Monthly Archives: June 2009

A [quase] alienada

Tem tanta coisa acontecendo aí pelo mundo. Teve o acidente da Air France, as eleições no Irã, tem o AI5 digital e agora o Michael. E, claro, tem gentes maravilhosas – e nem tão maravilhosas – escrevendo sobre esses assuntos. Eu leio e acompanho tudo, mas, aqui nesse meu espaço, dificilmente alguém vai ler sobre esses trending topics [pra usar uma terminologia do Tuíter].

Eu tenho me sentido, de certa maneira, bastante alienada e sem vontade de pensar sobre nada a não ser aquele assunto do qual ninguém aguenta mais me ouvir falar. É a sina de todo doutorando. Evoluir e virar um chato.

A única coisa que tem realmente me interessado – e sobre a qual eu tenho vontade de falar e escrever – é algo bem pequeno, de interesse, talvez, para duas ou três pessoas no âmbito da academia. A minha pesquisa toda se faz em torno de uma palavra, um conceito, que é justamente o conceito de ‘entendimento’. Não é o que acontece ‘dentro’ da cabeça de alguém, quando esse alguém compreende algo, mas sim o que nós chamamos de ‘entender’.

Complicadinho. Eu mesma custei a dissociar as duas coisas. Custei a entender que há a possibilidade de falar de entendimento sem recurso a uma dicotomia interno/externo. Que, quando alguém diz ‘Entendi’, não está se referindo a sinapses ou a quaisquer processos mentais.

Vou parar por aqui porque, como eu disse, o assunto é mesmo desinteressante [pra todo mundo; menos pra mim]. Eu vou continuar pagando de alienada e, na boa, não me importo muito com isso. Eu adoro ter um espaço pra postar minhas historinhas de vida e meus vídeos de música. E me espanto por ter gente que gosta de lê-los.

Não tenho leitores – seria uma baita pretensão – mas tenho amigos que me divertem e enternecem com os comentários que fazem. Pra mim, meu blog vai continuar com essa cara: alienado, mas numa boa. Daqui a pouco [bem pouco, posso garantir] a tese acaba e eu vou continuar nessa pegada. Tem coisas que eu adoraria discutir, mas tem que ser olho no olho, tomando um café e prestando atenção a cada inflexão de voz dos meus interlocutores.

Assim a seco, na letra, preto no branco não tem graça. Por isso tudo, vou pegar emprestado as palavras de  Aline Durel, personagem de Grace Gianoukas num dos sketches mais legais da Terça Insana: “Deixem-me ser burra; ser intelectual dói!”. [Cadê meu quartinho de Lexotam?]

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Bonitinho

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Achei tão, tão fofo [Incrível como Amoxilina me faz ver o mundo com lentes cor-de-rosa, hehehe]

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Noite de São João

É hoje, né. Eu tô aqui batendo queixo de frio, mas é por causa do febrão que me consome desde cedo. Na minha cidade é feriado, mas como trabalho na outra, tive que voltar correndo e mais cedo. Aí ‘pra não passar em branco’ eu resolvi postar esse vídeo. Porque eu quase choro ouvindo isso aí.

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Complementando…

… o post aí debaixo [e também porque já são 11:10 da matina e eu tô aqui escrevendo abobrinha, em vez de caçar algo produtivo pra fazer. Enfim]. Lembrei de outro conto que me deixou assim, meio com cara de paspalha, meio de boca aberta. Sabe essas coisas que a gente lê e que caem como uma pedra na cabeça? [o Alex diria, certamente, se lesse essa minha metáfora, que isso é uma baita idiotice. Que uma pedra na cabeça não é algo bom, logo um livro que lhe cai como uma pedra na cabeça também não pode sê-lo. Da mesma forma que se é como um soco no estômago não pode ser bom. Mas deixemos o Alex de lado e voltemos à minha pedrada].

Então. Era minha última noite em Porto Alegre e a muié resolve – depois de horas de conversas sobre as nossas existências ínfimas e do absurdo delas – me dar um livro pra ler. “Lê só esses dois contos. Tu vais ver que beleza”. Não foi exatamente isso que ela me disse, mas imaginemos que seja [Hugaia Hassan tem um texto no qual ela fala sobre ‘suspension of disbelief’ que é basicamente um mecanismo que nos faz aceitar a ficção e encontrar prazer no texto. Então, por favor, acreditem que foi dessa maneira e me deixem terminar].

Eu li e fiquei do jeito que falei ali em cima, com a boca meio aberta, as palavras reverberando na minha cabeça. Eu acredito que a boa literatura seja assim. Nem sempre a gente consegue tecer considerações lógicas sobre o texto, mas, de algum modo, aquilo te remexe, machuca, ou, como diz o Caio [o Fernando Abreu], aquilo vai certeiro “na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente”.

E que contos tão terríveis eram esses? Um deles eu me lembro o nome. É “Ventre seco” e o autor é Raduan Nassar. O outro também era desse autor, mas, embora tenha gostado, não cortou tão fundo quanto esse. Talvez, quando ler esse post, dona Débora me ajude a lembrar.

