Há 3 anos

Eu escrevi essas besteiras há 3 anos atrás, na véspera do meu aniversário. Ontem, depois de conversar longamente com um amigo, eu reli o texto. Me pareceu meio bobo agora, olhando à distância. Eu andei aprendendo coisas nesses últimos anos que me deixaram mais espertinha. Logo, isso aí me soa como um apanhado de mimimi feelings. Eu nem sei o que é ‘ir fazendo o que você acha que deve’. Eu não tenho ‘as rédeas do meu destino’, como uma heroína do Manoel Carlos teria [e nem quero!!!]. Muito medo de quem acha que já sabe tudo e tem respostas pra todas as coisas. É ótimo olhar pra trás e constatar que eu não permaneci a mesma. [De resto, eu ainda quero ir pra Nova York, sabem? Ainda quero participar de um seminário sobre ceticismo em Cambridge, e quero fazer pós-doc no exterior sim, viu Thur, hahahahahaha. Ah. E ainda não desisti de virar a melhor confeiteira do mundo. Doutora e ‘fazedora’ de bolos, claro]

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Se há alguma coisa a aprender é essa: não espere nada. Não espere que façam sua vida melhor. Eu não sei como escrever isso sem parecer amarga e ressentida. Sabe como é. Um ano. Foi embora. Hora de botar os pesos na balança. Mal você piscou os olhos e pronto. Hora do spring cleaning. Não tem metáfora mais gasta que essa – e eu sou a rainha das metáforas gastas. Novel metaphors me dão sono.

Voltando. Não estou batendo no peito e dizendo: “Eu me basto.” Seria ridículo E mentiroso. Mas eu aprendi que dá pra ser independente sem carregar bandeira em praça pública. É só não esperar muito. Vai fazendo o que você acha que deve. Se alguém quiser te acompanhar, ótimo.

Bom, eu fico aqui tentando. Planos, por exemplo. Eu tenho muitos. Vários. Alguns inexequíveis. Sem problema; o exercício de elaborar os planos já me basta. Um seminário sobre ceticismo antigo e moderno em Nova York. Um apartamento meu, do jeito que eu quero, antigo, sem elevador, sem garagem, sem porteiro e com o mínimo de crianças. Mais tempo pra dar aulas na favela da Grota. Eu penso em tudo isso. E, se não der pra fazer agora, eu passo pra outro. Talvez um dia eu visite aquele plano engavetado. E, quem sabe, não é a hora dele?

Eu acho que se pensar muito no macro, não dá pra ser feliz não. É muita minhoca que essa filosofia botou na minha cachola. Mas olhando pro meu micro-cosmo a coisa muda de figura. Eu fico vendo a Sassá deitada aqui na cama, me olhando com olhinhos de sono e carinho. A Keka esparramada no sofá, branquinha e macia. Sempre pronta pra me deixar apertá-la mais um pouco. Meu filho crescendo e virando homem. É um lindo processo esse de transformar alguém em gente. Hora em que eu paro e penso: “Puxa, então fazer daquele jeito não foi de todo inútil.” E olha que eu tinha tanto, tanto medo. Coisa de mãe jovem.

Amanhã é hora de colher mais um. E, embora esteja muito, muito cansada, fisica mental e emocionalmente, eu preciso fazer esse retrospecto. Um ano para ser lembrado. Dificílimo, e não por causa da tese. As coisas que realmente importam passaram a ter outro significado. E eu não tenho mais medo de nada.

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Eu tenho que contar que foi tão maravilhoso hoje ver meus alunos de sexto período cantando parabéns. E dizendo coisas carinhosas. Metade da turma já tinha ido. E os que ficaram quase me matam do coração. Nunca pensei que isso fosse acontecer. Outro dia uma aluna dessa mesma turma veio me perguntar se eu poderia orientar a monografia de final de curso dela. Meu primeiro pedido de orientação. Que vai entrar pra história. Como, aliás, quase tudo nesse ano.

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6 Comments

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6 responses to “Há 3 anos

  1. Edu

    Parabéns pra vocêêêê!! Manda bolo lá pra caaasaaaa! Muitas felicidades! Muitos anos de vida! êêê!!!

  2. obrigada, edu, mas meu aniversário já passou, foi dia 5 de outubro. esse texto aí eu escrevi na véspera desse dia, há uns 3 anos atrás, acho. só lembrei dele por conta da conversa com meu amigo. mas obrigada pelo comentário, querido. beijins!

  3. Hum, pedido de orientação, gostoso né?
    Minha orientadora quase chorou qndo pedi pra ela, depois me disse q eu tinha sido a primeira e q essa a gente nunca esquece…
    [fiquei triste com a falta de empenho ou talvez por ser a primeira ela não soubesse o q fazer, enfim, foi bom, mas sei q vc será ótima, sua aluna fez uma ótima escolha]
    bjs

  4. madoka

    Cris, lendo seu texto, nossa, as lágrimas estão rolando até agora, muito lindo , me tocou muito, mesmo.
    a vida, é um mundo de possibilidades.
    e que mulher poderosa que vc virou heim, não ter medo de nada, ulalá menina.
    abraço afetuoso

  5. pois é, madoka, mas eu leio isso e nem parece que fui eu. muito melancólico. hoje minha vida é outra. e olha que isso foi praticamente ontem. mas eu mudei muito mesmo – e tenho certeza de que foi pra melhor. um doce teu comentário. bjs!

  6. Falou tudo: “Muito medo de quem acha que já sabe tudo e tem respostas pra todas as coisas. É ótimo olhar pra trás e constatar que eu não permaneci a mesma.” O melhor é saber que esses momentos que a gente olha pra trás e acha que mudou pra melhor (só o aniversário do ano que vem pode provar isso também né? hehe) Metamorfose ambulante, aprendendo com cada fase que a vida mostra pra gente 😉

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