Só o George salva

Esse sorriso...

Ontem fomos eu e um amigo ver ‘Amor sem escalas’ [Esse título em português é um dos piores dos últimos tempos, além de ser enganoso, pois pode dar a impressão de que se trata de uma comédia romântica, o que, absolutamente, não é verdade]. ‘Up in the air’ é um filme que poderia ser muita coisa. Tem um – vá lá – bom elenco, um punhado de boas ideias, mas tudo isso é simplesmente jogado ao vento. Achei o filme bem, bem mais ou menos. Confuso, sem foco, sem ‘peso’. O filme afinal é sobre o quê? A própria sinopse distribuída na imprensa é confusa.

É mais ou menos assim a historinha: Ryan Bingham [o George em carne, osso e gostosura] ganha a vida trabalhando numa empresa que demite pessoas. Ele fala no início que seu papel é fazer o servicinho sujo que ninguém quer fazer. Então ele vai lá, o funcionário senta na poltrona em frente a sua mesa e ele o demite. Com o papo mais cínico do mundo. Ryan vive viajando, não tem raízes, não se apega a nada, não tem família – e parece gostar disso. Seu objetivo na vida – segundo ele mesmo diz – é acumular um total de 10 milhões de milhas e tornar-se parte de um seleto clube de viajantes.

Esse olhar matador...

Contando assim, parece ser bem bobo. Mas fica ainda pior. Coisas acontecem no trabalho e na própria vida de George e ele se vê em meio a questões – ããhh – existenciais [?]. Tenta se reaproximar da família [um movimento bem forçado e uma digressão bastante inútil na narrativa], vai até o casamento da sobrinha e ainda leva com ele um ‘par’. Uma mulher linda que ele conhece em uma de suas viagens e por quem sente-se atraído. A partir daí, parece que Ryan começa a ‘questionar’ suas opções, parece querer tornar-se uma pessoa ‘melhor’.

Achei essa escolha do diretor forçadíssima, com um tom moralizante. E piegas também. Porque, vamos pensar juntos. Qual o problema de alguém não querer casar e ter filhos e preferir passar a vida voando daqui pra lá? Por que isso deveria deixar alguém se sentindo mal? A única possibilidade de ser feliz é ser casado, morar numa casa grande, cheia de crianças e ter um cachorro? Com certeza, se isso for tomado como verdade, acho que metade da humanidade estará em maus lençóis.

Se tem alguma coisa que eu gostei no filme? Bem, tem sim. Esse moço aí das fotos é a principal delas, rs. Li em algum lugar, acho que na Lola, que George Clooney é o novo Cary Grant. Não me lembro de ter visto nenhum file do Cary, mas sei que charme ele tem de sobra. And so does George. Nunca parei pra analisar a performance de George Clooney e, sinceramente, nem teria como fazê-lo, porque, porque, bem, porque não dá, né! Falando sério agora, não acho que ele seja um ator ruim. Talvez ele não tenha extensos recursos dramáticos ou talvez não lhe seja oferecida uma gama muito grande de opções de papéis. Mas daí a chamá-lo de ‘ruim’ é uma longa distância. E vou confessar que daria nota 5,0 pro filme, mas pelo George – e só por ele – ‘Amor sem escalas’ leva 7,0. E tenho dito. Podem me chamar de tendenciosa, rs.

*************************************
Outra coisa que o filme me deu de bom foi a certeza de que não estou sozinha no cosmos e nem sou louca de pedra. Ao ver o desespero e a reação de todas aquelas pessoas sendo mandadas embora de seus empregos lembrei de mim em 2005, passando pelo mesmo problema, sofrendo e vendo pessoas à minha volta, na mesma situação que eu, se comportando como se aquilo não fosse importante, como se ser mandado embora da empresa onde você trabalhou por longos anos e onde, com certeza, não deixou furos, fosse a coisa mais natural do mundo. Como se também fosse natural socializar com quem foi responsável pela sua degola. Porque na iniciativa privada é assim, hoje você tem ‘perfil’, mas amanhã já não tem mais. Por mais que você tente se especializar. Mesmo antes de ter visto o filme eu já sabia que minha revolta não era descabida. Tampouco o processo que movi contra a empresa, baseando-me em furos que deixaram na minha rescisão. Hoje a situação na minha vida é bem outra e essas coisas estão superadas. Mas ser demitido é algo que não desejo ao meu pior inimigo.

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15 Comments

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15 responses to “Só o George salva

  1. Marta

    Concordo: o título em português é um dos piores! Estava pensando, até quarta passada, que o filme era uma comédia romântica.

    Na boa… acho que fazem isso justamente pra enganar mesmo.

