Monthly Archives: August 2009

Aqui também é bom lugar de se viver

Gente, eu adoro isso. Não sei se é rock progressivo [que eu de-tes-to], mas até hoje sou capaz de cantar levantando as mãozinhas e balançando pra lá e pra cá. Nos shows do Flávio Venturini [é, eu sou o tipo de pessoa que vai aos shows do Flávio Venturini], essa é a música que eu mais gosto, é a que eu torço pra ouvir no bis and again and again. Eu passei a adolescência ouvindo isso, eu e a minha irmã Dedéia. A gente tinha o vinil, o que nos fazia sentir super-importantes, saca? Essa música pra mim é uma viagem sideral. Por que eu lembrei disso? Porque onde eu trabalho, de vez em quando, eu sou surpreendida por ela. Piano e flautas assim, durante a tarde, tocando ‘Planeta Terra’, é qualquer coisa. E eu amo.

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O pior é que eu entro em transe e saio cantando, no meio da aula. Qualquer dia vão me dar licença, por ‘excesso de trabalho’. Onde já se viu, professor ‘feliz’? Pois é.

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Mas preciso deixar claro aqui que dispenso o solo de guitarra do final. Gente, guitarra e bateria não foram feitos pra solo, será que ninguém vai entender isso nunca? Poxa.

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Perdidos e achados

Eu não sei porque guardo essas coisas. Essa conversa, por exemplo. Calculo que esteja guardada há uns 3 anos. Deve ser porque eu acho divertido abrir o computador assim, num sábado frio e chuvoso, e dar de cara com coisas das quais já esqueci. E rir muito delas. Deve ser porque eu tô de saco cheio de tudo. E os nós dos meus dedos não param de doer.

Quero mais falar de tese não. Quero meus amigos divertidos falando bobagem, quero rir com eles, quero ter obrigações só para ter o prazer de ser má e displicente e não cumpri-las.

A minha amiga, essa da conversa.  Eu não a vejo há alguns anos – e não por força da distância. Ela mora aqui na Cidade Maravilhosa. Mas são tantos compromissos, a vida é esse redemoinho tão vertiginoso que a gente não se encontrou mais. Ontem lendo um post triste no blog dela, lembrei das nossas conversas. E hoje, ao abrir pastas do computador que não eram acessadas desde tempos imemoriais, dei de cara logo com isso. Conversa boba, divertida; um punhado de tontices e frases sem sentido pra quem está de fora. Mas nessas horas tristes e duras – em que o rigor, a frieza e a lógica me cobram uma conta altíssima – que eu gosto de pensar em como preciso disso. E, olha, amiga, a gente envelheceu, mas foi só um pouquinho. Ainda dá tempo de fazer tudo. Vamos? =)

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Cris: (…) essa semana eu fui pra uma seleção de professores (…).

seis professores e um coordenador numa sala. o dito cujo me vem com umas perguntas (em inglês) do tipo: “defina você como professor em uma palavra”

hein? uma palavra: @#$%&*@@#$ (= palavrões impublicáveis), @#$%&*&#@$ (= MAIS palavrões impublicáveis), que isso?

Amiga: Eu sei o que é. A gente se acha o fim. Mesmo estando as coisas encaminhadas, a gente se pergunta porque não está casada com algum superstar ou viajando para o exterior no fim do ano, ou porque a gente não pode estar na entrega do Golden Globe dia 15.

Cris: me coloca numa sala de aula e me manda dar aula, pronto,. agora ficar com essas seleções de merda.

claro que selecionaram dois seres com quase metade da minha idade

Amiga: Adoro aquelas do tipo “Se você fosse um tripulante da Galactica, qual seria?”

Cris: pô, essa é foda

ah, e um dos seres ainda nem saiu da faculdade.

leeeendo, né?:

Amiga: Ou “Faça uma redação sobre o impacto da criação das lagartas de peito sedoso para as plantações de capim limão nas pradarias asiáticas”.

Cris: ou então: “fale sobre a importância do galho seco na vida sexual do macaco”

Amiga: Ui, essa é interessante.

Macaco não é primo genético do homem? Então – serve pra alguma coisa.

Cris: num é?

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Amiga: Quer alugar uma casa em Búzios por uma semana?

Acho que consigo um preço baratinho com a X (se é que ela não empresta a casa pra gente).

Cris: SÉRIO?????

demorô

de repente dá pra fazer os dois.

búzios e sumpaulo? perfeito

Amiga: Hum, que chique. São Paulo e Búzios. Só falta Nova York pro circuito Elizabeth    Arden.

Cris: ahuahauhauhauaha

Amiga: Ah, esqueci de “Milano”

Cris: vou te contar um segredo: a gente vai pro chile. tem umas milhas acumuladas.

mas é só em março

(…)

Amiga: A gente? Eu e você? E o Y? E o Z?

