Monthly Archives: October 2009

Eu gosto

… e acho gata.

pitty 3

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E nem conheço muito a música dela, tirando a última,
Me adora. Mas gosto da atitude da moça. Ponto.

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Aliás e a propósito: tem entrevista com a Pitty na
TPM desse mês.

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Adendo ao
post anterior: a mesma TPM fez uma reportagem algum tempo atrás sobre o machismo dos brasileiros e a mania de dizerem que a culpa do assédio é da mulher e das roupas que ela veste. Aqui.

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É simples, é fácil, qualquer um pode fazer!

Uma piada interna

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Nuno – GO WEST! says:

depois queria q c me explicasse como chego andando ao aero. meu pai n vai estar aqui p me levar. dor e sofrimento

Cristiane says:

aero de onde???

Nuno – GO WEST! says:

o santos

Cristiane says:

santos dumont???

ué, aqui na frente da minha casa passa um busão

daquela viação q vai pra pendotiba

Nuno – Internet ruim não é legal. says:

é

Cristiane says:

posso investigar o número pra vc

q não sei de cabeça

ou então vai de barca

e puxa a malinha até o aeroporto

eu e o comandante já fizemos muito isso

Nuno – Internet ruim não é legal. says:

sabe nome e numero?

eu n sei chegar lá a pé ahah

Cristiane says:

como não sabe?

não tem erro

sai das barcas e vai andando pela calçada

vc chega lá

não tem como errar!!!!

Nuno – Internet ruim não é legal. says:

q calçada?

Cristiane says:

vc sai das barcas e toma a direção da esquerda

tem uma calçada

vai por ela

até chegar no aero

Nuno – Internet ruim não é legal. says:

por dentro da praça 15?

ou a da rua lá na frente:?

eu tenho mt talento p n saber como chegar aos lugares

Cristiane says:

bruno

vou desenhar, rs

quérido

vc sai da barca, néam?

ali na praça XV

não precisa ir a lugar algum

Nuno – Internet ruim não é legal. says:

sim

Cristiane says:

vá caminhando placidamente pela calçada passe em frente ao rei do mate e continue caminhando

na calçada

Nuno – Internet ruim não é legal. says:

ahhahahahah

eu n posso ser bom em tudo

ouquei?!

Cristiane says:

não desça, não atravesse

Nuno – Internet ruim não é legal. says:

ahhahahaha

Cristiane says:

simplesmente caminhe

kkkkkkkkkkkkkkkk

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Cristiane, treinando pra ser guia de turismo no Ridejanêro. Em tempo, eu não sei ler mapas, sou péssima pra seguir instruções, mas como eu e o Bruno vamos casar e viver um louco amor [acho que alguma coisa nessa frase não faz sentido], eu abri uma exceção.

viagem 129 - Cópia - Cópia

Bruno sussurando obscenidades no meu ouvido. SP, 2009.

 

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O horror

Com o passar do tempo, eu me tornei uma pessoa mais sensível a manifestações de machismo, tanto veladas quanto explícitas. Na verdade, elas sempre estiveram aí, lógico, mas nunca chegaram a me incomodar tanto quanto agora, que eu tenho mais consciência delas. De tanto ler e ouvir pessoas diferentes, fiquei mais sensível ao tema. Antes de prosseguir, é preciso que eu deixe bem claro que eu não tenho experiência acadêmica no assunto e, o que sei, aprendi de segunda mão. Portanto, o que eu digo são as minhas opiniões, mescladas com coisas que outras pessoas disseram e que eu acho pertinentes. E eu nem sei se já sou capaz de processar essas opiniões com a devida propriedade. Muita coisa do discurso machista me escapa – e isso me faz sentir uma pateta, à vezes.

Por que essas coisas têm me incomodado tanto? Como eu disse, eu fiquei mais sensível a elas. Antes eu seria incapaz de reconhecer machismo na maioria das situações que hoje me perturbam. Quando eu falo machismo, eu preciso dizer que isso não se refere necessariamente apenas aos homens. É algo que tem a ver com discursos e as posições que nós assumimos. Explico. Em linguística, existe uma linha de pesquisa que se chama ‘análise do discurso‘. É uma denominação que acomoda algumas linhas diferentes entre si, mas essa de que vou falar leva o nome de seu principal precursor: Pêcheux. Não é a minha praia, sei muito pouco, mas, do que li, algumas coisas se mostraram úteis pra eu entender o que se passa quando se fala desse tema. Resumidamente, a análise do discurso afirma que os sujeitos enunciam de um determinado ‘lugar’ na cadeia discursiva. A isso equivale dizer que ninguém enuncia , ou seja, diz nada no vácuo porque o discurso é uma construção social. A gente é meio que ‘capturado’  por essa estrutura. Quando a gente acha que está enunciando algo ‘inédito’, do fundo do coração, ou porque acredita-se sujeito e senhor de suas vontades e atos está apenas e na verdade atualizando discursos vigentes. As nossas falas são colagens e não tem nenhuma originalidade nisso. É como se, ao dizer algo, estivéssemos assumindo uma determinada posição, nos colocando em algum lugar para, dali, dizer algo. Fazemos isso o tempo todo.

