À deriva

“Todas as coisas um dia acabam”

Fui ver À deriva na terça-feira. Escolhi ir sozinha ao cinema. Tem certos filmes que me convidam ao silêncio – e foi o caso desse. Desde que li a sinopse, achei que não ia querer ninguém do meu lado pra comentar quando acabasse. E foi exatamente assim que aconteceu.

Olhando por alto, a história do filme é bem simples. Fala de uma separação, da dor que isso traz e do quanto é difícil ficar de pé nessas circunstâncias. Todo o processo é colocado diante de nós através dos olhos da filha mais velha do casal – esse interpretado pelo ótimo Vincente Cassel [mais conhecido como o marido da Monica Bellucci e membro do meu clubinho de ‘feios tesudos’] e pela Deborah Bloch. A menina de 14 anos e de nome Filipa [achei lindo] – interpretada pela estreante Laura Neiva –  descobre o mundo, a vida, a sexualidade e, de quebra, vê o casamento dos pais ir por água abaixo. Fica confusa, sofre, acusa o pai, descobre segredos, fica contra a mãe, fica do lado dela, enfim. Um mar de contradições.

O filme me tocou muito por ser daquele tipo onde os interditos contam mais do que o que efetivamente é enunciado. É um filme ‘plástico’, onde as imagens tem um papel fundamental na história. Não por acaso, a fotografia me chamou a atenção. As cores – por vezes meio ‘aguadas’, as texturas, sombras, muito contraste claro/escuro. É um mundo onde tudo parece ‘escorregar’ das mãos; onde nunca se parece estar seguro de nada, onde nada é o que parece ser. Um mundo onde cada um procura um lugar pra ‘ancorar’ suas certezas e não encontra. A trilha sonora – belíssima – contribui pra adensar essa sensação angustiante.

A frase que abre esse texto é dita por Clarice – personagem da Débora Bloch – ao filho menor, Antônio, quando esse chora por não querer voltar à São Paulo e à vida normal. É banal e ao mesmo tempo resume toda a problemática do filme. Tudo acaba – e nós sabemos disso – mas lidar com a inconstância e com a estabilidade relativa da vida parece ser o maior desafio que temos diante de nós.

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A única coisa ruim do filme foi não ter legendas. “Mas o filme não é falado em português, sua tonta?” É, mas muitas vezes não consegui acompanhar o que os personagens diziam, principalmente o Cassel, que fala um português legal, mas carregado de sotaque, porque o som estava baixo demais. Como o cinema da UFF tem o som péssimo, nunca vou saber se isso é defeito do filme ou do sistema de som falido da universidade. Se alguém assistir e puder me contar depois, agradeço.

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10 Comments

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10 responses to “À deriva

  1. Arthur

    Vi o trailer com legendas em francês recentemente no meu celular, normalmente os trailers que vejo no cel. saem com som baixo, mas achei que esse saiu com o som um pouco mais baixo que o normal. Se eu chegar a ver o filme te aviso se é nos trailers e na uff que o som tá baixo ou se é um problema do filme mesmo.

  2. Humm vou pedir pro meu pai arrumar esse filme pra mim ou pra Mari pegar na biblioteca =) Gostei da frase, mas faltou falar que é essa inconstância mesmo que faz a vida ser tão fenomenal. “O doce não é tão doce sem o azedo”

  3. Essa é minha principal bronca com o cinema nacional. Nunca acho o som bom. Sempre fico “hein?” e sempre penso em legendas. Selton Mello, então, nem tento entender. Tô louca pra ver esse filme.

  4. Cris,
    Assisti o filme no Odeon e não tive problemas com o áudio.
    Acho que o problema é realmente do Cine Uff (que na semana passada tive que abandonar a sessão porque faltando uns 10 minutos pro fim do filme o áudio sumiu!!!).
    Um beijo,
    L.

  5. madoka

    se o filme passar por aqui, com certeza virá com legendas hehehe. Difícil filme brazuca entrar em circuito por aqui. A não ser em mostras especiais, mas como esse aí é lançamento, é quase impossível vê-lo por aqui numa telona. Isso a gente sente falta, cinema e livraria.
    Seu texto sobre o filme tá tão gostoso de ler, que queria ver o filme agora.
    bjs
    madoka

  6. oi, madoka! que fofa você, obrigada. eu me emocionei tanto vendo esse filme, tanto. tive uma professora de teoria da literatura que dizia que felicidade nunca deu boa literatura nem bom cinema. eu adoro filme descompromissado, mas pra dar ‘caldo’ tem que ser como esse aí. acho que se morasse fora do brasil também sentiria falta dessas coisas. você volta algum dia? beijusssss!

  7. olá, L. o art UFF é de fato um cinema mambembe, mas eu gosto de lá. até pela tosquice mesmo, hahahahaha. nunca tive esse problema de sumir o áudio, mas já fiquei gritando numa sessão: ‘olha o foooooocoooo’. claro que me acharam louca, mas nem liguei.

    🙂

    bjs

  8. sério, tina? essa foi a primeira vez que eu senti um incômodo vendo filme nacional. vou prestar mais atenção a partir de agora.

  9. lelei, eu acho que assumir a relativa estabilidade da vida e viver bem com isso é um dom. a gente passa muito tempo querendo segurança em tudo e a toda prova. só o tempo ensina a gente. beijos, querida.

  10. ok, thur. tá chegando a hora de voltar, né? saudades de vocês dois, viu. bjs

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