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Dia 17 de maio é um marco. Dia mundial da luta contra a homofobia. Sobre o tema há textos muito legais como esse da Lu (pena que ela anda sem tempo, como eu). Li algo muito legal em outro blog também, mas perdi o link. [Eu agora ando assim. Eu perco os links e escrevo bobagens no quadro de giz. Já pedi que os alunos me avisem porque eu estou com uma síndrome que acomete pessoas em estado de tese terminal. Eu falo besteiras, troco palavras, esqueço nomes de pessoas que conheço há tempos, não consigo dar uma resposta objetiva às perguntas que os alunos fazem e vez por outra fico com o olhar perdido no vazio, de boca semi-aberta. É grave, né, doutor?]

Mas voltando. Não vou escrever nada sobre o 17 de maio porque não iria sair nada que preste. Mas queria comentar uns emails que recebi. Eu faço parte de uma lista de discussão, a CVL, Comunidade Virtual da Lingugem, que congrega profissionais das áreas de letras, linguistas, professores de línguas, tradutores e outros profissionais. Recebi via CVL um repasse de notícia de jornal, no caso o Estadão, dando conta da decisão do governo de fomentar políticas de combate à homofobia. Não sei se as medidas do governo são um consenso entre a comunidade LGBT, mas parece que a maioria das ações vêm ao encontro de reinvindicações antigas. O que me chocou, entretanto, foi o fato de que a primeira resposta de um membro do grupo à mensagem tenha veiculado os piores clichês homofóbicos de que se tem notícia. Isso vindo de uma comunidade cujos membros, muitos deles, pelo menos, tem como tarefa formar pessoas.  Vê-se que o trabalho pela frente há de ser longo. E os resultados, a meu ver, não prometem ser animadores. [Reproduzo a notícia a seguir e logo após o comentário de um membro da CVL]

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Governo quer livro didático com temática homossexual

O governo quer que sejam incluídos nos livros didáticos a temática de
famílias compostas por lésbicas, gays, travestis e transexuais. Ainda
na área da educação, recomenda cursos de capacitação para evitar a
homofobia nas escolas e pesquisas sobre comportamento de professores e
alunos em relação ao tema. Essas são algumas das medidas que integram
o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT
(lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), documento
firmado entre representantes de 18 ministérios.

O texto traz 50 propostas, que deverão se transformar em política de
governo até 2011. São medidas em diversas áreas. Na saúde, o grupo
prevê acesso universal a técnicas de reprodução assistida a LGBTs em
idade fértil, recomenda o fim da restrição imposta a essa população
para doação de sangue e garante que companheiros do mesmo sexo sejam
incluídos como dependentes em planos de saúde. Na área da Justiça,
pede que travestis e transexuais condenados à prisão sejam
encaminhados para presídios femininos, em vez dos masculinos, como
ocorre.

“É um marco na busca da garantia dos direitos e cidadania”, afirmou
ontem o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, durante o
lançamento do plano. O documento foi desenvolvido a partir da 1ª
Conferência Nacional LGBT, realizada em junho. Desde então,
integrantes da sociedade civil e representantes do governo passaram a
discutir as medidas mais importantes para a garantia dos direitos
desse grupo. Das propostas apresentadas, algumas estão em andamento. É
o caso do reconhecimento da união civil de casais do mesmo sexo e da
criminalização da homofobia. Projetos com essas propostas tramitam no
Congresso.

O Estado de S.Paulo, 15 maio 2009.

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[Comentário 1]

É o tipo da decisão “goela abaixo” e se você se colocar contra receberá de presente um rótulo. Talvez o próximo passo seja legalizar o comportamento de usuários de drogas,motoristas bêbados, emos,fumantes, prostitutas, etc. Já que também são em grande número na nossa sociedade e também devem ter seus “direitos” assegurados. O que antes se pedia era tolerância que agora evolui para promoção junto as nossas crianças e adolescentes de um comportamento diferente e não aceito, mas tolerado pela maior parte da sociedade. Depois chamam quem é contra de radicais. É mais um passo de incentivo à educação no lar e mais um motivo de muiiita chacota nas salas de aula. Acho que vai piorar a situação deles pois nem todos os professores estarão dispostos a conter manifestações contrárias e de “direito” dos outros alunos e alunas. Um tiro que vai sair pela culatra. E espero que com toda a cautela do assunto respeitem, também, a minha opinião.

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É foda, né. A pessoa que coloca no mesmo patamar de discussão a questão da homofobia, emos e motoristas bêbados é alguém que realmente ainda não entendeu nada de nada. Tem como argumentar com um ser que fala esse tipo de coisa? Vale a pena? Eu acho que não, mas aí é que está. São essas pessoas – em sua maioria – que estão na ponta da ‘linha de produção’. O debate contra a homofobia tem ficado restrito a determinados setores e, enquanto não chegar à escola, não se terá feito muito coisa. A questão é que antes que ele se dissemine é preciso formar os educadores – e aí é que mora o problema. Eu ainda não parei pra pensar, mas dá pra imaginar a dor de cabeça que vem pela frente. Oremos, pois, irmãos.