Ah. eu pensei que era eu e você.

Você sabe, eu estou treinando pra ser lésbica. Muito mais prático, muito melhor.

Duas mulheres pra cuidar das meninas, companhia sempre perfumada, dá para trocar roupas e sapatos – muito melhor que homem…

Aí eu achei que eu e você… Bom, você e eu… Sei lá, a gente no Chile, cercado de chilenos e chilenas…

😛

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Amiga: já resolvi: quero ir pra San Diego.

Você conhece alguém lá?

Cris: poizé: eu tô falida e ainda quero ir pro chile.

(…)

nope

Amiga: Ninguém?

Cris: conheço gente em londres, serve?

Amiga: Você é tão internacional e não conhece ninguém?

Essa gente em Londres conhece gente em San Diego?

Se não conhece, não adianta.

Londres não tem vista pra San Diego.

Cris: mas pq vc cismou com san diego, posso saber?

é lá que o jack bauer mora?

Amiga: E em Londres em conheço uma pá de gente – e mais em Estocolmo, Paris, Barcelona, Nova York, Washington…

Cris: ah, sim depois eu é que sou internacional, né?

sei, cretina.

Amiga: Não, Jack Bauer (ele é formado em Literatura Inglesa, sabia? Antes de começar a explodir bombas e coisas assim) mora em Los Angeles (passou um tempo na China, mas tá de volta).

Buenos Aires, Cidade do México, Miami…

Mas em San Diego não conheço ninguém.

Eu antes queria ir pra Miami fazer uma tatuagem na Miami Ink (aquele do People & Arts) mas desisti. Sai muito caro.

Cris: louca

Amiga: Por quê? Estou começando a correr atrás dos meus sonhos doidos.

Quem sabe algum não se realiza?

Cris: isso é ótimo

eu acho que vou terminar a vida de mochila nas costas, sem dinheiro mas feliz da vida

Amiga: Baixei toooodos os clipes e músicas e arquivos doidos do Journey, Eric Clapton, Bon Jovi, The Commitments e outros.

Entrei numa comunidade de fãs do Journey onde me descabelo por aqueles quatro (que usavam as calças na linha peitoral) que nem uma adolescente – claro, abri meu perfil como uma garota de 18 anos. Aí posso falar tooodas as barbaridades que me vêm na cabeça.

E morro de rir comas respostas, os comentários nos fóruns… Um exemplo: “Se você pudesse sair com o Neil Schon, o que você faria?”

Respostas tããão libidinosas! E o cara tá uma baleia assassina, hoje. Baleia com cara de travesti, que é o mais triste.

Cris: journey eu não conheço.,

Amiga: Rock progressivo muito bom.

Mas aquele visu fim dos anos 70/ anos 80 é de rachar…

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Amiga: Então tá.

O café está bão?

Cris: o café ESTAVA ótimo

já tomei.

e com bolinho marmorizado que eu fiz onti.

Amiga: Mal educada.

Cris: hehe.

Amiga: Nem oferece.

Cris: eu ofereço uma vez só, num aceitou, finou-se.

(…)

Amiga: (…)

As transmissões se encerrarão em sete minutos. Tenho que sair e ir pra casa.

Cris: tá bão.

ficamos assim: eu ligo pra nossa amiga (…).

e fico te devendo um café com bolo.

oquei?

Amiga: Tem um fórum que está discutindo qual é o melhor ângulo do Steve Perry no clipe “USA for África”.

A lista de sandices é enooorme…

Cris: ahuahauauhauauhahaua

Amiga: E o clipe tem mais de 20 anos!

Cris: como diz a janice: OH MY GOD!

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Dez razões para você NUNCA escrever uma tese de doutorado

Eu agora tô na onda copy-paste. Post delivery, pret-à-porter. Esse eu já havia publicado no blog véio. Tem problema não. A gente publica de novo [com as devidas atualizações]. Agora, muito importante. A autora não sou eu. É essa moça aqui. Que é chique, sabe Shakespeare bagarai e ainda voltou do vale da sombra da morte – digo – doutorado – pra contar a história. Eu me inspiro nessa gente fina, elegante e sincera pra seguir em frente, povo. Mais quatro dias e eu entrego a mardita pra banca de vez. Aí não tem mais volta. Enquanto isso, leiam e, se tiverem algum inimigo, recomendem: “Façam doutorado! É divertido”. Aff.

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DEZ RAZÕES PARA VOCÊ NUNCA ESCREVER TESE DE DOUTORADO:

1. A distância da família. Você nunca recupera o tempo perdido. Não recupera os momentos que poderia ter passado com os filhos e com o marido. o filho e os ‘ficantes’.

