Monthly Archives: July 2009

“Entrando corajosamente no viveiro das incertezas”

Pelo menos na parte “desenvolvida” do planeta, têm acontecido, ou pelo menos estão ocorrendo atualmente, algumas mudanças de curso seminais e intimamente interconectadas, as quais criam um ambiente novo e de fato sem precedentes para as atividades da vida individual, levantando uma série de desafios inéditos.

Em primeiro lugar, a passagem da fase “sólida” da modernidade para a “líquida” – ou seja, para uma condição em que as organizações sociais (estruturas que limitam as escolhas individuais, instituições que asseguram a repetição de rotinas, padrões de comportamento aceitável) não podem mais manter sua forma por muito tempo (nem se espera que o façam), pois se decompõem e se dissolvem mais rápido que o tempo que leva para moldá-las e, uma vez reorganizadas, para que se estabeleçam. É pouco provável que essas formas, quer já presentes ou apenas vislumbradas, tenham tempo suficiente para se estabelecer, e elas não podem servir como arcabouços de referência para as ações humanas, assim como para as estratégias existenciais a longo prazo em razão de sua expectativa de vida curta: com efeito, uma expectativa mais curta que o tempo que leva para desenvolver uma estratégia coesa e consistente, e ainda mais curta que o necessário para a realização de um “projeto de vida” individual.

Zygmunt Bauman, Tempos Líquidos

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Alguém aí teve uma sensação incômoda lendo isso? Eu tive.

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I <3 Twitter

tweets of science

Imagem daqui.

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Não sei como alguém pode NÃO gostar de Twitter. É onde tudo acontece. Teve o #lingerieday, por exemplo. Não, eu não vou explicar, sem chance. Até porque, se você jogar no Google, vai ver que tem muita coisa. Mas o legal foi ver a coisa toda acontecendo em tempo real e constatar como as pessoas são contraditórias. Foi, sem dúvida, *a* discussão.

Mas tem outras coisas menores também. Ontem eu não conseguia terminar a introdução, tava chateada, me achando loser [drama queen total]. Entrei no Twitter e meia hora depois a coisa tava pronta [estou pensando seriamente em colocar os nomes dos meus contatos na página de agradecimentos porque, né. Sem eles eu nada seria].

Por fim, tem a questão da linguagem. Nesse aspecto, o Twitter merece um estudo multidisciplinar. Doutorandos TDAs do mundo [como eu]: uni-vos. Agora deixa eu ir ali ver meus updates.

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A volta dos que [nunca] foram

phd comics

Queridos amiguinhos:

As coisas aqui em PhD Land vão bem. Hoje botei a cabeça fora do buraco só pra ver se vocês estão se comportando, comendo todos os legumes e fazendo o dever de casa. Ah! É verdade, sem dever de casa, estamos de férias. Férias. Eu escrevo isso e voces pensam logo em praia, água de côco, rede, ou então casinha na montanha, lareira e fondue. Esqueçam. Vocês sabem que na academia se fala em “ressignificar conceitos”, atribuir novos significados. Pois no meu mundinho “férias” quer dizer apenas o tempo perfeito pra você terminar o trabalho que o seu trabalho não te deixa terminar. Uma felicidade só, é sério.

[Dei uma parada no blog porque eu ando obsessiva, só falo em tese e isso é chato, muy chato. Tô parecendo criança de dois anos com fixação no próprio umbigo. Mas, hein, pra não perder a viagem, deixa eu contar: a mocinha tá ficando bonita, viu? Mães são sempre sem-noção e acham que os filhos são lindos, não é mesmo? Pois ai de quem disser naquela banca que a minha filha não é linda. Mimato].

É isso. Daqui a pouco eu volto, porque tem uma conclusão aqui esperando pra ser parida. Beijos em todos.

Cris

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In other words: happy Monday!

Uma mulher linda, uma música deliciosa, uma segunda-feira de chuva e frio no Ridejanêro e eu de férias. In other words: life can be perfect.