Por que eu estou dizendo isso? Porque muito frequentemente eu escuto pérolas machistas, mas as pessoas que as dizem 1) não sabem ou não reconhecem nelas machismo algum; 2) não acham que estão reforçando nenhum discurso opressor. Dão várias razões pessoais para o fato, como se isso justificasse suas falas. Pra não ficar confuso, vou dar um exemplo. Meu pai sempre diz ao meu filho quando voltamos da casa dele [detalhe: moramos no mesmo prédio, 5 andares acima]: “Toma conta da sua mãe”. Apressadamente alguém poderia dizer: olha aí um homem preocupado com a filha. Eu diria: olha aí um exemplo do que eu acabei de falar. Meu pai tem 72 anos e com certeza nunca iria pensar que está sendo machista ao dizer isso, mas está. Para ele, uma mulher sozinha, sem marido, sempre vai precisar de alguém que tome conta dela, ainda que ela seja independente, pague suas contas, seja doutora e funcionária federal. Nada disso entra nessa conta. Como meu paizinho não entenderia um ato de revolta meu, eu simplesmente balanço a cabeça e sorrio. Mal sabe ele que apenas repete uma noção que está entranhada em quase todo tipo de discurso. Essa ideia da mulher desprotegida, desamparada e em perigo só porque está sem homem.

Noutras ocasiões eu sou tomada de espanto justamente pelo teor explícito – e nojento – das coisas que eu escuto. Lá no trabalho tem um grupinho de machos-alfa que adora nos brindar com pérolas. Coisas do tipo “Mulher não precisa falar nada inteligente; é só abrir as pernas”. Juro. Isso no meio de professores. Nessas horas eu nunca consigo ficar quieta e mando logo uma frase mal humorada do tipo “Ah, você devia se olhar no espelho de vez em quando antes de falar isso”. Eu sei que deveria tentar dizer algo mais inteligente, mas eu me sinto uma troglodita nessa área [direitos da mulher] e não tenho muitos argumentos. Só me dá raiva mesmo. E eu com raiva não consigo articular nada que preste.

Sobre essa coisa de não ter argumentos. Por exemplo, aqui no Ridejanêro tem um carro só para mulheres no metrô, nos horários de rush. Antigamente eu achava bobagem. Agora eu não acho mais. Claro que eu acho que o ideal seria que os homens fossem educados o suficiente pra entender que as mulheres não são um pedaço de carne que eles podem ir passando a mão impunemente. A gente adora sexo – ou não, e isso também não é problema nenhum – e, por isso mesmo, a gente pode escolher com quem, quando e como vai fazer. Como a grande maioria dos seres que possuem pinto não possuem, entretanto, tal discernimento, eu passei a achar o tal carro uma boa opção. Eu, por exemplo, só ando nele. Mas se me perguntarem a razão eu não tenho argumentos muito mais sofisticados do que os que eu apresentei aí em cima. E que, bem. Pra mim são suficientes. Eu decido se quero alguém se esfregando em mim, assim como a hora, o local e tudo mais. E como tem pessoas que não entendem esse princípio simples, a gente desenha.

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Eu comecei a escrever esse textinho há algum tempo e andava sem vontade de terminá-lo até que ontem, quando cheguei em casa tarde da noite, o Marcus me conta do babado que movimentou a blogosfera durante o dia: a notícia sobre a aluna da Uniban que quase foi estuprada no campus. Logo assim que ele começou a me contar, achei que fosse mais um daqueles casos de mulheres estupradas em estacionamentos desertos. Mas não. O caso é que uma aluna dessa faculdade de mauriçolas resolveu ir à aula vestida – segundo eles – ‘como uma puta’. E é óbvio que todo mundo sabe que as putas são seres desprezíveis que estão aí no mundo pra serem estupradas mesmo. Esse post aqui me deixou estarrecida, babando de ódio e com muitas interrogações na cabeça. Me deixa perplexa o fato de que – como a Marjorie bem pontuou – uma pessoa se choque mais com uma saia curta do que com uma ameaça de estupro. Meu deus. Eu não consigo acreditar que essas pessoas vivam no mesmo mundo que eu.