  2. sibely Cooper

    De tantos “blogs” que lí, este é o único em que encontrei alguém que compartilha
    das mesmas idéias que eu em relação ao filme “Amor sem Escalas.
    Senti que o filme carrega um roteiro extremamente confuso, sem chegar a lugar algum.
    Não senti que o personagem tenha carisma e que possa ser comparado às grandes atuações de um “CARY GRANT”, que aliás é incomparável.
    Senti também certo preconceito contra as pessoas que vivem rumos diversos na vida que não aquele de se casar e ter filhos e que só assim, desta forma possam viver “felizes para sempre”.Chega a ser irônico .
    Mostrar também que quem vive esta vida de casado (como é o caso da protagonista) e que assume uma vida paralela de
    aventuras é o correto também não soa como algo normal.
    A outra menina que contracena com ele, a que viaja junto , é a psicóloga da empresa também é uma chata que não emplaca de jeito nenhum,além de feia e sem atrativos.
    Pois é , meu querido escritor, eu ao ver o filme me senti em maus lencóis como você descreve,rsrs
    Posso até te garantir que a imprensa americana tenta forçar uma imagem de que George Clooney é o novo Cary Grant, e isso é o que mais me irrita.
    Como cinéfila inveterada posso afirmar que nem de longe este aí dos anos 2000 se compara a um Astro de tanta classe e carisma como foi Cary Grant, versátil e talentoso.
    Na verdade penso que há tanta saudade em reviver os “Anos Dourados do cinema” (Golden Age), que tentam forçar algo que na verdade não existe.
    Portanto aconselho que veja os filmes de Cary Grant e só assim vai entender que não dá para forçar um Astro, um ídolo,um ícone.
    Cary Grant, Gary Cooper, Paul Newman, Errol Flynn, Tyrone Power, enfim…
    Estes só existiram uma vez, e neste cinema atual não há ninguém realmente comparável…
    Se bem que eu adoro o Colin Firth, rsrs
    Minha nota para o filme é 2, só porque perdi meu tempo.
    Espero que não ganhe nenhum OSCAR.

  3. marta, acho que deve ser jogada comercial sim, pra melhor vender o filme. e isso acontece aos montes, acho eu.

    oi, sibely. bacana o teu comentário. mas eu preciso esclarecer uma coisa, ou melhor, duas, rs. primeiro, eu sou menina, meu nome é cris 🙂
    segundo, a comparação com cary grant não foi feita por mim. como não tenho conhecimento de causa, não a endosso nem nego, apenas mencionei a título de curiosidade. deixo para as pessoas que realmente conhecem o assunto opinarem sobre ele. como eu disse, eu nem poderia emitir uma opinião informada, já que, pelo que me lembro, nunca vi um filme com cary grant. inclusive dei o link pro blog da moça que escreveu um post sobre o filme, é só você clicar em cima do nome dela para ir até lá conferir. fico feliz que cinéfilos se manifestem aqui – até pra me tacar pedras, rs. eu não sou cinéfila, sou apenas alguém que gosta de dar pitaco em tudo, hahahaha. bjs!

    p.s.: outra coisa, sibely: eu também acho que esse filme nem deveria ser indicado ao oscar. mas, se for, pelamor de deus, é o fim do mundo. será que a safra de filmes esse ano está tão pobre assim?

  4. Bella

    amiga, só dá George, hein?? cara, tava pensando sobre o título tb e putz, péssimo ao cubo. sem noção total. e sim, algusn trailers e sinopses fazem vc pensar q o filme é uma coisa q ele tá longe de ser. vide “separados pelo casamento” q parece comédia escrachada no trailer, mas é mega deprê (pelo menos pra mim foi, super choro qdo vejo). outra coisa, o “amor sem escalas” já foi indicado a N Oscars. foi por isso q coloquei no twitter q não acho q seja filme de Oscar nem aqui e nem na China! as indicações saíram nessa semana q passou.
    por fim (ufa!), acho q qdo a sibely aí em cima fala “meu querido escritor” não é q ela esteja achando q vc é menino (hehe), mas creio ter sido uma referência ao roteirista do filme.
    c´est ça.
    bjs
    p.s. ela não vai ao casamento da irmã??? é sobrinha???

  5. Bella

    no ps quis dizer “ele”, George, e não ela… mistyped

  6. menina, qualquer filme com esse homem é bom, mesmo sendo um caca… ele vale qualquer coisa… 🙂

  7. Melina F.

    Não é comédia romântica? Puuuutz. Pensei que era um filme em que o casal se encontrava em um aeroporto ou então eram de países diferentes. Algo do nível, sei lá.

    E George Clooney, hein? Sem comentários.
    Eu não posso citar nenhum filme ótimo dele. Acho ele liiiindo, mas um filme ótimo, não tem nenhum. Talvez porque o estilo de filme que ele faz nunca me intriga =P

    :*

  8. Oi, Melina. Sabe que você tem razão? Também não me lembro de nenhum filme ótimo dele, mas acho esse homem uma coisa tão linda que tudo fica secundário, hahahahahaha [eu sei, isso é bem ridículo de se dizer, mas é verdade…]

    Pois é, Ju, acho que pensamos igualzinho…

    Bella, eu não vi o trailer, escolhi o filme baseado no que amigos me disseram e… no George, claro! Nem sabia que o filme havia recebido indicações – o que eu acho bem nada-a-ver. Não que o Oscar seja parâmetro pra nada, mas já houve indicações melhores. Bom, vou ler o comentário da Sibely de novo, devo ter viajado na maionese, hehehehehe. [Ah, e o casamento é da sobrinha do Ryan tá?]. Bjs!