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9 Comments

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9 responses to “Inbox

  1. Meu pai, do que será que pessoas desse tipo tem tanto medo? Aff

    =**

  2. Arthur

    Não, não só acho que vale a pena como se deve sim discutir com essas pessoas. Tem algo que leio na Lu que não concordo muito, a idéia dela que coibir por lei o preconceito não funciona, que só existe o preconceito pois a sociedade o aceita, etc. Mas acho que se pessoas como esse seu repugnante colega de trabalho fossem coibidos seriamente, multados até, eles pensariam mil vezes antes de passar para frente os preconceitos deles. E assim, ele pode muito bem morrer um porco, mas não terá muito mais trabalho para sujar os outros. Agora deixar ele ficar falando besteiras é que não pode mesmo. Ignorar ele é permitir que esse comportamento continue por muito mais tempo.

  3. Cris, juntei-me à comunidade só pra ler a discussão. E nota-se que a criatura que atacou a medida a medida não se identifica em nenhum momento – nem no corpo do e-mail, nem no endereço eletrônico.

    E depois que as meninas começaram a ir à escola é que comecei, lenta mas inexoravelmente, a perceber e temer esse crescente exército preconceituoso que, hoje, está à frente de uma turma em sala de aula, veladamente criticando, discriminando e humilhando milhares de crianças por sua (talvez ainda não determinada) orientação sexual, religião ou cor de pele.

  4. Edu

    Andando no metrô Luz ontem, cheio de grades, percebi que somos gado. Só na base da chicotada é que nos comportamos. Então, muito infelizmente, talvez o Arthur esteja certo.

  5. Nossa, eu fico tão revoltada com essas coisas; o preconceito contra homossexuais é tão aberto e cruel, as pessoas tem orgulho de se dizerem preconceituosas. Eu sempre prefiro medidas educativas à punição, mas nesse caso, eu concordo com o Arthur. Assim como o racismo, a homofobia devia ser crime.
    Hoje na aula de francês eu fiquei assustada de ver como a homofobia é forte no mundo inteiro. O assunto da aula era adoção e a professora perguntava se nos nossos paises existia a possibilidade de uma mulher solteira adotar um filho. Ai eu falei que não sabia ao certo, mas que devia ser dificil, assim como é para os casais homossexuais. Havia dois italianos na sala e eles ficaram assustadissimos de perceber que alguns paises permitem a união homossexual. Eles ficaram dando risinhos nervosos, sabe? E falaram: na Italia não existem casais homossexuais. Como assim? Ai eles se explicaram, disseram que na Italia existem homossexuais, mas que ele não podem ter um casamento ou uma vida estavel, falaram também que os casais heterossexuais so vivem juntos se forem casados oficialmente e, de preferencia, pela Igreja. Não sabia que a Italia era tão atrasada assim. Fiquei assustada e fiquei refletindo sobre uma coisa: eu acho que a homofobia caminha de mãos dadas com o machismo. Quanto mais machista um pais, mais dificil é a vida dos homossexuais.

    Beijos

  6. taís, outro dia estava assistindo a canção nova (porque eu tento ser católica mas às vezes é bem difícil, viu?) e vi o paresentador de um programa, um professor, seriamente preocupada e afligido porque “no brasil agora falam de famílias com duas mães, dois pais” e por aí ia o discuros. percebo que em lugares ondem o catolocismo é muito forte a intolerância e o preconceito também é muito enraizado. talvez na itália também seja assim. porque o discurso dos seus colegas de turma não me convenceou, não.

    o melhor que já ouvi sobre o tema foi uma entrevista do marcelo nova: “ninguém é fiscal de cu”. ou seja, sejamos todos felizes, cada um a sua maneira 🙂

    (cris, não tenho comentado mas tô sempre aqui)

  7. Afe!

    Que que é, 2009 é o ano da homofobia e do cinismo? Se for, alguém me avisa que eu vou dormir, acordo só em 2010.

  8. É, esse é um assunto delicado e que tem que ser tratado com calma. Assim como o infeliz do comentário, existe muita gente que não vê com bons olhos a introdução de livros didáticos que promovam a igualdade entre homossexuais e heterossexuais. Fico só imaginando como aquelas famílias conservadoras vão receber essas propostas. Não vai ser nada fácil, nem para a escola e muito menos para os educadores.
    Sou a favor de uma política mais igualitária nesse sentido, mas acredito que é um assunto a ser tratado com cautela. Até mesmo a abordagem, como vai ser? Bem, agora é esperar pra ver, né?

    Concordo que é bem injusto pessoas que lutaram anos por esses direitos ter que ser comparadas com “bêbados, emos, fumantes e prostitutas” como se todos estivessem na mesma situação. Não faz o MENOR sentido.

    Beijo, Cris!
    Torcendo aqui pra acabar logo com essa síndrome do final de tese. 🙂

  9. Tina Lopes

    Amore, passo. Mas nosso restô ia ser o must, né? E vc servindo nas mesas de peep toe da Arezzo.

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