Coisas que ninguém entende

É muito engraçado quando eu tento explicar pra pessoas que não têm uma relação assim tão, err, intensa, com a rede, do quão divertida as coisas por aqui podem ser. Trabalho inútil. As pessoas que existem fora do meu círculo, por assim dizer, internético, se resumem a alguns poucos amigos de anos atrás e colegas e ex-colegas de trabalho. Os amigos de anos atrás já me conhecem e alguns me acham maluca mesmo, ‘imagina, uma quase doutora, professora, perdendo tempo…’ e por aí vai. Os colegas de trabalho são aqueles seres que, na maioria das vezes, se acham superiores por não saberem quem é Stefhany, por não assistirem BBB e por ignorarem novidades como o Tuíter. Segundo eles, internet rouba tempo das pessoas, faz com que elas se isolem do mundo e criem a impressão de que têm uma vida de verdade, ou seja, evita que elas se relacionem de maneira ‘genuína’.

Por ‘maneira genuína de se relacionar com outros seres humanos’, entenda-se, por exemplo, você sentar na sala de professores e começar – pela milionésima vez – um blábláblá infindável acerca do quão desvalorizada a profissão de professor é, do quão pouco a gente ganha, que fulano tem um amigo juiz, casado com uma juíza e os dois juntos tiram 5o mil por mês e por aí vai. Ah, sim, isso é vida de verdade. É calor humano, é comunicação e interação. Ou, então, ficar pagando de descolado – ou o que eles acreditam ser descolado – ficar contando historinhas ‘picantes’. Dá vontade de dizer: ‘Baby, suck my balls” [e eu nem tenho balls, diga-se de passagem, mas dá vontade]. Porque, né, se eles soubessem, mas deixa pra lá.

Enfim, eu acho que tudo na vida depende do ponto de vista que se assume. Eu acho um saco quem vive pra reclamar da vida que leva e acha que o máximo que se pode fazer pra minimizar isso é contar com as expressões de apoio de outros igaulmente insatisfeitos. Juro que, se não gostasse da minha profissão, já teria procurado outra coisa pra fazer há vinte anos atrás.Como esse não é meu caso, fujo dessas discussões inúteis e procuro me juntar com quem acha legal aproveitar o tempo livre pra fazer coisas interessantes. Como se divertir, por exemplo.

Gente, como a internet me diverte. Essa semana no Tuíter eu virei seguidora de duas celebridades (??): a Glorinha Kalil e o Serguei. Podem me embolachar e me chamar de fútil, mas eu adoro a Glorinha. Eu abro o Tuíter dela e dou de cara com coisas assim:

legal pessoal moderninho, um pouquinho de tendencia anos80 é bacana. Mas não exagera, senão parece mistura de NX Zero com Rosana

OU então isso aqui:

ladies: sim, tem uma certa idade que usar barriga de fora já não é mais permitido. Comece a arejar outras coisas… as idéias por exemplo!!

Fala sério, muito bom. Agora, o Serguei é um caso à parte. Pra quem não lembra, ele é o roqueiro que transou com a Janis Joplin e que transa igualmente com árvores. Olha, sem sacanagem, o Tuíter dele é o melhor do mundo. É hilário, tem tiradas ótimas, coisa de filósofo mesmo [sério]. Daquele daquele universo maluco-beleza a gente consegue tirar uma pessoa muito fofa. Quem primeiro me alertou pro cara foi a Haline, depois a Tina. Agora nós estamos empenhadas em transformar o Serguei em trending topic do Tuíter, ou seja, se milhares de pessoas retuitarem a tag #loveserguei o tópico vai pras cabeças. E ele merece. Como diz a Haline, é preciso um trabalho de desapego total pra não sair retuitando tudo o que ele diz, olhem só:

People, descobri que não tem coisa mais Rolling Stones na natureza do que um formigueiro. Tô maravilhado, quase flutuando!

O sol que me desculpe, mas hj os meus aplausos vão para a galerinha do formigueiro. Thank you, ant stars! SHOW!!!

Micareta boa foi Woodstock. Além da pegação, ainda tinha trilha sonora de 1ª.”Come on people” era o “tira o pé do chão” da época

Existe sex shop que vende árvore inflável? As noites tão frias demais para que eu possa fazer um carinho no meu cajueiro. [demais, demaisssss!!]