Porque amigo bom precisa ser desse jeito. Te faz pensar na existência louca que tu levas, te apresenta um autor ‘leve’ desses quase à meia noite – e você tentando arrumar na mala as mil coisas que comprou na capital gaúcha –  e te ensina como lápis de olho marrom e sombra chocolate Duda Molinos te transformam numa nova mulher. Não é fácil encontrar amigos assim; por isso tenho tão poucos deles.

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Leituras inesquecíveis

A Tina falou de trechos inesquecíveis de alguns dos livros favoritos dela. Pena eu não ter lido nenhum da lista, mas vontade não me falta [pelo jeito, após a tese, terei leituras suficientes até fecharem meu caixão. Bom isso]. Puxando pela memória, lembrei de um livro maravilhoso, quase desconhecido do grande público, mas uma das melhores coisas da literatura brasileira, segundo um antigo professor meu [e um dos melhores que tive na universidade]: “Crônica da casa assassinada”, de Lúcio Cardoso. Revirando meu blog-defunto [O Eu profundo, agora definitivamente fechado], encontrei uma bobagem que escrevi sobre o livro em agosto de 2005:

Crônica da Casa Assassinada“, você já ouviu falar? Algum dos seus professores de literatura no segundo grau já mencionou o nome de Lúcio Cardoso? Pois eu só o conheci por obra de um professor de graduação que me apresentou o dito cujo. Graças ao José Carlos Barcelos, professor muito querido, eu li um dos melhores textos da literatura brasileira, no qual a fronteira entre prosa e poesia é muito tênue. A Revista Carcasse, ao comentar o livro, diz: “A cultura solar do Brasil, cheia de festas, alegria, otimismo, risos e fantasias também abriga uma vertente sombria, sinistra, agoniante. É neste nicho que se encontra a literatura do mineiro Lúcio Cardoso (1913-1968). Seu universo [é] atormentado, de contra-luz (…), de desespero e solidão (…)” Não é literatura para a gente ler e sair leve. É angústia no seu estado mais puro, é literatura na veia, é texto que seduz pela maestria com que é tecido. E do qual, certamente, a gente não consegue sair impune.

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PS.: Esse post tá com cara de rádio relógio: “Você sabia?”

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Então, se animaram? Não é muito fácil se entusiasmar pelo livro. “Crônica” não tem uma narração linear; vários são os narradores, cada um apresenta seu ponto de vista sobre os fatos e você só consegue – de alguma maneira – make sense sobre os fatos narrados depois que o livro termina. É a história de uma família mineira tradicional e decadente, é o relato da paixão de um filho pela mãe, tem incesto, tem angústia, morte, enfim: tem uma penca de coisas pesadíssimas que Lúcio Cardoso transforma em poesia pura em alguns momentos. Eu gosto muito; li várias vezes e, de vez em quando, pego o livro na estante só pra ter o prazer de ler meus trechos favoritos, todos devidamente marcados.

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E já que o post é sobre leituras inesquecíveis, reproduzo aqui minha lista top ten de contos inesquecíveis [ na verdade, top eleven].

1. A hora e a vez de Augusto Matraga, Guimarães Rosa.

2. A Biblioteca de Babel, Jorge Luis Borges.

3. Emma Zunz, idem.

4. A Temporary matter, Jhumpa Lahiri.

5. A pair of silk stockings, Kate Chopin.

6. A hunger artist, Kafka.

7. Where are you going, where have you been? Joyce Carol Oates.

8. Feliz aniversário, Clarice Lispector.

9. A igreja do Diabo, Machado de Assis.

10. Aqueles dois, Caio Fernando Abreu

11.  O vestido vermelho, Dalton Trevisan

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E, pra terminar de uma maneira simpática: quais são as suas leituras inesquecíveis?

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Considerações pós-final de semana

Colega conversando comigo sobre minha pesquisa:

Colega X: Por isso que eu não gosto disso aí que você pesquisa.

Eu: Ah, é? E por quê?

Colega X: Porque não tem resultados.

Eu: Entendi. Você acha que precisa de respostas, certo?

Colega X: Sim, tem que chegar a algum lugar.

Eu: Mas é que essa perspectiva que eu pesquiso tem algo do ‘fazer filosófico’. Inclusive eu falo isso. Está mais pra uma reflexão filosófica; não oferece resposta pronta. Aponta caminhos e só.

Colega X: Taí, é por isso. Eu também não gosto de filosofia.

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E eu cá penso com meus botões: “As pessoas crédulas são tão mais felizes, né?”

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Imagine

Que um belo dia você sai de casa pra fazer uma tatuagem-zinha e alguém faz isso em você.

Acho que eu morria. Mas antes matava o desgraçado, bem matadinho.

[Bom, sempre lembrando que gosto é gosto. Aliás, ceis repararam na cara do tatuador? Meda.]

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Via Rakelita [minha amiga, dona das mais belas tatoos eva.]

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Aliás, se eu fosse fazer uma [tatoo] ia ser no peito do pé, do lado esquerdo. Por quê? Sei lá, acho digno. Rs. E vocês?

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