Com censura (?)

fuck

Tava correndo na praia hoje e pensando no assunto. Que o mundo está ficando careta de um jeito que até pra mim está difícil suportar às vezes. E olha que eu não sou nem nunca fui modelo de rebeldia nem nada. Sempre fiz a certinha: nunca fumei, bebo pouquíssimo, gosto de acordar cedo e comer coisas verdinhas que fazem bem. Mas isso nunca foi sacrifício pra mim e eu sempre acolhi bem outros estilos de vida. Sempre tive como amigos chegados pessoas bem diferentes de mim. Por exemplo, não vejo muita graça em eu mesma encher a cara [eu faço as coisas bem melhor estando sóbria, se é que me entendem], mas sempre adorei sair com meus amigos cachaceiros. Coisas ilícitas eu usei pouquíssimo nessa vida, mas se é de farra eu não recuso. Esse tipo de coisa. Então me irrita certo discurso doutrinatório que vez por outra eu encontro por aí. Ou certo tom de ‘reprovação’ muito nas entrelinhas, mas que eu – que só me faço de boba pra sobreviver, mas que de boba mesmo não tenho nada – sei identificar muito bem. Coisas que vão desde um ‘Você não se depila com cera?’, Você não tem carro e não sabe dirigir?’ até discurso anti-tabaco e anti-maconha, entre outras.

Posso começar falando da patrulha contra fumante. Bem, eu não fumo. Nunca fumei. Sou alérgica em último grau a várias coisas e já fiz uso durante anos de bombinha pra bronquite. Mas na minha casa amigo meu pode acender a chaminé e fumar o quanto quiser. Não me incomoda. Claro que eles têm bom senso e, em geral, procuram a janela. Mesmo em lugares públicos eu nunca faço cara feia, exceto em ônibus fechados. Me irrita profundamente aquele povo que dá chilique e faz ‘pregação’ contra fumo. Ah, dá vontade de dizer: ‘Vai te catar.’

Na verdade, o mundo tem se transformado num lugar bem chato. Por isso que quando amigos meus escrevem coisas como essa eu tenho vontade de dar um abraço e muitos beijos neles e falar: “Não muda não, por favor!”. Porque se o preço de ter um planeta mais ‘sustentável’ e etc, etc é viver cercada de gente insuportável, eu vos digo: quero mais é que tudo se exploda. Eu vou continuar tomando meu banho quente durante o tempo que eu bem quiser [e que se foda o meio-ambiente, eu trabalho pra cacete pra poder pagar a conta de luz], vou continuar sendo fã de feijoada, mocotó com feijão branco e outras comidas bregas e ‘incorretas’ e tô me lixando pro puritanismo da classe média.

E last, but not least: serei contra a reforma ortográfica até a morte. Maior caretice do mundo é querer acabar com a diversidade em nome do bom senso. ‘Bom senso’. Sei.

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16 Comments

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16 responses to “Com censura (?)

  1. Adorei e compartilho. Digo não à reforma ortográfica.
    E, fumante, gostei da defesa.
    Essa patrulha cansa.
    Abç

  2. monica

    A patrulha cruzadística contra o tabagismo parece tão TFP; daqui a pouco a punição será pena de morte para os fumantes.
    Mônica

  3. Edu

    Apoiado em todos os graus e assuntos! Abaixo a chatice deste mundo!!! 🙂

  4. isso aí, moniquets. pena de morte pra esse povo chato de galocha. 🙂

  5. Arthur

    Ihh vou ter que me esconder uns segundos, sou um dos que não gosto de cigarro, nem um pouco, tive que aguentar muiiiitttttttaaaaaaaaaaaaa fumaça dos outros e que ando bem mais feliz com essa mania anti-tabagismo atual. Mesmo a minha mãe só fuma na área de serviço lá em casa.

    E como sou da turma que tenta mostrar que se a gente não se adaptar rápido nosso planeta expulsa a gente dele, também visto a carapuça de tentar controlar alguns hábitos para não ser expulso tão cedo.

    Mas de qualquer forma hábitos são culturais e mudam, sempre acho que antes era pior, por exemplo acredito que é errado matar filhotes de foca só para fazer casaco de pele ou caçar baleias enquanto há muitas outras fontes de alimentos muito mais renováveis. Mas deixa eu parar e voltar para o meu cantinho.

    Bem, contra as comidas nem sabia que existia comidas politicamente incorretas, essa foi nova 😉

  6. cada um sabe de si, é uma seara onde não me meto. mas. não gosto de cigarro. então, evito lugares onde as pessoas estão fumando. e sempre achei fumar em restaurante muita falta de educação (não estou falando de saúde e nada desse discurso “verde”, não. acho falta de educação mesmo). quando estou num lugar comendo e tem gente fumando, chamo o garçon e peço para que ele fale com o fumante. se não der certo, falo eu mesma. me dá nojo comer com fumaça de cigarro.

    bjus,

    lulu, a chata.

