É pau, é pedra, é o fim do caminho

[Post bem curtinho, para disseminar abobrinhas, as usual]

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Eu já contei a vocês que acabei? A-ca-bei a mardita tese? Sim, é verdade. Terça-feira pela manhã eu coloquei ponto final. Isso ainda não é o ‘final-final’, que esse só virá mesmo quando eu fizer as cópias pra entregar à banca, mas, como eu costumo dizer, se fosse um download estaria em 95%. As minhas orientadoras agora estão lendo, vão apontar os problemas, o texto volta pra mim e eu faço as correções. Daí elas dão aquela última lida e pronto. Finito. Bora imprimir e mandar pro povo da banca ler.

Eu agora só me preocupo com a defesa. Meu medo maior, aquele que me persegue em pesadelos, é eu chegar lá e esquecer tudo, sabem. Aquele branco total radiante na mente. Não to fazendo #mimimi, pra ganhar elogio. Eu sei da minha capacidade, mas essas coisas não têm necessariamente a ver com uma vontade racional. São medinhos muito sutis e arraigados e, às vezes, a gente é tomado por eles de assalto, sem nem perceber. Quem me conhece sabe que eu sou chegada num drama, mas nesse caso estou tentando ser fria. Pode acontecer com qualquer um. Uma situação de tensão, você ali sendo colocada à prova. Normal.

Eu já fui a um bom número de congressos, já apresentei meus trabalhos pra alunos de graduação, de pós e pra professores, e sempre me saí bem. Mas ali na defesa tem o peso extra de ser uma arguição formal e de ter aquela ideia de que a especialista sou eu. E eu confesso, nesse final eu senti o quanto mais eu gostaria de ter lido, o quanto certos ‘nós’ permaneceram atados.

Eu sei que ninguém concorre ao prêmio Nobel com tese de doutorado, mas, né. A frase ‘eu queria que tivesse ficado melhor’ não me sai da cabeça. Tem horas que eu leio e penso: aqui podia ter aprofundado mais. Eu sei, tudo isso é besteira. Doutorado é só um passaporte pra você poder começar a pesquisar o que gosta de verdade. Você termina e ganha carteirinha de membro do clubinho. Mas é também uma experiência única. Não é comparável a outras; não posso dizer que seja algo como ter um filho, cada situação tem a sua especificidade. Mas é legal no sentido de que o que conta mais, na minha opinião, é a trama de relações e sentimentos que você constrói – mais até do que o pensamento original que você possa ter elaborado. Uma tese é só uma tese; eu nem sei se a minha vai ter muito interesse pro campo que eu pesquiso. Talvez sim, lá na PUC tem um grupo grande de pesquisa e eu sei que o meu trabalho pode ser apreciado e aproveitado por eles, pode fomentar reflexões, enfim. Mas pra mim não é isso que tem o maior peso. Quando eu lembrar dessa época na minha vida, o que virá à minha mente serão as pessoas, os diálogos que travei com elas, as minhas dúvidas e inseguranças sendo postas na berlinda, a teia de relacionamentos que consegui tecer. Pra mim é isso que fica. No final das contas, é isso que me move. Não tem como separar uma pesquisa da própria vida. Ou ela te constitui, ou então fica pela metade.

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[Eu vou fingir que nem estou pensando no aumento no meu contracheque com o título de doutora. Mas isso é só pra que vocês acreditem no quanto eu sou uma pessoa desapegada, tá? 🙂]

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8 Comments

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8 responses to “É pau, é pedra, é o fim do caminho

  1. Eeeeee, terminou a tese! Parabéns, linda!

  2. L.

    É isso aí!!
    Parabéns!
    Curte tua carta de alforria, dorme como quem cumpriu a tarefa.
    Vai viver e sorrir pq a vida sem o peso de não saber se a gente é capaz de terminar é sim bem mais bela e leve e iluminada.
    Bjs,
    L.

  3. Parabéns dona Cris!
    e bom ler que essa parte da vida te importa. É bom não se dissociar do que fazemos, do que pensamos, do que sentimos, não ter muito um eu profissional e um eu particular.

  4. Parabéns…
    Q bom q semi-acabou [rs], sorte na defesa.
    bjs

  5. madoka

    parabéns, dra.
    fim de um ciclo? e início de uma outra.
    lindo isso que vc falou, da teia de relacionamentos que conseguiu tecer, do que te move. Ah, se todos fossem assim como vc. tem vc.
    um gde abraço
    madoka

  6. Fabianne

    Que bom que sua tese já está no final!Como vc disse é quase um download!rsrsrs…
    Boa sorte no dia da apresentação!
    Tenho andado sem tempo de vir aqui comentar mas acompanho sempre seu cantinho!
    Um beijo!

  7. Ai Cris, parabéns pelo filho hihi
    Eu tenho pesadelos com meu tcc e é terrível sabe. Mas já estou treinando a respiração para não ficar vermelha e engasgar na hora… affe maria. Medo de principiante.
    Espero q vc arrase e bote pra quebrar na defesa. Estarei torcendo suuuper por vc.
    Beijo beijo

  8. monica

    Oi Cristiane,
    tudo de bom, ótimo, excelente na defesa.
    Mônica

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