Insônia

Acordei às 4 e meia da manhã. Com frio e sonhos esquisitos. Daí pra pular da cama e vir pra cá não demorou muito. Fiquei pensando. Uma coisa que eu não disse ontem é que, nesse universo bloguístico, se eu me incluo entre os bagrinhos, tem gente que pra mim é hors concours e já transcendeu. E eu acho incrível que num universo tão vasto eles consigam fazer algo que seja tão pessoal.

É assim com o Alex, com o Marcus, a Mary, a Fal. É assim com as meninas do Filhas do Dono [que fazem uma espécie de clipping misturado a outras coisas que eu adoro]. Era assim com a Tina Lopes e o Biscoito Fino do Idelber, antes que eles decidissem dar adeus às armas, isto é, à blogosfera.

É o caso dessa moça também, minha amiga, com quem eu travei essa conversa aqui. Ela escreve as coisas mais sensíveis e lindas e tocantes do mundo. Coisas que enternecem o coração, sabem. Como essa:

Você pode trepar, transar e fazer amor. As duas primeiras requerem apenas conhecimento técnico. Mas a terceira requer algo mais.
Fazer amor é, antes de tudo, conhecer. O jeito de acender o cigarro, a maneira de inclinar a cabeça quando pensa. Os olhos ficam ligeiramente avermelhados quando bate o tesão? Se entrefecham? Há urgência nas mãos? Sim, há de se reparar em todos os detalhes.
Na hora, não se deve pensar muito. É instintivo. Mas também é a maneira de abraçar que faz o coração bater loucamente, sentindo que o desejo cresce e força passagem. As pernas não deixam, prendem o que quer se libertar. Tateia, tenta escapar, encontrar a saída por onde tanto deseja entrar.
Arquear as ancas (sabe o que são as ancas? A parte mais escandalosa, a que mostra à platéia se você está agradando). Passear as mãos pelo corpo, como se procurasse algo, mas feliz por apenas escorregar na pele lisa, sedosa, que se arrepia ao menor toque, seja ele agressivo ou diáfano. E então começa a luta, de uma violência que parece mostrar que ali não há amor, quando amor é o que mais há. “Por favor, não faz isso.” Amante é tradutor universal. Isso quer dizer “Vem, eu preciso tanto de você.”

Gostou? Então termine de ler aqui. E aproveite pra dar um rolé no blog todo. A Suzana é pho-da.

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22 Comments

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22 responses to “Insônia

  1. ótima indicação… os textos são muito fodas!

  2. Ah, que indicação linda, Cris. Amei mesmo.

    E fico feliz de você me colocar no nível de gente como a Mary W. Você também pra mim é peixe grande, viu? No meu Google Reader, tem a tag “filé”, e lá está o seu blog, o da Mary e os meus outros mais favoritos entre os favoritos.

    Espero que você não seja vegetariana :^D

  3. Tina Lopes

    Nossa, repito o que o Marcus disse (no caso dele, porque é um gentleman): como assim eu junto com esse pessoal? Mas acho que volto logo com as minhas banalidades yadda yadda. Depois do inferno astral.

  4. Adorei o trecho que colocou. Vou lá mesmo conhecer o blog dela. bjobjo

  5. Gulossita

    Como existem pessoas capazes de colocar ” em praça publica ” sentidos com as palavras, com detalhes, é como ver aquele orgão pulsante nas linhas.

    Que sensibilidade a sua de identificar, sentir e pulverizar essa coisa tão boa.

    Valeu a insônia, Lindo post.

  6. a suzana é mmmmmmmmmmmuito foda.
    fodástica e minha amiga.
    rá.
    *
    *
    porque não importa se a gente não tem serventia, os amigos é que precisam ser dos bão, né?
    *
    *
    aliás, um desses caras das palavras já dizia que é no junto dos bão que a gente faz o mió.
    por deus. eu li isso em algum lugar.