Tô amarradão pra mascar um chiclete sabor chuva. Senhores cientistas, tenham a gentileza de criar isso, PLEASE!

Os chicletes sabor chuva poderiam liberar um mini arco-íris ao estourarmos as bolas deles. Sonhei com isso e acordei bem.

People, eu amo ter esses sonhos fabricados em 1967. É como se a Magical Mistery Tour continuasse na minha mente, sacaram?

Querida @marciaandrade, eu sempre fui trending. Só que TRENDING UTOPIC. E me ORGULHO disso. KISSES! #loveserguei

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Gente, façam um favor. Parem de reclamar da vida agora e bora transformar o Serguei em celebridade do Tuíter, isso é uma ordem!! [hahahaha]. Mesmo que seja um fake, o cara merece toda a minha admiração, porque, olha, trabalho de composição perfeito.  Captou como ninguém o ‘espírito’ psicodélico de uma época, né.

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Bem, e onde fica aquela conversinha mole de interação e relacionamentos verdadeiros lá do início? Pois eu digo, eu tenho conversas tão boas com meus amigos via MSN [porque eles, em geral, estão longe] que faz qualquer ‘olhos nos olhos’ parecer estéril. Questão de ponto de vista.

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19 Comments

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19 responses to “Coisas que ninguém entende

  1. ih.. meu pai, se isso é psicodelia me inclua fora dessa 😉

    acho que não é o espirito da minha época…
    mas quanto à virtualidade, creio ser tão genuína quanto tudo o mais que seja humano. Certamente que é diferente do calor humano de ter um professor reclamão, mas também é muito bom 🙂

  2. Arthur

    bem, acho que não importa na real o mecanismo que se usa para interagir com os amigos, seja o bebedouro no corredor, a sala do café ou uma janela de MSN, o importante deve ser que essas amizades sejam gostosas.

    Cada pessoa tem um meio de diferente de passar o tempo com os amigos, alguns podem ficar repetindo todo santo dia reclamações que não iriam levar a lugar nenhum, essa é uma das formas prediletas da humanidade aparentemente, outras podem ficar tentando explicar que se ninguém ouvir uma arvore caindo ela não caiu rsrsrs.

    Agora em relação ao seus followings, I pass hehehe

  3. thur, eu não gosto de gente que reclama de tudo. amigo meu que fica reclamando vai pra geladeira, hehehehehe.

    f. eu também acho que a maneira de se criar vínculos não importa muito. agora, quanto so serguei, que chatos vocês dois. humpf.

    🙂

  4. Su

    Ah, olha, esse tal de serguei é meio bizarro mas até vou dar um crédito, viu… porque esse chiclete sabor chuva é o máximo! hahahahaha!
    Já das interações, muita virtualidade me cansa. Pra mim, chega um ponto que muita relação virtual TEM que virar real. Gosto de casa cheia, gargalhadas compartilhadas, pele na pele, essas coisas… rsrsrs. Mas de fato, papos como o de ontem tornam tudo mais colorido e citando dona Cris, deixam “qualquer olhos nos olhos estéril” 🙂
    Beijos, linda!

  5. su, também adorei o chiclete sabor chuva. ah, sim, concordo que chega uma horas as interações têm que sair da tela. esse, aliás, É o objetivo, hehe. love ya, darling. bjs!

  6. Melhores momentos do dia hoje estão no MSN e no Twitter, e incluem sua companhia, querida! Fez o post que eu tinha pensado, blé. #loveserguei

  7. tina, me too! my heart belongs to you, hahahahaha [hoje eu acordei brega, sorry]. bjs

  8. eu vou seguir, porque tu tá mandando, porque eu sou nonsense, subversiva e porque o lado fútil da vida é meu senhor.
    glorinha não precisa de mais nada só por ser glorinha, diz aí?
    uma glorinha não pode ser outra coisa que não o que ele de fato é? ou não é? né?
    hahahahahahaha.

