Balanço anual

Com a aproximação do goddamn ‘dia dos namorados’, faz-se necessário um balanço pra detectar perdas e ganhos no quesito ‘casos amorosos’. Bom, melhor falar dos ganhos primeiro. Desde que me separei, eu não posso me queixar de nada. Ainda que não tenha sido ‘ideal’, sempre choveu na minha horta. A questão, porém, é: eu tenho um mega-talento pra me envolver com gente enrolada de todas as espécies. Os não-enrolados, que são a minoria [porque também são minoria no mundo, diga-se de passagem], têm a desvantagem às vezes de morar longe, o que os coloca, consequentemente numa catetoria intermediária. Semi-enrolados, digamos assim.

Falando do meu talento natural pra encrencas amorosas, eu consigo identificar esse traço na minha personalidade desde o primeiro momento na vida em que Legos, Playmobils e brincadeiras empoleirada em árvores deixaram de ser a coisa mais importante do mundo. Parece ter sido mandatório, desde o iniciozinho,  que o virtual candidato tivesse alguma dificuldade inerente, ou então nada feito. Parecia não ter graça. Como depois desse meu post aqui fica muito difícil eu querer dizer que tudo não passa de mera coincidência [uma vez ou duas ainda vai, mas SEMPRE?], e levando-se em conta o fato de que eu tive que dar uma parada na análise e não vou poder ‘mexer’ nisso por algum tempo, fica a pergunta: o que fazer, amiguins?

Eu pensei numa lista, tipo aquela do Ross na primeira temporada de Friends. Bem, não exatamente igual à do Ross – já que eu não tenho que decidir entre duas potenciais candidatas , mas uma lista pra ajudar a definir a identidade do conceito ‘não-enrolado’ e assim fugir de encrencas. Em primeiro lugar, o mais importante: eu não quero mais casar nessa vida. Portanto, alguém que preencha as expectativas, será alguém pra ir ao cinema, jantar fora, eventualmente viajar e – óbvio – trocar muitos fluidos corporais. Portanto, nada de coisas chatas e brochantes, tipo discutir a lista da feira ou o aumento do aluguel.

Então, continuando, eu diria que alguém que não é enrolado, consegue se encaixar nessas situações a seguir e/ou entender as seguintes premissas:

1. Alguém ‘não-enrolado’ é, como o próprio nome  diz, alguém que não tem rolos com outros seres, humanos ou não. Certo, eu não vou excluir a  possibilidade de terceiros ou quartos na relação, mas deixando bem claro que o prato principal sou eu. A prioridade sou eu. Os planos são feitos comigo. Essa história de ‘meu-amor-eu-te-amo’, mas, na hora do vamu vê, sou eu que tenho que fazer a compreensiva e sempre ceder a favor de outrem está fora de questão.

2. Sem joguinhos, sem neuras, sem mentiras. Eu passei muitos anos da minha vida até chegar a essa configuração de hoje e digo sem medo de errar: mentira é algo que desperdiça energia. Ainda que a pessoa não minta pra mim, mas pra outro ser. Isso me brocha. E eu prefiro uma verdade ultra-dolorida a uma mentira esfarrapada.

3. Definitivamente, eu sou mãe apenas do rapazinho que mora comigo. Quem está a fim de alguém que lhe passe a mão na cabeça, seja sempre compreensiva e boazinha e faça todas as concessões possíveis – já que não aprendeu a lidar com um traço básico da vida, a frustração – favor amarrar o burro em outro poste que não o meu.

4. Eu não entro em disputa. Mas sou ciumenta – sim – sempre deixando claro que preciso ‘trabalhar’ esse defeito. Ciúme só me acomete quando não fica claro meu lugar e meu papel em alguma situação. Tirando esse dado, eu divido tudo.

5. O lugar de neurótica-mor da relação é meu, faizfavô.

6. Eu choro quando estou em TPM. Choro, quero morrer, preciso de colo e muito cafuné. Mas passa rapidim.

7. Eu gosto de carinho e atenção, como todo mundo. E dou na medida que recebo. Mas, vejam, eu não elejo ninguém para ser minha prioridade number one na vida. Se a pessoa acha que, porque eu gosto de cuidar e dar mimos, estou obcecada e cega de paixão, então ela não entendeu nada de nada.

8. De preferência, quero ter ao meu lado pessoas que sejam coerentes com aquilo que falam. Que sejam comedidas; que não prometam demais.

9. E, last but not least. Alguém que goste tanto de séquisso quanto eu. Que não sejam protocolares, que sejam criativas e gostem de experimentar. De chato já chega o trabalho da gente.

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Então, será que estou sendo muito exigente? Claro que além dessas coisinhas aí de cima, existem outras que eu nem citei porque já são o default. Tipo,gente homofóbica e racista não se aproxima de mim num raio de 5 quilômetros, a menos que seja por exigência de trabalho. E tem as perfumarias também. Ser interessante, gostar de filmes e livros e ser divertido. Será que tem alguém assim no mundo? Essa é uma pergunta típica de mocinha de 18 anos, mas se existir um mísero 0,0000001% da população que preencha esses requisitos eu já não vou me achar tão loser assim. Fica aí o anúncio. Meninos e meninas, cartas pra redação.

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6 Comments

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6 responses to “Balanço anual

  1. A-d-o-r-e-i! Mas nao preencho todos os requisitos..!
    Olha, na minha humilde opiniao, atrair pessoas enroladas nao nos faz losers. O que nos faz losers eh o fato de persistir ali do lado de quem nao preenche os pre-requisitos basicos, a espera de um milagre! Acredito ainda q milagres acontecam, no entanto, enquanto aguardamos, o tempo vai passando, nao espera ninguem!!!
    (nossa, abusei das virgulas neh..rs)
    Mas e entao…concordam comigo ou nao..>

  2. pois é, almê. persistir no erro é uma baita coisa de loser, eu acho…

    😦

  3. Edu

    Eu acho que você merece 100% dos seus desejos atendidos!

  4. eu também acho, eduzim, mas só sendo o gênio da lâmpada pra atender, entende? na real, acho que isso aí que eu escrevi não existe não. não nesse planeta, hihihihi. bisous

  5. Ana Paula

    Oi, Cris

    Força na peruca, não perca a Fé.
    Sonhar e desejar não é proibido, somos humanas.
    Papai do Céu vai arranjar um pra você!!! bja,

    Ana Paula

  6. Poxa… tinha feito um comentário e o site não mandou. :~ Apagou…
    Vou tentar escrever de novo… mas nunca sai a mesma coisa, né?

    Ah, Cris, a gente erra muito. MUITO mesmo! E acho que só acertamos quando não percebemos que estamos acertando. rs

    Acho que você está fazendo exigencias pra caramba! Mas tem mais é que ser exigente mesmo!! Qualquer coisa é pra quem não sabe o que quer. E você parece saber o que quer. Menos não é suficiente. 🙂

    Então, boa sorte com tudo: com o amor, com a vida, com o trabalho, com o ciúme e com tudo mais que vem no pacote.

    Beijos!!!

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