Hoje conversando com meu filho durante o café da manhã [e eu faço questão de conversar essas coisas com ele], ele veio me dizer que talvez eu estivesse vendo o fato pelo viés errado, ou seja: por que eu estava chocada, se é notório que o mundo é habitado por bichos escrotos como os aluninhos da tal universidade? E eu respondi a ele que é claro que a gente sabe que essas coisas acontecem desde que o mundo é mundo, e que o cenário já foi muito pior. Mas eu acredito firmemente que, se nós caminhamos e evoluímos, é porque pessoas mantiveram-se atentas para essas barbáries, não deixando que elas se instalassem no nosso imaginário como ‘naturais’. Naturalizar uma coisa dessas, assim como a violência na porta do meu trabalho, assim como tantos outros absurdos, é contribuir para que nunca se faça nada para mudar o mundo. Eu sei. Eu sinto desânimo. Um desânimo estarrecedor. Mas acredito também que a gente tem obrigação de fazer alguma coisa. Nem que seja espernear e gritar e discutir. Muito, muito, até que eles – os machistas escrotos desse mundo – se sintam acuados. Se eles não se cansam se serem escrotos, por que nós – que queremos um mundo melhor – deveríamos nos cansar?

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E o Alex fez uma pergunta que eu acho super pertinente: que tipo de roupa um homem precisaria usar para causar esse tipo de balbúrdia?

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O menor conto do mundo

Tentando retomar a minha verve ‘leitora’ depois da tese, andei ‘cavucando’ posts no blog véio. Esse aqui é dos que mais gosto.

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O argentino Ricardo Piglia, num artigo intitulado “Teses sobre o conto“, afirma que o conto sempre conta duas histórias. O texto abaixo, do escritor guatemalteco Augusto Monterroso, é considerado o menor conto do mundo.

Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá.

Quais seriam as duas histórias entrelaçadas nessa narrativa?

Leia mais microcontos aqui (clique na casa para ler os contos do site).

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Esse, até agora, é um dos meus favoritos:

Ela disse que ele era despudorado. Limpou os lábios e saiu.

(Fernando Henrique Baldissera)

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Ainda sobre o artigo do Piglia, linkado no Biscoito Fino: Emma Zunz, do Borges figura na lista dos meus contos favoritos. Se puderem, leiam. Eu acho uma obra prima.

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Cinco coisas

… pra se fazer em Nichteroy.

1. Ir à Itacoatiara. Aí você vai dizer: “Ah, não! Mais uma praia. O Rio está cheio delas – e elas são lindas!” Ao que eu retruco: “Sim, mas Itaquá não é apenas uma praia, ela é A PRAIA”. É linda, cheia de graça e encantos. Tem quiosques com comidinhas ótimas – eu recomendo um onde se vende o melhor ceviche que já comi. E se a especulação imobiliária e a nossa prefeitura não interferirem, talvez ela continue esse paraíso por um bom tempo. Olha que eu sou um ser acima de quaisquer suspeitas, pois nunca vou à praia – exceção para esse paraíso…

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2. Visitar o MAC. Eu sei, já virou clichê, tem fotos do tal disco voador do Niemeyer até no aeroporto de Zurique (salvo engano meu…), mas nunca é demais lembrar: vir à Niterói e não ir ao MAC é como ir à Roma… O acervo não é lá essas coisas. Mas quem é que vai lá pelo acervo? A gente vai mesmo é pela vista deslumbrante, pela sensação de estar literalmente voando sobre o mar. Ir ao MAC num fim de tarde de sol é ter uma dessas experiências chamadas “transcendentais”.

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3. Visitar os fortes. Outro clichê (já disse que gosto deles?). Niterói está repleta de fortes, que oferecem vistas inusitadas das praias e do Rio. Eles são sete. Conte aí comigo: Gragoatá, da Boa Viagem, Rio Branco, do Pico, São Luiz, Fortaleza de Santa Cruz e Imbuí. Um motivo e tanto pra se cruzar a ponte.

4. Ouvir música no São Dom Dom. A praça de São Domingos em frente ao campus da UFF fica lotada de gente a semana toda. Por ali há barzinhos e botequins – com e sem música – para todos os gostos. O São Dom Dom é, com certeza, o bar que reúne os melhores músicos de Niterói – que estão também entre os melhores do país. Em Niterói, para bebuns e não-bebuns, o São Dom Dom é sinônimo de música da melhor qualidade.