  9. L.

    ahahaahah
    tinha esquecido que o serguei existia!
    😀
    vc sabe o que ele anda tomando?
    (parece que ácido ficou demodé, mas no caso dele nunca se sabe)
    Deve ser o tal chiclete sabor chuva…
    bjs

  10. débora, você entendeu direitinho! o lado fútil da vida também é meu senhor, diz aí. bora seguir os dois que é diversão certa. bjs!

    senhor L., olha, eu não sei o que o serguei anda tomando, mas vou lá perguntar, porque, né, deve ser muito bom 🙂

  11. Cris, amei esse post, penso exatamente a mesma coisa! Eh daquelas coisas que eu penso: como é que não fui eu que escrevi isso? Pois é, né? Achar que relação genuina é passar todos os dias da semana reclamando da vida no trabalho é demais! Nossa, como isso deprime.
    Amei as frases da Glorinha (NX Zero com Rosana…kkkkkk) e o Serguei é uma figura a parte:)
    Beijos!

  12. Um dia vou ser chique como a Glorinha. Ah se vou…
    Beijo ^^

  13. Eu nem ligo quando falam essas coisas. Sério. Mil vezes assistir “os dez maiores vídeos inúteis da internet” do que conversar sobre fofoquinha de fulaninho+fulaninha e tralálá.
    Eu super não sei nada das fofocas da faculdade e não faço a menor questão de saber. Quando é assim prefiro conversar com as pessoas mais egocêntricas do mundo, porque como já disseram, a vantagem deles é que não falam sobre outras pessoas. 😉
    Mas aí, essa do Serguei é tudo! rs
    Nem tenho twitter e não pretendo ter, mas super vou olhar esse aí… são tão psicodélicas as frases que merecem atenção mesmo. hahah…

    Beijos, Cris!

  14. madoka

    A Glória é tudo né. Quero ser como ela qdo crescer kkkkkkkkk.
    Agora o Serguei, nossa Cris, como é que vc encontra essas pérolas heim. Putz, nem me lembrava mais do cara que transou com a Janis J. É o nosso Iggy Pop tropical né. Um luxo
    madoka

  15. monica parreiras

    Oi Cris,
    qualquer forma de amor vale a pena, né?
    Bom demais, glorinha e serguei.
    Mônica

  16. siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, esse povo que critica os internautas e colocam todos no mesmo saco dos “nerds que não fazem nada além de usar o micro”, estão bem paradinhos no tempo em que eu nem conheço.
    e olha, nós aqui [eu, voce, e o grupinho] somos bons exemplos de gente que faz acontecer pela internet. rsrs.
    atóóron.

  17. tatinha, que bom que você concorda, linda. [e a glorinha é ótima, né?]

    karol, chique você já é. lenço no pescoço é tudo, amore. 😉

    hahahaha, stella, eu também penso assim. e, olha, muitos dos meus ‘contatos’ de internet viraram relacionamentos genuínos, com direito a abraços, afagos e olhos-nos-olhos. e muita gente que eu conheci no mundo ‘real’ não passaram de apenas isso: mais uma pessoa sem muito significado. poxa, faz um twitter, assim a gente amplia a rede #loveserguei.

  18. madoka, então. eu também quero ser a glorinha quando crescer, sabe. e que ótima lembrança essa tua: o serguei éo nosso iggy pop. verdade!

    moniquita, não são demais? bora então seguir o serguei, vamos.

    lili, e a gente faz acontecer *mesmo*, né? certíssimo isso aí que tu falou. bjs!

  19. Oi Cris, sabe que eu acho que quem tem preconceito com essas interações virtuais é pq ainda não experimentou. O próprio twitter eu mesma rejeitava numa de “que baboseira ficar dizendo o que faz” e tals. Mas qdo entrei vi que não é bem por aí e é isso que acho legal nas redes sociais, ninguém sabe que rumo vai tomar pq por trás da tecnologia tem gente e gente cria em cima daquilo. O twitter é tão assim, tão assim, que tem gente estudando o funcionamento disso. Mas enfim, me diverti muito naquele dia com vcs e com o Serguei. Ah, e eu gosto da Glorinha Kalil, acho ela engraçada e tals. De qq forma o mais importante é que eu conheço gente tão interessante através dessas ferramentas, como vc, a Tina, a Lucila e por aí vai. Acho que só por isso já vale. Ps.: Foi bloqueado mesmo o twitter aqui no trabalho. Humpf! Vou acessar do celular!! *rs* bjobjo

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