto foi tudo pro lixo.

Então, desde 2005 que eu estou oficialmente engajada nesse projeto de me tornar doutora. O que, desde o começo, foi um projeto de sobrevivência. No magistério, se você quer ganhar um pouquinho mais, quer sobreviver com um tantico mais de dignidade, tem que estudar e acumular diplomas. O que me moveu até agora não foi a vaidade, nem o amor puro e simples pelos livros (embora esse seja fundamental, do contrário, você não aguenta). Eu penso é nas contas pra pagar. E no quanto um título desses aumenta – em muito – o meu salário. Bem, agora que eu já confessei de público que sou uma pessoa mesquinha e materialista, posso concluir esse post. Fazendo uma listinha. Ontem eu a elaborei no ônibus, enquanto voltava pra casa depois de um dia duro de aulas e reuniões. Nada como botar o preto no branco agora. Quando acabar essa bos.. – ops! – esse bendito doutorado eu:

1. Vou ler todos os livros que se acumulam na estante e na minha mesinha de cabeceira. Livros que comprei, livros que ganhei, Anaïs Nin misturado com “A casa das belas adormecidas”, mais “Crepúsculo” e “A vida sexual de Catherine M.” (upideiti: esqueci de Henry Miller e o “Trópicode Câncer”). Uma bela salada. Juro que a partir de agosto volto a ser leitora pelo simples prazer de ler os livros. E também quero ler Clarice. Muito, muito, muito mesmo. Me aguardem.

2. Voltarei a poder correr na praia em horários de gente normal e não precisarei acordar às 5 e meia da manhã para isso. Recuso-me a fazer comentários adicionais sobre essa prática tão ultrajante na minha existência.

3. Poderei ter vida social e sair com meus amigos sem ficar com peso na consciência e sem me punir com 200 chibatadas/hora. Ui!

4. Voltarei a cozinhar e a comer comida de gente – não chickenitos, miojo e omelete, como é o caso agora. E vou passar a filar menos a bóia na casa da mãe (cara-de-pau tem limite).

5. Vou viajar, viajar e viajar. Vou gastar todos os meus centavos nisso, porque quero morrer tendo a certeza de que fiz aquilo que me deixava feliz.

6. Vou assinar um canal de TV a cabo e quero experimentar a delícia de passar horas simplesmente vegetando.

7. Vou passar a ir ao cinema toda semana e não apenas quando um filme que eu quero muito ver já está saindo de cartaz.

8. (Upideiti 2) Vou fazer pilates.

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No mais, estou quase surtando. Tenho sete pacotes de provas pra corrigir e um capítulo pra entregar até o dia 20. Será que se eu sair correndo pelada e gritando pela rua alguém vai notar?

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7 Comments

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7 responses to “Pra daqui a pouco

  1. Vc terminando e eu começando! Ai, tomara que vire realidade, linda!!!

    Saudade de vc!

    A gente logo vai se ver. Quero comemorar muito a sua alforria!

    Mil bjos!

  2. Arthur

    Na minha área ter doutorado não significa poder ganhar mais, e sim poder ganhar algo, não tem concurso para não doutores. Com um pouco menos de um ano para o dia do juízo ainda não comecei a me imaginar sem ser doutorando, mesmo porque é capaz de engatar um pós-doc, ou seja postegar o desemprego.

    Mas voltando ao post, bons planos, os meus andam mais ficar bundando um pouco mesmo rs.

    Bjs.

  3. estas são, irmãos para nós, palavras da salvação.
    amém.

  4. êbaaaaaaaa, existe vida pós tese.
    curta bastante.
    beijos

  5. monica

    Que nossa sra do bom parto te proteja e que você tenha uma boa hora.
    Bjs,
    Mônica

  6. Força, Cris, vc consegue…rsrsrs Pensar em tudo o que vc vai poder fazer depois de terminar a tese é a melhor motivação pra conseguir terminar. Passei por algo parecido na minha pos.
    Boa sorte!
    Beijos

  7. Faça o que for, amiga, principalmente o que for fútil e relaxante – que um doutorado é cabecice e tensão suficientes pra uma vida toda – só NÃO ENTRE EM CRISE de depressão pós-doutorado. Acontece. Eu já vi, e de muitos colegas. Bando de doido. Daí arranjam um pós-doc.

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