2. Você fica mais burra(o). Certeza! Você perde a noção do macrocosmo. O teu horizonte fica limitado ao assunto da tese durante bom tempo da tua vida. Para muitos, aliás, a vida toda…

3. Você vira uma alienada(o). Enquanto teus amigos discutem livros que você não teve tempo de ler, filmes que você não pode assistir, as últimas medidas do governo, você fica olhando com cara de tonta(o). Os amigos sequer perguntam a tua opinião.

4. Ninguém vai ler a tua tese de doutorado. Convenhamos, quem vai ler as minúcias entediantes do que você escreveu? Olha, dissertações de mestrado até valem a pena ser lidas. Elas são mais gerais, mais soltas, menos descompromissadas, criativas.  Menos – a palavra temida – ”acadêmicas”. A tua tese vai colecionar pó nas estantes de uma (ou duas) bibliotecas.

5. Você vira uma pessoa chata. Você só quer ler sobre “aquilo”. Só se interessa sobre “aquilo”. Só quer falar sobre “aquilo”. Só que “aquilo” é o que ninguém gosta de falar. Ao menos que você seja uma das raras sortudas(os) e encontre uma outra(o) louca(o) que se proponha a discutir o assunto com você. Aí, ninguém segura.

6. As pessoas se frustram com o teu (parco) conhecimento.  Presumem que você saiba tudo sobre a tua área de pesquisa. Quando percebem que você hesita, re-avalia e, até mesmo, questiona as próprias idéias, as pessoas te olham de soslaio, suspeitas… Devem pensar, “essa aí, nunca vai ser doutora”. Os alunos, nossa, esses são os primeiros a atirar pedras. Professor tem que saber tudo, pô!

7. Não sobra tempo para cuidar de você. Pois é, eu já cheguei a correr maratonas. na praia. 6 quilômetros. Hehe, até eu acho difícil de acreditar. Hoje em dia fico feliz com pequenas caminhadas. As unhas, cabelos, pele, horrores à parte. A situação é especialmente triste para aquelas(es) que costumavam cuidar da aparência, como eu.

8. As tuas costas ficam destruídas. É batata, acontece com todos. Já passei semanas tomando relaxantes musculares por conta de ficar muito tempo (mal)sentada. Seções de fisioterapia para agüentar o tranco são a única salvação.

9. Os (des)encontros com a(o) (des)orientador(a). Você passa meses a fio escrevendo, re-escrevendo, deletando, revisando um capítulo e quando, triunfante, consegue um horário com “Vossa Majestade”, os comentários são, geralmente, críticos. Nenhum orientador elogia. E aí… você começa a duvidar da tua própria capacidade. Droga!

10. A vida! Filmes, livros, teatro, sessões da tarde, amigos, namorar, curtir os filhos. Ou o simples e indefectível dolce fare niente. É, a vida não espera por ninguém.

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Alguém aí, por acaso, sabe que dia é hoje? Porque nem isso eu me lembro mais.

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Sugestões para atravessar agosto

Texto enviado por uma amiga recente e já querida. Leio sempre; nos momentos de desespero ele tem quase o valor de um Prozac. Nos [poucos] momentos tranquilos leio também, porque, afinal, Caio é meu pastor e nada me faltará.

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SUGESTÕES PARA ATRAVESSAR AGOSTO

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé.
Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo
que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que
chegará setembro – e também certa não-fé, para não ligar a mínima às
negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe
ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso
no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data.
Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos
e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em
frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir
muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos.
São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade
impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros
angúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um
furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito
critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a
Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de
Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais
a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na
telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso
também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só
eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo
em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me
critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente
assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às
cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou,
justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E
econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos – ou precauções – úteis a
todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em
foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles
chapéus de desfile à fantasia categoria originalidade… Esquecê-lo tão
completamente quanto possível (santo ZAP!): FHC agrava agosto, e isso
é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não
conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu sem o menor pudor, invente
um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o
carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que
você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do
Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se
possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras,
projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E
beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez
nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com
chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína,
se a barra pesar, vinhos, conhaques – tudo isso ajuda a atravessar
agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças
sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são.
Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas
policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das
bandejas de asas de borboletas – coisas assim são eficientíssimas,
pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão,
escapismos explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não
se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto
final, sinto muito, perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.

Caio Fernando Abreu (6/8/1995 para o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO)

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Não posso deixar de pensar em Caio adaptaria o texto aos dias de hoje, se aqui estivesse.

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Mulheres de um livro só, by Alex Castro

Lançamento do livro do Alex Castro, Mulher de um homem só, no Amarelinho da Cinelândia. Eu fui.

