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A preguiça é muita, mas como eu nem penso em fechar a quitanda [lembrei de alguns lugares da Europa, como em Portugal, onde os donos de restaurante fecham os estabelecimentos no verão e vão fazer coisas mais divertidas no Algarve, por exemplo. Acreditem povo, eu ando fazendo coisas bem divertidas. Ponto.], vamos a uma sessão de copy-paste.

Mas, antes disso, alguns comentários. Quando sento aqui pra tentar terminar o capítulo que nunca termina, eu, invariavelmente, dou uma passada pelos blogs pra me atualizar. Comecei muito tardiamente a ler a Marjorie Rodrigues [eu sou sempre a última a me render às coisas boas, sabem? Eu fico resistindo, resisitindo, mas no final é isso, viro fã]. Nem preciso dizer porque é óbvio, o blog é maravilhoso e eu tenho aprendido muito. Tenho aprendido, por exemplo, que a linguagem captura a gente e fica difícil, às vezes, enxergar as armadilhas. Tô falando no sentido específico de que a propaganda, a mídia, em geral, trata as mulheres de uma maneira abominável e a gente [eu, no caso] custa a se tocar desse fato. Como diria meu amigo austríaco, é preciso um treino. E treinar lendo o blog da Marjorie é uma delícia.

Além da Marjorie, descobri um outro bloguinho, acho que através de um comentário na Lu. A moça deixou o recado e eu fui ler do que se tratava, enxerida que sou. Achei bacana também, e gostei mais ainda porque a Marjorie deixou um comentário no texto da moça que eu achei fantástico. Daí o título desse post, porque é esse textinho despretensioso e certeiro que eu vou colar aqui. Sabe quando você lê algo e pensa: ‘É isso’? Aconteceu comigo quando li. Apesar de curto, tem material pra caramba pra reflexão.

Sobre bissexualidade: isso me irrita TANTO. As pessoas são acostumadas a enxergar tudo em dicotomias. Isto OU aquilo. Nunca ambos. Porque pluralizar as possibilidades e as leituras é reconhecer a complexidade das coisas, é reconhecer que a gente tem de estar CONSTANTEMENTE relendo-as e tentando entendê-las. Acho que isso dá uma fluidez para o mundo que algumas pessoas não conseguem suportar. Têm medo. Vou fazer uma ponte esdrúxula, mas eu acho que as religiões servem a esse propósito. O mundo é fluido. O mundo está em constante mudança e a gente está constantemente se adaptando, ressignificando as coisas. Então tudo é efêmero. E aí, desse medo, surgem as religiões, o campo do dogma, da eternidade, onde tudo é para sempre porque assim deus disse e deus é perfeito e não muda nunca. Tentam transcender fabricando algo imutável. O que é um contrasenso. Eu acho que a única maneira de transcender é reconhecer a mudança, é tentar entendê-las enquanto acontecem. Assim, você tb vai mudando e evoluindo junto. Enfim, tô filosofando aqui, rs. Mas dessa necessidade de que as coisas sejam simples e fixas (e, daí, dicotômicas), é que eu vejo até gays que pensam que bissexualidade não existe. Tenho amigos gays que acham que heteros e homos são dois “times”. Se a pessoa fica com outras do mesmo sexo, ela é gay, só não se assumiu ainda. Tipo o Renato Russo. Ele cantou que gostava de “meninos e meninas”, tinha relacionamentos gays e um filho. Mas como as pessoas se referem a ele? “Ah, Renato Russo era gay”. Outro dia, vi no próprio portal Mix Brasil uma matéria comemorando que Ricky Martin havia dito gostar de homens e de mulheres da mesma maneira. Estavam comemorando porque ele se assumiu bi? Não. Porque, “mais um pouquinho, ele finalmente sai do armário”. Como se assumir-se bi não fosse sair do armário. Como se logo  logo, o “nosso time” ganharia mais um jogador em relação ao outro time com que estamos competindo.

Eu achei TÃO legal. A autora conseguiu mostrar, em poucas palavras, como são bobas e preconceituosas a maioria das posturas que vigoram por aí.

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E, pra não perder a viagem nessa sessão ‘recorte-e-cole-você-mesma’, deixo aqui um link, dessa vez indicação da Haline. Um artigo da TPM sobre essa loucura que a publicidade faz, convencendo as mulheres de que precisamos virar seres de plástico – sem cheiro, sem pêlos e sem gosto – pra ter o ‘direito’ de existir. Triste, né. O texto é longo, mas vale muito a pena.

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8 Comments

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8 responses to “Ctrl C Ctrl V

  1. PD

    Excelente texto. Não conheço o blog da Marjorie, mas estou ver correndo.

  2. querido, tomara que você goste como eu gostei. bjs!

  3. Oi Cris!
    Nossa, eu amo o blog da Marjorie. Eu não consigo “ler” as mensagens publicitárias desse jeito, a não ser que sejam óbvias tipo a última da batata rufles. Sobre o bissexualismo, me cansa tanto essa postura de rotular. É tão limitador, reduz tanto o sexo e todas as outras possibilidades de relacionamento. Enfim. Bjobjo

  4. Nossa, meu blog nos links e no texto!Valeu mesmo,que bom que gostou!Eu também adoro a Marjorie,quando ela foi comentar lá no blog quase morri.Vou visitar o outro blog que você postou,beijinhos e valeu pela propaganda.
    Obs:Óbvio que você tá convidada a ir lá no blog e comentar,tenho certeza que você vai ter algo interessante a acrescentar.

  5. Gostei do texto da TPM, mas tem uns comentários la das loucas por limpeza que são assustadores, né?
    Beijos

  6. Tb gostei do texto da tpm, mas a depilação ainda é um conflito grande pra mim. Na dúvida prefiro ‘morrer’ um pouquinho todo mês na mesa de depilação =/

  7. Super concordo com tudo. Não mudaria uma vírgula. rs

    🙂

  8. marjorierodrigues

    Nossa, agora que eu vi a citação. Muito obrigada! Fico lisonjeada. Beijo!

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