“Entrando corajosamente no viveiro das incertezas”

Pelo menos na parte “desenvolvida” do planeta, têm acontecido, ou pelo menos estão ocorrendo atualmente, algumas mudanças de curso seminais e intimamente interconectadas, as quais criam um ambiente novo e de fato sem precedentes para as atividades da vida individual, levantando uma série de desafios inéditos.

Em primeiro lugar, a passagem da fase “sólida” da modernidade para a “líquida” – ou seja, para uma condição em que as organizações sociais (estruturas que limitam as escolhas individuais, instituições que asseguram a repetição de rotinas, padrões de comportamento aceitável) não podem mais manter sua forma por muito tempo (nem se espera que o façam), pois se decompõem e se dissolvem mais rápido que o tempo que leva para moldá-las e, uma vez reorganizadas, para que se estabeleçam. É pouco provável que essas formas, quer já presentes ou apenas vislumbradas, tenham tempo suficiente para se estabelecer, e elas não podem servir como arcabouços de referência para as ações humanas, assim como para as estratégias existenciais a longo prazo em razão de sua expectativa de vida curta: com efeito, uma expectativa mais curta que o tempo que leva para desenvolver uma estratégia coesa e consistente, e ainda mais curta que o necessário para a realização de um “projeto de vida” individual.

Zygmunt Bauman, Tempos Líquidos

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Alguém aí teve uma sensação incômoda lendo isso? Eu tive.

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9 Comments

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9 responses to ““Entrando corajosamente no viveiro das incertezas”

  1. Arthur

    ????????????????????????????

    Num tendi quase nada 😦

  2. Acho entendi duas linhas só. Mas eu num sou dotôra né. Ce me explica depois tá? rs bjobjo

  3. resumindo, gente. nós perdemos as referências. nossas certezas epistêmicas se foram, as fronteiras claras do saber acadêmico são desafiadas todos os dias. tem acontecido uma guerra às visões totalizantes gerada, entre outras coisas, por um descrédito em concepções de mundo unificadoras. isso tudo é parte de nossa ‘herança pós-moderna’, e traz a reboque a rejeição aos valores do Iluminismo e à crença modernista na racionalidade e na ciência. ou seja, em uma só palavra: tamufu. rs.

  4. A gente se sente impotente e com medo do amanhã… aff
    Beijo beijo

  5. Ai, blog de doutora é assim: certeza epistêmica pra riba.

  6. mas tem Tuítis, também, Tina! 🙂

  7. madoka

    resumindo: tamufu, explicou tudo dra.
    queria uma profa. assim rs…e eu que tava pensando em ler Bauman.

  8. Eu idem.
    Como se as nossas escolhas já não fossem difíceis de serem tomadas, alguém vem e diz que não teremos mais segurança independente de qual seja feita. É como se fosse melhor ficar morando com os pais pra sempre. Ou será que até isso vai acabar?

    Beijo, Cris

  9. PD

    Só entendi até o “seminal”. 🙂
    Qdo sinto essa sensação estranha já sei que é a minha sólida ignorância se manifestando.

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