  9. Ai que ódio que dá escrever um monte aqui e apagar sem querer – não dá pra fazer control z. Bem, eu estava dizendo mais animadamente antes que gostei do filme, apesar de defeitos gritantes (tipo a corridinha dele atrás da mulher, super ridícula). Gostei pelo fato de ser um filme pessimista que, em minha interpretação besta, mostra que qualquer escolha sempre nos deixa uma sensação de frustração, de que outro caminho poderia ser melhor. Aquela coisa: qd vc escolhe, está deixando a outra opção pra trás. Então ele era o único personagem aparentemente feliz, e íntegro, com sua escolha em ser desligado de tudo. Mas os relacionamentos externos, a (cof cof, desculpe) sociedade, o obriga a questionar, repensar – a irmã, que o faz voltar pra família; o chefe, que o torna responsável por uma aprendiz; a amante, que é a pior personagem de todas, porque finge ser uma pessoa plena com uma vida igual à dele (e desde o início desconfiei de que não era bem assim). Aí o filme acaba com o mesmo personagem depois de ter sido aviltado: tiraram-lhe todo o prazer e ele passou a ser um infeliz como todos os demais. Na boa, nem me emocionei com os desempregados. Gostei da família super classe média baixa baixa, cafona; do fato de ele não ter um apê yuppie e sim uma vidinha quase pobre fora dos aeroportos. O maridão implicou com o excesso de música e do que ele chama de “clips” (anos 80, oi). Mas GEORGE, pelamor. Achei-o ótimo, charmoso na medida, sem que a beleza estrague a sutileza da interpretação. Acho-o sim da estirpe de um Cary Grant. Bjk!

  10. ah, pois é, tina. eu concordo com várias coisas que você disse, tanto que dei 7,0 pro filme e destaquei o fato de que há boas ideias ali, mas que acabam se perdendo. a narrativa é meio confusa, né? desde o começo. sim, o tom pessimista é legal e eu acho que ele – george, oh, george! – empresta um ar blasé ao personagem que muito me agradou. o ryan não é um bobo alegre que ‘veste a camisa’ da empresa. ele faz o que tem que ser feito e tem consciência do que provoca nas pessoas. ele sabe que tá ali fazendo o ‘serviço sujo’ e não tenta dourar a pílula. mas, na boa? achei que houve um julgamento moral do personagem. do tipo: ‘tá vendo, ryan fez as escolhas erradas e agora é tarde pra ele ser feliz’. daí só resta ao ‘coitadinho’ sair fazendo o bem, distribuindo milhas pra sobrinha dar a volta ao mundo, aguentando aquela irmã chata e tals. pra ver se consegue achar algum ‘sentido’ na vida. e não me agrada também a posição em que o diretor colocou a alex. e daí que ela era casada? e se fosse ela a se apaixonar por ele e querer largar a família, será que ele bancaria? eu acho que não. mas como ela é mulher, ficou aquela coisa de ‘olha só que megera, enganando o moço’. ali ninguém enganou ninguém. ele viu o que queria ver. achei uma pena que um personagem que, como você disse, era feliz com suas escolhas, de repente seja mostrado como um coitadinho que levou um pé na bunda da mulher ‘megera’ – e logo no momento em que ele estava disposto a renunciar a sua vida em favor do [cof cof, rs] ‘amor’. achei uma pena mesmo o filme ter tomado esse rumo. as tintas ‘moralizantes’ acabaram por estragar uma história que poderia ter terminado de maneira mais digna pro ryan. mas o george, ai. o george sai ileso disso tudo. nunca vi cary grant atuar, sou ignorante mesmo, mas abro mão da comparação: pra mim george clooney é único, hahahahahaha. beijão!

  11. Ah, eu curto ver mulheres quebrando corações, hahahaha

  12. hahahaha, eu também curto. mas não com um julgamento nas entrelinhas, rs.

  13. obaaaa, eu penso igual quiném uma dotôra. 🙂
    bjs

  14. Up por Up fico com o da Pixar. E títulos brasileiros são um caso a parte, é só ver o famoso “Love Letter” que virou “Nunca te vi, sempre te amei”, ou seja, só mesmo sendo muito desligado para não perceber que falam o fim do filme no título. Olha, nada contra o George mas também nada a favor, fico mais com o Cary Grant, não esqueçamos que ele pegou a Audrey Hepburn entre outras…

  15. Eu gostei do filme justamente pelo motivo de não ter gênero, número e grau. De não ter final feliz com a mocinha que ele se apaixona e de ser um filme meio que igual-a-vida-real mesmo, sem querer que acreditássemos em algo diferente disso 😉

    Mas odiei o título em português também, porque não simplesmente fazer virar “nas alturas”?

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