A [quase] alienada

Tem tanta coisa acontecendo aí pelo mundo. Teve o acidente da Air France, as eleições no Irã, tem o AI5 digital e agora o Michael. E, claro, tem gentes maravilhosas – e nem tão maravilhosas – escrevendo sobre esses assuntos. Eu leio e acompanho tudo, mas, aqui nesse meu espaço, dificilmente alguém vai ler sobre esses trending topics [pra usar uma terminologia do Tuíter].

Eu tenho me sentido, de certa maneira, bastante alienada e sem vontade de pensar sobre nada a não ser aquele assunto do qual ninguém aguenta mais me ouvir falar. É a sina de todo doutorando. Evoluir e virar um chato.

A única coisa que tem realmente me interessado – e sobre a qual eu tenho vontade de falar e escrever – é algo bem pequeno, de interesse, talvez, para duas ou três pessoas no âmbito da academia. A minha pesquisa toda se faz em torno de uma palavra, um conceito, que é justamente o conceito de ‘entendimento’. Não é o que acontece ‘dentro’ da cabeça de alguém, quando esse alguém compreende algo, mas sim o que nós chamamos de ‘entender’.

Complicadinho. Eu mesma custei a dissociar as duas coisas. Custei a entender que há a possibilidade de falar de entendimento sem recurso a uma dicotomia interno/externo. Que, quando alguém diz ‘Entendi’, não está se referindo a sinapses ou a quaisquer processos mentais.

Vou parar por aqui porque, como eu disse, o assunto é mesmo desinteressante [pra todo mundo; menos pra mim]. Eu vou continuar pagando de alienada e, na boa, não me importo muito com isso. Eu adoro ter um espaço pra postar minhas historinhas de vida e meus vídeos de música. E me espanto por ter gente que gosta de lê-los.

Não tenho leitores – seria uma baita pretensão – mas tenho amigos que me divertem e enternecem com os comentários que fazem. Pra mim, meu blog vai continuar com essa cara: alienado, mas numa boa. Daqui a pouco [bem pouco, posso garantir] a tese acaba e eu vou continuar nessa pegada. Tem coisas que eu adoraria discutir, mas tem que ser olho no olho, tomando um café e prestando atenção a cada inflexão de voz dos meus interlocutores.

Assim a seco, na letra, preto no branco não tem graça. Por isso tudo, vou pegar emprestado as palavras de  Aline Durel, personagem de Grace Gianoukas num dos sketches mais legais da Terça Insana: “Deixem-me ser burra; ser intelectual dói!”. [Cadê meu quartinho de Lexotam?]

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15 Comments

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15 responses to “A [quase] alienada

  1. madoka

    hahahahahahaha sabia que o Caio F adorava a Grace. Deve ser genial.
    Por isso mesmo, não entrei na onda dos meus colegas da academia, e não fui pra pós,nem nada hahahahaha deixem-me ser burra, é bom demais isso né.
    Pode ter certeza, sou sua leitora. E um dia queria ir pro Rio, que nem conheço e tomar um shopp contigo rs.
    bjs
    madoka

  2. madoka

    ah Cris, fiquei vendo vídeos do Litlle Joy
    na semana. Virei fã da banda e do rapaz do Los Hermanos, muito interessante ele.
    bem que eles poderiam vir aqui para turnê.
    bjs
    madoka

  3. ah, madoka, sério que o caio gostava da grace? eu adoro essa aline durel, amo. virou meu ícone, hehe. agora, já pensou, little joy no japão? eles estão no comecinho, mas, daqui a pouco, quem sabe? beijokas

  4. Terça insana é suuuper. Fiz xixi na calça de tanto rir com a Aline Durel e coisa e tal. Ah, sou sua leitora siiiim. Super. Mega top. haha
    =**

  5. Custa caro pensar demais. Pior mesmo é entender demais. As vezes eu fico feliz qdo não entendo algo, dai to lendo os blogs e de repente alguem explica. A sensação é de “nao, nao, eu nao queria saber, oh meu deus!!!” *rs*

  6. Hoje eu fiquei uma meia hora lendo 5 parágrafos pra tentar, mais uma vez, entender o conceito de sujeito e seus desdobramentos na AD. Posso dizer que progredi bastante, fiz esqueminhas e anotações.
    Mas é isso mesmo: pensar dói.

  7. Adoooooro Aline Durel! hahahah… 😀
    Mas, olha só, chamavam Lispector de alienada também… 😛

    Eu não vou fazer post sobre o Michael Jackson porque não vejo a menor necessidade.
    Coitada é da Farrah Fawcett, que morreu e recebeu só uma notinha minúscula…

    Beijos, Cris!

  8. Assunto difícil o a da sua tese, não tô enteeeendeeeeeeendo…rsrsrs
    Vc não precisa falar sobre o que todo mundo fala, isso não é ser alienada, mas original:)
    Beijocas

  9. Drinha

    e quem disse que vc não tem leitores???
    te encontrei e não largo mais!

  10. karol, você é uma fofa-querida, isso sim. bjs

  11. haline, eu tenho a mesma impressão [sobre pensar demais]. porém, difernete de vc, adoro quando alguém diz por mim coisas que eu imaginei, mas não tive saco, tempo ou talento pra dizer. bjs!

  12. mas, bruno, AD é pior que Wittgenstein. eu acho. 🙂

  13. Ah, stella, que linda você, citando clarice. poxa, se diziam que ela era alienada eu ainda tenho uma chance, né mesmo? rs. bjs

  14. tatinha, meu amor, valeu pela força [mas um amigo meu falou que a gripe suína tá pegando feio em são paulo e eu nem sabia, mais alienada impossível, hahahahaha]. bjs, loveya

  15. obrigada, drinha. volte sempre. bjs

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