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Ctrl C Ctrl V

A preguiça é muita, mas como eu nem penso em fechar a quitanda [lembrei de alguns lugares da Europa, como em Portugal, onde os donos de restaurante fecham os estabelecimentos no verão e vão fazer coisas mais divertidas no Algarve, por exemplo. Acreditem povo, eu ando fazendo coisas bem divertidas. Ponto.], vamos a uma sessão de copy-paste.

Mas, antes disso, alguns comentários. Quando sento aqui pra tentar terminar o capítulo que nunca termina, eu, invariavelmente, dou uma passada pelos blogs pra me atualizar. Comecei muito tardiamente a ler a Marjorie Rodrigues [eu sou sempre a última a me render às coisas boas, sabem? Eu fico resistindo, resisitindo, mas no final é isso, viro fã]. Nem preciso dizer porque é óbvio, o blog é maravilhoso e eu tenho aprendido muito. Tenho aprendido, por exemplo, que a linguagem captura a gente e fica difícil, às vezes, enxergar as armadilhas. Tô falando no sentido específico de que a propaganda, a mídia, em geral, trata as mulheres de uma maneira abominável e a gente [eu, no caso] custa a se tocar desse fato. Como diria meu amigo austríaco, é preciso um treino. E treinar lendo o blog da Marjorie é uma delícia.

Além da Marjorie, descobri um outro bloguinho, acho que através de um comentário na Lu. A moça deixou o recado e eu fui ler do que se tratava, enxerida que sou. Achei bacana também, e gostei mais ainda porque a Marjorie deixou um comentário no texto da moça que eu achei fantástico. Daí o título desse post, porque é esse textinho despretensioso e certeiro que eu vou colar aqui. Sabe quando você lê algo e pensa: ‘É isso’? Aconteceu comigo quando li. Apesar de curto, tem material pra caramba pra reflexão.

Sobre bissexualidade: isso me irrita TANTO. As pessoas são acostumadas a enxergar tudo em dicotomias. Isto OU aquilo. Nunca ambos. Porque pluralizar as possibilidades e as leituras é reconhecer a complexidade das coisas, é reconhecer que a gente tem de estar CONSTANTEMENTE relendo-as e tentando entendê-las. Acho que isso dá uma fluidez para o mundo que algumas pessoas não conseguem suportar. Têm medo. Vou fazer uma ponte esdrúxula, mas eu acho que as religiões servem a esse propósito. O mundo é fluido. O mundo está em constante mudança e a gente está constantemente se adaptando, ressignificando as coisas. Então tudo é efêmero. E aí, desse medo, surgem as religiões, o campo do dogma, da eternidade, onde tudo é para sempre porque assim deus disse e deus é perfeito e não muda nunca. Tentam transcender fabricando algo imutável. O que é um contrasenso. Eu acho que a única maneira de transcender é reconhecer a mudança, é tentar entendê-las enquanto acontecem. Assim, você tb vai mudando e evoluindo junto. Enfim, tô filosofando aqui, rs. Mas dessa necessidade de que as coisas sejam simples e fixas (e, daí, dicotômicas), é que eu vejo até gays que pensam que bissexualidade não existe. Tenho amigos gays que acham que heteros e homos são dois “times”. Se a pessoa fica com outras do mesmo sexo, ela é gay, só não se assumiu ainda. Tipo o Renato Russo. Ele cantou que gostava de “meninos e meninas”, tinha relacionamentos gays e um filho. Mas como as pessoas se referem a ele? “Ah, Renato Russo era gay”. Outro dia, vi no próprio portal Mix Brasil uma matéria comemorando que Ricky Martin havia dito gostar de homens e de mulheres da mesma maneira. Estavam comemorando porque ele se assumiu bi? Não. Porque, “mais um pouquinho, ele finalmente sai do armário”. Como se assumir-se bi não fosse sair do armário. Como se logo  logo, o “nosso time” ganharia mais um jogador em relação ao outro time com que estamos competindo.