5. Comer peixe no Celina’s. Em Niterói há muitos restaurantes que servem peixes maravilhosos, mas no Celina’s você não come peixe: você tem uma experiência gastronômica. O restaurante não tem nenhum glamu: esqueça decoração caprichada – aliás, esqueça o substantivo “decoração”. Lá você não vai encontrar nenhuma – ou garçons paparicando você e etc. O Celina’s funciona onde antes era uma casa de família, e assim ficou. O único garçom é mal-humorado pra caramba, mas a comida, ó Deus, o que é aquela comida? É pra comer de joelhos e beijar o cozinheiro na boca. Celina’s: Estrada Gal. Eurico Gaspa Dutra, 76 – Jurujuba, Niterói. Fone: (21) 2710-0261.

6. Eu sei que o título do post diz ‘cinco coisas’, mas lembrei de tantas outras que é preciso um último e sexto item. Aqui você pode ainda: comer bolinho de bacalhau no Caneco Gelado do Mário (o pé-sujo mais legal da cidade); ir ao mercado de peixe São Pedro e descobrir porque os chefs de restaurantes estrelados do Rio se dão ao trabalho de vir até aqui comprar pescado; assistir um filme no Art UFF [o cinema mais zuado – e, por isso mesmo, o mais legal da cidade] numa segunda-feira e pagar apenas R$2,00; tomar café-da-manhã numa das inúmeras padarias legais de Icaraí. E mais a memória não me permite lembrar. E aí, quais lugares você recomendaria na sua cidade?

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Os meus alunos do Enxenho acham Niterói um lugar bizarro. Pra eles Niterói, São Gonçalo, Alcântara e o Acre ficam todos próximos. Portanto, pessoal, esse post é pra dissipar a ignorância de vocês, ok?

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Contra o ceticismo

Doubt everything or believe everything: these are two equally convenient strategies. With either we dispense the need for reflection.

Henri Poincare


Quase uma tuitada.

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Outubro rosa

Como parte do movimento de conscientização para a necessidade de prevenção ao câncer de mama, chamado ‘Outubro Rosa‘, uma amiga teve uma ideia que eu achei super-fofa:  fazer um passeio de bicicleta, juntando todas as amigas e amigas das amigas [quem disser que lembra do The L word ganha um doce, rs]. Recebi um email dela ontem e logo as meninas começaram  a trocar um monte de mensagens, num ritmo frenético.

A princípio, seria um passeio apenas com meninas que gostam de meninas, mas logo a ideia evoluiu até tornar-se mais ‘inclusiva’, passando-se a considerar a possibilidade de chamar amiguinhas héteros também. Nas palavras da minha amiga o passeio seria “uma coisa de amiga, amiga de amiga, amiga hetero, amiga pan, amiga que tem peito”.

Eu, como adoro andar de bicicleta e adoro uma bagunça organizada, fui logo aderindo. Na boa, acho que seria ao mesmo tempo divertido e bacana poder juntar as meninas e fazer alguma divulgação do movimento. Ainda que o passeio aconteça na zona sul, onde as pessoas teoricamente tem um bom nível de informação e acesso a serviços médicos. Acredito que, mesmo num contexto desses, seja válido pontuar a questão da importância do diagnóstico precoce na prevenção da doença, por exemplo. E mesmo entre pessoas esclarecidas existem aquelas que preferem ‘tapar o sol com a peneira’, então, para essas, seria legal mostrar que a doença é algo implacável, mas existe luz ao fim do túnel.

Claro que teve criatura chata colocando areia na sopa dos outros e dizendo que um passeio desses não faz o menor sentido, que usar o câncer de mama pra unir pessoas é exagerado, que juntar câncer de mama e passeio de bicicleta é uma ideia destrambelhada, etc etc. Enfim, a essas eu recomendo que fiquem em casa assistindo o Raul Gil e nos deixe com o nosso passeio lindo na Lagoa.

Agora eu queria saber das minhas [3] ‘leitoras’ o que elas acham da ideia e se topariam um passeio desses. Prometo deixar aqui as atualizações sobre data e local. E periga ainda ter camisetinha do evento. Eba!

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Claro que, com um monte de mulher junta trocando email, não poderia dar boa coisa. Lá pelas tantas alguém manda essa:

“aaaaaahhhhh, achei que fosse ter auto-exame, assim, mútuo.

hahahaha”

Ao que alguém responde:

“Ah! Não vai ser passeio pra se pegar? Que pena! hehehehehe”

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Não é porque o assunto é sério que as pessoas não podem se divertir, né minha gente. Oras.

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