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O livro do Alex é o primeiro da lista a ser lido depois da minha defesa.  Acompanham-no A casa das belas adormecidas, do Kawabata e Trópico de Câncer, de Henry Miller.

Ah, mas isso vai ser depois que eu colocar outras coisas em dia, como meu sono e otras cositas.

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Porque hoje é domingo

[...e eu não vou botar o pé fora de casa]

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“Pensar é difícil”. Que significa isso realmente? Por que motivo é difícil pensar? – É quase como se dissesse: “Olhar é difícil”. Porque olhar atentamente é difícil. E é possível olhar atentamente sem ver com clareza seja o que for. Olhar pode fatigar, mesmo quando nada se vê.

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Dele. O austríaco doidão em “Cultura e Valor“.

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Morri

Esse post não é uma mensagem do além, mas sim um recadinho para os meus amigos que não têm Twitter.

Não sei se vocês lembram, mas eu sou aquele ser humano que está terminando um doutorado [é que eu quase não falo desse assunto…]. Bom, finalizei a tese e o texto foi para as mãos das minhas orientadoras. Eu tenho duas porque meu trabalho é um diálogo entre duas perspectivas, etc etc. Enfim. O texto foi para elas e, quando voltou, havia um milhão de coisas pra se fazer. Primeiro é preciso deixar claro que esse foi o primeiro feedback de um texto meu desde a qualificação, em fevereiro de 2008. Eu não consegui escrever nada no ano passado [por conta de trabalho, concursos] e nesse ano, o capítulo de revisão da literatura que enviei em fevereiro também não voltou para mim. Daí que fica essa coisa, né. Você escreve e não sabe se o que está escrevendo está bom. Não sabe se está coerente. Fora que eu escrevia algo hoje e depois só voltava a pegar no texto cinco, seis dias depois, por conta de trabalho. Isso tudo junto produziu um fenômeno que assola todos os doutorandos em véspera de defesa como eu [a minha é dia 14 de setembro], mas comigo a situação está um pouco pior. Fiquei com praticamente duas semanas pra tentar resolver todos os problemas da tese – as redundâncias, conceitos que estão na análise, mas não foram enunciados no capítulo da revisão da literatura, tradução das citações. Um trabalho louco, insano e que, tenho certeza, não vou conseguir fazer a contento, já que volto a dar aulas na semana que vem.

Nessas horas você se amaldiçoa por ter começado, diz que não deseja isso nem para o teu pior inimigo, mas segue em frente, simplesmente porque não há outra coisa a ser feita. Eu vou ter que me jogar aos leões, e se puder ter um pouco mais de dignidade quando isso acontecer, melhor. Pedi ajuda pra pai, mãe, filho, amigos. Nesses dias, só vou trabalhar [porque, infelizmente, não nasci herdeira] e fazer aquelas coisas que me mantém viva. Ah, vou continuar tirando a maquiagem antes de dormir também, porque ninguém merece acabar o doutorado com o dobro de rugas. Não vou fazer nada além disso, do contrário, já sabem. Vai ser sofrimento em dobro depois, mais do que já está sendo agora. Eu olho pra trás e vejo que tudo poderia ser diferente se eu tivesse tido tempo, se tivesse lido mais os autores X, Y e Z, se não tivesse que trabalhar tanto, se, se, se… Bora tirar essa palavra do nosso idioma? Porque, né? ‘Se’ é o vocábulo mais inútil que já inventaram. Na prática, ele não existe. Usá-lo é a maior perda de tempo.

O que existe é isso: nessas horas, você cata os caquinhos da tua auto-estima, cola e faz um carão blasé na hora da defesa. Usa um creme pra área dos olhos na ilusão de que as olheiras vão melhorar. Descobre que teus amigos de verdade são aqueles que te acodem, aceitam os teus pedidos estapafúrdios, te consolam e te botam pra frente. Pra vocês terem uma ideia, dois desses meus anjos da guarda vêm aqui no final de semana me ajudar a corrigir as provas que eu não tive tempo de corrigir desde fevereiro julho [olha o ato falho aí, geeeente!]. Outras duas amigas que já são doutoras vão ler o meu texto, porque as orientadoras não farão isso [vão ler apenas a análise]. Outros me mandam mensagens de afeto, me ligam pra ver se ainda estou viva, essas coisas.

Eu sei que quando isso tudo acabar, lembrarei dessas coisas [como já falei num outro post]. Disso e das palavras de Wittgenstein, as mesmas que me mantêm animada:

Todos as manhãs é preciso atravessar de novo o cascalho inerte, de modo a atingir a semente viva e quente.

É isso.

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Quem é de reza, vela, orixás, gnomos, santinhos, por favor, essa é a hora. Acho não acredito em nada [ou quase nada], mas não vou ficar nem um pouco chateada se vocês me mandarem good vibes.

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