Eu achei TÃO legal. A autora conseguiu mostrar, em poucas palavras, como são bobas e preconceituosas a maioria das posturas que vigoram por aí.

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E, pra não perder a viagem nessa sessão ‘recorte-e-cole-você-mesma’, deixo aqui um link, dessa vez indicação da Haline. Um artigo da TPM sobre essa loucura que a publicidade faz, convencendo as mulheres de que precisamos virar seres de plástico – sem cheiro, sem pêlos e sem gosto – pra ter o ‘direito’ de existir. Triste, né. O texto é longo, mas vale muito a pena.

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Às moscas

A quitanda tá mais parada que olho de vidro [lembrei de você, Tina!] e a quitandeira tá numa preguiça monstruosa. Estou de semi-férias, povo. Amanhã ainda me jogo pro Ridejanêro pra dar uma mísera prova e volto. Ando fazendo muito o que gosto de fazer, ou seja, nada. Fico aqui paradinha na frente do note tentando retomar o raciocínio da tese de onde parei há dez dias atrás. Convenhamos que não é nada fácil. Tenho conversado muito no MSN e tuitado mais ainda. Porque eu preciso de oxigênio pra poder produzir. Então hoje parece que a coisa engrena. À tarde vou ver Budapeste com uma amiga, sábado tenho um ‘queijos-e-vinhos’ que meus alunos adultos organizaram e recebi dois convites pra tomar chopp no final de semana. Minha vida social até que não vai mal, né não? Tem também chopp dos cariocas tuiteiros, (des)organizado pela Haline, mas esse parece que vai demorar a sair. No mais, minha gente, é isso aí. Preciso tomar sol e voltar a fazer coisas de gente normal. Como sexo, por exemplo.

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Lembrando de quando eu tinha uma vidinha mais agitada, achei essas fotos aí. Escaneadas, claro, que naquele ano [2002] eu nem tinha ideia de que câmera digital pudesse vir a existir. Foi uma caminhada que eu fiz de 3 dias, entre São Paulo e Rio de Janeiro, juntamente com meu grupo de tai chi chuan [sim, eu já fui uma pessoa melhor nessa vida]. Começou em São José do Barreiro, SP, e terminou em Angra dos Reis. Fizemos o Caminho do Ouro, que era por onde se escoavam os metais preciosos do Brasil para Portugal. Muito pé na lama, mosquitos, chuva e escuridão perdidos no meio do mato, cachaça, comida da roça e banho de rio. Será que um dia eu faço algo parecido com isso de novo? Nem precisava tanto, uma subida à Pedra da Gávea já me deixaria mais que feliz.

todas as fotos 046

todas as fotos 043

todas as fotos 042

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Bom dia, meus colegas de trabalho

Ontem eu dei dez aulas [isso mesmo, você não leu errado: DEZ]. Tirei dúvidas, chamei aluno ‘na xinxa’, fiz aqueles discursos típicos de professores, recebi abraço e sorrisos.

Depois corri pra Nichteroy e apliquei prova oral na turma da universidade. Deles recebi um kit lindão e cheiroso [aliás, parênteses: eu tenho em sabonetes, géis de banho, mousses para o corpo e cremes esfoliantes guardados embaixo da minha bancada do banheiro o equivalente para montar uma franquia. Tudo presente] e mais sorrisos e mais abraços. E um ‘muito obrigado’ cheio de alegria que eu entendi como: ‘Graças a você,  conseguimos passar da fase ‘di buk is on de teiból’, não somos mais escória’ – hohohoho]

E depois nêgo me pergunta porque eu nunca quis mudar de profissão. Porque eu me divirto, sabem? [e porque eu tenho férias de quase um mês no meio do ano]

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Final de período, minha gente. Digam ‘hello’ pro que restou de mim.

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