Texto e prazer

barthes

O lugar mais erótico de um corpo não é o ponto em que o vestuário se entreabre? Na perversão (que é o regime do prazer textual) não há ‘zonas erógenas’ (expressão aliás bastante importuna); é a intermitência, como muito bem o disse a psicanálise, que é erótica: a da pele que cintila entre duas peças (as calças e a camisola), entre duas margens (a camisa entreaberta, a luva e a manga); é essa a própria cintilação que seduz, ou ainda: a encenação de um aparecimento-desaparecimento

Roland Barthes, O Prazer do Texto


Barthes é um dos teóricos mais importantes da teoria da literatura. Eu o conheço pouco, embora tenha imenso apreço pelas suas obras, na verdade, duas em especial: Aula e O Prazer do Texto. Minha edição desse último é portuguesa, com prefácio de Eduardo Prado Coelho. Meu exemplar data de 1993 [eu costumo escrever as datas em que compro os livros] e está caindo aos pedaços, todo colado com uma feia fita gomada. No texto, eu sublinhei as passagens que achei mais bonitas, porque não li o livro procurando teoria. Meus olhos se encantaram mesmo foi com a beleza do texto. Vejam se não estou com a razão:

O texto que escreve tem que me dar a prova de que me deseja. Essa prova existe: é a escrita. A escrita é isso: a ciência das fruições da linguagem, o seu kamasutra (desta ciência, existe um só tratado: a própria escrita)

Lindo demais, não?

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Agradeço ao meu amigo  pela foto.

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11 Comments

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11 responses to “Texto e prazer

  1. E eu acho que foi porque você não tava procurando por teoria que acabou achando coisas bonitas…
    Toda vez que procuro teoria acabo me aborrecendo, talvez por sempre ter sido meio por obrigação 😉

  2. A.

    Eu tenho “Neutro” e “Crítica e Verdade”. Acho ele muito bom. “Aula” tive que ler para USP ano passado.

  3. Francisco

    interessante, intermitência, vai-não-vai, realmente erótico.
    texto bonito mesmo, embora eu não faça menor idéia (ao menos no exato momento) do que pode ser o prazer de ler alguma coisa

  4. hahahahahaha, francisco, claro que ler pode dar prazer e é disso que o Barthes fala. mas isso você só vai descobrir quando terminar a graduação. é quando a gente começa a ler o que gosta. bjs

  5. A. eu tenho ‘Aula’ e sempre leio uns trechos de vez em quando. no mestrado e no doutorado eu lia sempre que tinha um trabalho pra escrever sobre o assunto. agora eu leio por prazer mesmo. bjs!!

  6. Lelei, eu também gosto de teoria, mas aí é outro prazer, não esse que o Barthes fala. bjs, lindona

  7. Francisco

    ah, eu sei que ler pode dar prazer, e nesse ponto, é como todas as outras coisas do mundo, cada um gosta do seu jeito.
    acho que a intenção do comentário foi outra, mais particular 🙂

  8. Su

    Texto lindo, lindo! E a foto mais ainda… beijos pra vc!

  9. seu amigo Zé tem bom gosto né?
    bjs

  10. hahahahahaha, oi, ju. ele tem sim. sabe tudo aquele lá. beijinhos procê tb.

  11. Su! que bom que você gostou, lindinha. saudades. bjs

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