  7. é, tem gente q nasceu pra isso.
    bjs

  8. o blog é super precioso hehe
    Beijos, florrrrr ^^

  9. PD

    O texto dela é muito bom, mas eu tenho implicância com essa coisa de “fazer amor”. Se eu soubesse fazer amor faria pra vender.
    É que nem “quebrar paradigma”. Tem tanta gente quebrando paradigma por aí que vou abrir uma oficina do tipo “consertam-se paradigmas” e ganhar um monte de dinheiro dos otários.

  10. hahahaha, ah, baby, como você tá implicante; tá parecendo eu [e vc nem tem TPM…]. seguinte: eu também não gosto da expressão ‘fazer amor’. quando quero falar de sexo, eu digo ‘trepar’ mesmo. eu não acho que haja uma hierarquia e que ‘fazer amor’ seja melhor ‘ trepar’. mas isso sou eu, cristiane. pra maioria das pessoas não é desse jeito e faz sentido usar essa expressão. pra mim não faz sentido acreditar numa essência de amor, mas eu achei o texto da suzana foda, mesmo assim.

    no caso de ‘quebrar paradigmas’ eu diria mais que me parece uma ‘metáfora conceitual’. dois caras de berkeley – lakoff e johnson – escreveram um livro tentando mostrar que o uso que a gente faz de certas expressões resulta, na verdade, da maneira como pensamos. falamos desse jeito porque pensamos desse jeito e porque nosso corpo nos leva a ‘experienciar’ o mundo de determinada maneira e não de outra. é uma concepção essencialista também, mas que tem sua base no corpo. eu acho que, no caso dos paradigmas, deve haver outras expressões semelhantes, mas não lembro de nenhuma [mas a tua ideia do conserto é brilhante, rs] bem, se algum dia você falar disso estou às ordens. bjs!

  11. e não é, ke´roul? também achei. bjs

  12. a suzana nasceu, ju. com toda a certeza. beijos, docinho.

  13. ai, alemoa, eu não tenho serventia nenhumas, hahahahahahaha. mas os meus amigos são os melhores que alguém pode ter, isso é fato. e você lê cada coisa, que, por deus. acho que tu bebeu foi demais, isso sim, rs. bjs!

  14. sim, tem gente que tem habilidade soberba com as palavras. isso, esse dom, sempre foi para mim motivo de admiração profunda. parece que a pessoa faz sem nenhum esforço, não é? acho lindo isso. beijos, gulossita. obrigada pelo comentário carinhoso.

  15. vai lá sim, haline. você vai adorar. beijim

  16. tina, mas olha, aquele teu post da panela de carne assada no velório é algo antológico. inesquecível mesmo. ah, você é phodona, vai. você sabe. 😉

    bjs!

  17. hahahahaha, marcus, adoro filé, sem problemas. você sabe que eu adoro te ler não é de hoje. beijos, lindo.

  18. F., que bom que você gostou! bjs

  19. Tô com a cara tão, mas tão vermelha que acho que ela vai explodir.
    Valeu, Cris. E você sabe – eu meio que comecei também por causa das Mulheres de Nietzsche, né? Que me trouxe tanta gente legal, abriu pra mim um universo de mulheres capitaneado por você. Ana, Lili, Dita, Damien (que não é mulher mas entende taaaanto disso!)…

    Estou livre nesse fimsem – se tiver sem hômi tamos aí (porque aquele planejamento viagem-ao-Chile ainda está vigorando, tá sabendo? Então :o)

  20. suzana, eu tô sempre com homi e não tô, sabe como? ah, não sabe não? então te explico quando a gente sair pra tomar nosso choppinho e combinar a viagem pro chile, estilo ‘thelma e louise’. com brad pitt, por favor, rs. bjs, flor.

  21. “É no junto dos bão que a gente aprende o mió.”
    Guimarães Rosa
    *
    *
    tá aí. eu não bebi, nada. eu li guimarães rosa, gata.
    sorry se sou conhecedora.
    hahahahahaha

  22. hoje quem tá bebinha sou eu, alemoa. claro que tu é conhecedora; o que eu aprendo de coisa contigo não dá pra contar. tu é das boas e é por isso que eu fico perto de ti 😉

    bjs

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