  7. Gente, acho que não ficou claro. eu também não gosto de cigarro pra mim. a gente pode não gostar de certas coisas. eu, por exemplo, não gosto de patrulha e o que acontece é que o nível da histeria está beirando o insuportável, na minha opinião. pra falar a verdade, fumaça de cano de descarga de carro me incomoda muito mais que cigarro e eu nunca vi nenhuma campanha séria contra. thur, claro que eu não sou a favor que matem filhotes de foca, nunca fui. aliás, nesse ponto eu concordo com o peter singer quando ele questiona o fato estabelecido de os seres humanos terem mais direitos que os animais. eu só acho que tanta patrulha deixa a vida chata. bem, pelo menos a minha. quanto às comidas ‘politicamente incorretas’, isso é só brincadeira. na verdade elas são bregas mesmo. chique é comer no japonês [e eu acho comida japonesa a coisa maaaaaaiiisss sem graça do mundo], hehehehehe. bjs

  8. eu que tenho uma alergia terrivel de cigarro dou chilique SIM e faço pregaçao SIM!
    tanto que já é o segundo namorado que eu tiro desta vida de fumaça… ahUAHuahUAH…

  9. Olha, eu não sei quem inventou o bom senso, mas como tudo na vida, é muito relativo. Não vejo senso ALGUM nessa reforma. rs Nunca vou aceitar a explicação pra “idéia” não ter mais acento. Pra mim sempre vai ter.
    Mudar é necessário quando É necessário. Entende? rs
    Eu li esse post do Filhas do Dono! Olha, já disse que ela não está sozinha no mundo. Mas será que ainda há salvação? 😛 Também nunca fumei, mas porque não tive vontade mesmo. Isso nunca me impediu de frequentar festas e casas de pessoas que o fazem e que estes frequentassem a minha casa. Acho que, assim como TUDO, é um hábito que cada um escolhe pra si, ou não. E eu não tenho nada a ver com isso. A pessoa quer ouvir funk no celular no talo? Ouça! Problema dela! Barraco nunca adiantou nada. Só serve pra aumentar o estresse. Mas a gente levando, né?

    Beijo!

  10. Eu nao concordo com voce, Stella. Falta de respeito tem limites. A pessoa quer fumar? Ótimo para ela! Só que ninguém mais é obrigado a respirar sua fumaça. Quer ouvir funk no talo? Perfeito: quarto com isolamento acústico! Cada um na sua, sim, mas sem invadir e desrespeitar a vida alheia.
    Mas também é só o que eu acho.

    E Cris, ainda sobre o seu post, sei lá viu? Eu tomo meu banho quente e demorado, sim. Me permito este prazer. Mas em relação a diversas outras coisas, eu simplesmente não consigo ficar parada no tempo. Reciclagem de lixo por exemplo, acho um absurdo que hoje em dia as pessoas continuam tendo preguiça de usar duas sacolas. Uma coisa tão simples! Eu observo pelas ruas aqui da minha cidade, onde tem coleta seletiva: é infimo o numero de pessoas que participam do projeto e, PORRA, a Prefeitura vem buscar tudo na nossa casa, a pessoa não tem nem que se locomover além da sua própria calçada! Poderia estar auxiliando algumas pessoas a terem uma renda ao contribuir com a cooperativa de reciclagem e poderia, de um jeito tão simples, dar uma mãozinha para diminuir a sua própria poluição.
    Eu acho que muitos desses discursos não são sobre “não querer mudar sua essencia”, mas sim preguiça. Uma grande e assustadora preguiça que a essa altura do campeonato, é bem preocupante.

  11. Lu, qurida, tem várias coisas. eu separo o lixo, porque no meu prédio a gente tem que fazer isso. eu faço numa boa, mas na verdade, não acho que isso muda muita coisa. a gente vive dentro de um modelo capitalista e excludente. as fábricas são as maiores poluentes, a mídia te empurra pro consumo desenfreado e por aí vai. aí eu, pobre cidadã que acordo às 5 da manhã pra ralar, vou perder meu sono por conta do meu lixo e por causa do futuro do planeta? eu acho meio hipócrita. parece preguiça, mas não é. eu já disse, eu faço. mas não acredito. e pra mim esse discurso do ‘cada um na sua, mas sem desrespeitar a vida alheia’ é meio perigoso. mal comparando – veja bem, isso é só um paralelo – tem muita gente que acha que ver duas pessoas do mesmo sexo de mãos dadas na rua ou trocando um beijo é a maior falta de respeito do mundo. então eu acho que um pouco de tolerância com o diferente também é bem vinda. eu não gosto de funk, mas tento entender que ele é a música preferida dos meus alunos, por exemplo. por que os meus valores e as minhas músicas são melhores? bem, acho que eu misturei um monte de coisas que no fundo deságuam numa só. um grupo determina o que é bom e saí ‘perseguindo’ quem age diferente. pra mim, no fundo, é tudo fruto dessa mesma ‘patologia’.

  12. Arthur

    Vamos lá cris, vc está misturando bolas, preconceitos de qualquer especie devem ser combatidos na minha opinião, assim eles não devem entrar no quesito incomodar os outros, agora cigarro faz mal, não tem como negar e ponto.

    Assim não vejo problema nenhum em vc fazer mal a vc mesmo e fumar até os seus pulmões secarem, só não pode fazer mal aos outros, e encher os outros com a tua fumaça do teu cigarro faz mal aos outros. Antes os não fumantes eram perseguidos, eram as vitimas que além de terem que aguentar o preconceito por não fumarem sofriam os malefícios do cigarro por serem obrigados a respirar a fumaça dos outros, agora o que aconteceu é que isso se inverteu, e eu acho certo, que fumar, sem neura fuma, mas longe dos não fumantes que não tem nada a ver com o seu desejo de destruir o seu pulmão.

    Quanto a reciclagens, usos em excessos de sacolas e tudo o mais, tudo isso vai na mesma linha do jogar ou não lixo no chão, nos rios, praias, etc. Você acha bonito ver alguém jogando papel na rua? Latinha? Garrafas? Acho que não, porque? Porque conseguimos conscientizar as pessoas que isso é nocivo para elas mesmas. Agora o que está sendo feito é um esforço de conscientização de atitudes que parecem ínfimas e insignificantes quando só um o faz, mas que quando multiplicado pelos centenas de milhões de brasileiros, ou mesmo bilhões do mundo fazem sim uma enorme diferença .

    Se vc quiser eu te mostro os quadros de aquecimento global e outros problemas ligados a sustentaridade da humanidade neste planeta. No fim, a diferença é se queremos continuar vivendo neste planeta ou não, a natureza e a Terra estão pouco se lixando para nós, e quando nossas atitudes tornarem a nossa existência aqui insuportável a gente vai ser extinto e depois de alguns milhares de ano todo o “estrago” que fizemos já terão desaparecidos.

  13. Arthur, onde é que eu assino? rsrs.
    Eu ia responder mais ou menos isso mesmo.

    “as fábricas são as maiores poluentes, a mídia te empurra pro consumo desenfreado ”

    As fábricas são mesmo os maiores poluidores? Elas podem gerar resíduos em maior concentração, mas e a gigantesca quantidade de seres humanos fabricando milhões de toneladas de lixo de várias espécies, diariamente? A mídia te empurra para o consumo desenfreado, mas é você quem escolhe o que vai consumir, como e quando vai consumir. Fazemos as nossas escolhas.

    Certa vez eu li uma frase [não me lembro onde, nem a quem pertence] que dizia o seguinte: “a gente é aquilo que queremos para o mundo”. Eu penso exatamente como o Arthur. Se formos pensar que a nossa atitute é tão pequena a ponto de não mudar nada, então nem precisamos mais nos preocupar em não jogar lixo na rua, não disperdiçar alimentos, não chutar um cachorro na calçada, em guardar uma grana para fazer uma doação a uma instituição de caridade… Sequer precisaremos ensinar essas coisas aos nossos filhos, afinal, não vamos mesmo resolver o problema da poluição, da fome, da falta de ética, da má distribuição de renda, etc…

  14. (todo mundo inspirando e expirando bem tranquilamenteeeeeeeeeeeeeeee junto comigo agora, tá?)

  15. lu, pra fechar o carreto:

    ponto 1: “Fazemos as nossas escolhas.” sorry. não fazemos não. depois que a psicanálise solapou a autonomia do sujeito consciente, a gente já viu que não é bem assim. porque a gente tem desejos, etc, etc.

    ponto 2: “Se formos pensar que a nossa atitute é tão pequena a ponto de não mudar nada, então nem precisamos mais nos preocupar em não jogar lixo na rua, não desperdiçar alimentos, não chutar um cachorro na calçada, em guardar uma grana para fazer uma doação a uma instituição de caridade…”

    eu faço muitas dessas coisas. mas faço apenas porque acho certo. porque fui educada assim, são valores que eu tenho e que eu passei pro meu filho. agora, na real, a nível ‘macro’, não tenho a ilusão de estar salvando nada, nem acho que vou deixar mundo melhor pra ninguém. é meio pessimista, mas é o que eu penso, linda. e bora falar do bahuan? hahahaha. bjs

  16. eu não fumo, mas se tem uma coisa que não me incomoda é cigarro.

    não sei se é porque meu pai fuma muito desde sempre.

    eu fico sem graça pelos fumantes tendo que se justificar, deve ser muito chato.

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